Um ponto de virada para a agenda climática global
Em novembro de 2025, Belém (no Pará) se torna o epicentro das negociações climáticas globais: sediará a COP30, a 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima. Este evento carrega um peso simbólico e prático enorme — os olhos do mundo estarão voltados para a Amazônia enquanto líderes, diplomatas, ativistas e representantes da sociedade civil debatem o futuro do planeta.
Por que a COP30 em Belém é tão importante
- Simbologia da Amazônia: A escolha de Belém para sediar a COP não é por acaso. A Amazônia representa um dos mais importantes biomas para o equilíbrio climático global, e ter uma cúpula climática nesse território reforça a conexão direta entre preservação florestal, justiça climática e ação internacional.
- Protagonismo brasileiro: O Brasil vê a COP30 como uma oportunidade diplomática para reafirmar seu papel nas negociações climáticas, apresentar soluções inovadoras para proteção ambiental e fortalecer parcerias internacionais.
- Investimento em infraestrutura: Nos preparativos para o evento, o governo federal investiu cerca de R$ 4,7 bilhões para adequar a cidade — desde obras em hospedagem até melhorias no espaço público.
- Cúpula de líderes antecipada: Antes da conferência oficial, haverá uma Cúpula do Clima nos dias 6 e 7 de novembro, reunindo chefes de Estado e ministros para debater temas centrais como florestas, transição energética e financiamento climático.
Principais temas em discussão na COP30
- Financiamento climático
A conferência busca intensificar os recursos para países vulneráveis, especialmente para adaptação às mudanças já em curso. O debate inclui como tornar os mecanismos financeiros mais transparentes e confiáveis para garantir que os recursos cheguem onde realmente são necessários. - Transição energética
Energias fósseis vs renováveis: esse continua sendo um dos pontos mais espinhosos. A COP30 deve discutir rotas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, impulsionar a energia limpa e definir prazos mais ambiciosos para a transição energética. - Adaptação e resiliência
Não basta apenas cortar emissões: muitos países, especialmente os mais vulneráveis, precisam se preparar para os impactos climáticos já inevitáveis. A conferência espera avançar em soluções para fortalecer a resiliência de comunidades. - Ambição das metas climáticas (NDCs)
A revisão das NDCs — as metas de cada país para redução de emissões — será pauta central. Há pressão para que os países elevem compromissos e não deixem essas metas no papel. - Justiça climática
A mobilização da sociedade civil será grande. A COP30 prevê participação ativa de povos indígenas, comunidades tradicionais e outras representações vulneráveis. - “Pacote de Belém” e força-tarefa decisória
Está sendo montada uma força-tarefa para acelerar as negociações e aprovar um chamado “Pacote de Belém” com decisões estratégicas até o final da conferência. O pacote deve contemplar financiamento, energia, adaptação e metas climáticas.
Desafios e tensões por trás do evento
- Infraestrutura limitada: Belém não é uma metrópole tradicional para eventos internacionais desse porte. Há desafios logísticos, de hospedagem e mobilidade para acomodar todas as delegações e participantes.
- Preços altos para delegados: A oferta limitada de hotéis tem levado a preços elevados, o que pode limitar a participação de países mais pobres ou ONGs.
- Críticas sobre o legado: Há quem questione se a COP30 deixará um legado real para Belém e para a Amazônia — se os investimentos vão se traduzir em ações duradouras ou se serão obras simbólicas.
- Riscos de greenwashing: Organizações da sociedade civil alertam para o risco de que o evento sirva mais como palco para anúncios do que para compromissos transformadores.
A participação da sociedade civil
A COP30 em Belém vai contar com uma Zona Verde, um espaço aberto ao público para debates, exposições e mobilizações. Também haverá a “Cúpula dos Povos”, onde povos indígenas, comunidades tradicionais, movimento climático e outras vozes relevantes dialogarão sobre justiça social e ambiental.
Além disso, haverá dias temáticos com foco em diferentes áreas, conectando a agenda diplomática às soluções práticas.
O que está em jogo para o Brasil e para o mundo
- Para o Brasil: É uma chance de mostrar liderança climática, atrair investimentos, fortalecer políticas ambientais e consolidar parcerias para conservação e desenvolvimento sustentável.
- Para o mundo: A COP30 pode ser um ponto de virada se resultar em ações concretas — especialmente no financiamento climático e na descarbonização.
- Para as comunidades locais: A conferência pode amplificar as vozes de quem mais sente os impactos climáticos e abrir portas para projetos de adaptação e conservação.
Conclusão
A COP30 em Belém tem potencial para ser histórica: sediar uma conferência climática na Amazônia traz significados profundos e expectativas elevadas. O sucesso depende da ambição das negociações, da participação de múltiplos setores e da concretização real dos acordos.
Se o “Pacote de Belém” for sólido e incluir compromissos claros de financiamento, transição energética e justiça climática, a COP30 pode marcar uma nova etapa global na luta contra a crise climática.

Em 30 de janeiro de 2025, o Parlamento da Nova Zelândia tomou uma medida histórica ao aprovar uma legislação que confere ao Monte Taranaki, ou Taranaki Maunga, o status de “pessoa jurídica”. Isso significa que a montanha agora possui direitos, responsabilidades, poderes e obrigações semelhantes aos de um ser humano, o que reflete uma profunda reverência pela natureza e pela cultura maori. A decisão também envolve o reconhecimento do valor espiritual e cultural do Monte Taranaki para os povos indígenas da região, marcando um passo significativo no reconhecimento dos direitos da natureza.
O Monte Taranaki, um imponente vulcão adormecido de 2.518 metros, é um símbolo central para a população maori, sendo considerado um ancestral sagrado. A nova legislação reconhece que a montanha e sua área circundante são “um todo vivo e indivisível”, incluindo tanto seus aspectos físicos como espirituais, um conceito importante para os maoris. Esse reconhecimento vai além de um simples gesto simbólico, pois tem implicações práticas para a proteção ambiental e a preservação do ecossistema ao redor da montanha.
Além de reconhecer a importância cultural da montanha, a nova lei também faz reparações históricas em relação a danos sofridos pelos maoris. Em 1865, a Coroa britânica tomou posse de Taranaki, além de confiscar cerca de meio milhão de hectares de terras maoris, um episódio que gerou profundas queixas na comunidade indígena. Como parte do acordo legal, o Parque Nacional Egmont, que abrange o Monte Taranaki, será rebatizado de Te Papa-Kura-o-Taranaki, em homenagem à herança maori.
A medida posiciona o Monte Taranaki ao lado de outras entidades naturais que receberam o status de “pessoa jurídica” na Nova Zelândia, como o rio Whanganui e o Parque Nacional Te Urewera. Esses reconhecimentos legais fazem parte de um movimento crescente no país para garantir que a natureza seja tratada com o mesmo respeito e dignidade atribuídos aos seres humanos, refletindo uma mudança cultural mais ampla na maneira como a sociedade percebe e lida com os elementos naturais.
A decisão de conceder ao Monte Taranaki esse status também é vista como uma forma de reparação histórica para a comunidade maori, não apenas corrigindo erros do passado, mas também criando um precedente significativo para o reconhecimento dos direitos da natureza em outras partes do mundo. Essa abordagem estabelece um modelo inovador de relação entre os seres humanos e o meio ambiente, promovendo uma harmonia mais profunda entre desenvolvimento humano e preservação ambiental.
A nova legislação e os esforços para corrigir injustiças passadas também reforçam o compromisso da Nova Zelândia com a preservação de sua herança natural e indígena, tornando-se um exemplo de como as tradições e os direitos culturais podem se entrelaçar com as questões legais e ambientais de forma inovadora.


