COP30 em Belém – Amazônia

18/11/2025

Um ponto de virada para a agenda climática global

Em novembro de 2025, Belém (no Pará) se torna o epicentro das negociações climáticas globais: sediará a COP30, a 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima. Este evento carrega um peso simbólico e prático enorme — os olhos do mundo estarão voltados para a Amazônia enquanto líderes, diplomatas, ativistas e representantes da sociedade civil debatem o futuro do planeta.

Por que a COP30 em Belém é tão importante

  • Simbologia da Amazônia: A escolha de Belém para sediar a COP não é por acaso. A Amazônia representa um dos mais importantes biomas para o equilíbrio climático global, e ter uma cúpula climática nesse território reforça a conexão direta entre preservação florestal, justiça climática e ação internacional.
  • Protagonismo brasileiro: O Brasil vê a COP30 como uma oportunidade diplomática para reafirmar seu papel nas negociações climáticas, apresentar soluções inovadoras para proteção ambiental e fortalecer parcerias internacionais.
  • Investimento em infraestrutura: Nos preparativos para o evento, o governo federal investiu cerca de R$ 4,7 bilhões para adequar a cidade — desde obras em hospedagem até melhorias no espaço público.
  • Cúpula de líderes antecipada: Antes da conferência oficial, haverá uma Cúpula do Clima nos dias 6 e 7 de novembro, reunindo chefes de Estado e ministros para debater temas centrais como florestas, transição energética e financiamento climático.

Principais temas em discussão na COP30

  1. Financiamento climático
    A conferência busca intensificar os recursos para países vulneráveis, especialmente para adaptação às mudanças já em curso. O debate inclui como tornar os mecanismos financeiros mais transparentes e confiáveis para garantir que os recursos cheguem onde realmente são necessários.
  2. Transição energética
    Ener­gias fósseis vs renováveis: esse continua sendo um dos pontos mais espinhosos. A COP30 deve discutir rotas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, impulsionar a energia limpa e definir prazos mais ambiciosos para a transição energética.
  3. Adaptação e resiliência
    Não basta apenas cortar emissões: muitos países, especialmente os mais vulneráveis, precisam se preparar para os impactos climáticos já inevitáveis. A conferência espera avançar em soluções para fortalecer a resiliência de comunidades.
  4. Ambição das metas climáticas (NDCs)
    A revisão das NDCs — as metas de cada país para redução de emissões — será pauta central. Há pressão para que os países elevem compromissos e não deixem essas metas no papel.
  5. Justiça climática
    A mobilização da sociedade civil será grande. A COP30 prevê participação ativa de povos indígenas, comunidades tradicionais e outras representações vulneráveis.
  6. “Pacote de Belém” e força-tarefa decisória
    Está sendo montada uma força-tarefa para acelerar as negociações e aprovar um chamado “Pacote de Belém” com decisões estratégicas até o final da conferência. O pacote deve contemplar financiamento, energia, adaptação e metas climáticas.

COP 30 - BELÉM

Desafios e tensões por trás do evento

  • Infraestrutura limitada: Belém não é uma metrópole tradicional para eventos internacionais desse porte. Há desafios logísticos, de hospedagem e mobilidade para acomodar todas as delegações e participantes.
  • Preços altos para delegados: A oferta limitada de hotéis tem levado a preços elevados, o que pode limitar a participação de países mais pobres ou ONGs.
  • Críticas sobre o legado: Há quem questione se a COP30 deixará um legado real para Belém e para a Amazônia — se os investimentos vão se traduzir em ações duradouras ou se serão obras simbólicas.
  • Riscos de greenwashing: Organizações da sociedade civil alertam para o risco de que o evento sirva mais como palco para anúncios do que para compromissos transformadores.

A participação da sociedade civil

A COP30 em Belém vai contar com uma Zona Verde, um espaço aberto ao público para debates, exposições e mobilizações. Também haverá a “Cúpula dos Povos”, onde povos indígenas, comunidades tradicionais, movimento climático e outras vozes relevantes dialogarão sobre justiça social e ambiental.

Além disso, haverá dias temáticos com foco em diferentes áreas, conectando a agenda diplomática às soluções práticas.


O que está em jogo para o Brasil e para o mundo

  • Para o Brasil: É uma chance de mostrar liderança climática, atrair investimentos, fortalecer políticas ambientais e consolidar parcerias para conservação e desenvolvimento sustentável.
  • Para o mundo: A COP30 pode ser um ponto de virada se resultar em ações concretas — especialmente no financiamento climático e na descarbonização.
  • Para as comunidades locais: A conferência pode amplificar as vozes de quem mais sente os impactos climáticos e abrir portas para projetos de adaptação e conservação.

Conclusão

A COP30 em Belém tem potencial para ser histórica: sediar uma conferência climática na Amazônia traz significados profundos e expectativas elevadas. O sucesso depende da ambição das negociações, da participação de múltiplos setores e da concretização real dos acordos.

Se o “Pacote de Belém” for sólido e incluir compromissos claros de financiamento, transição energética e justiça climática, a COP30 pode marcar uma nova etapa global na luta contra a crise climática.

Sabei que o Senhor separou para si aquele que é piedoso; o Senhor me ouve quando eu clamo a ele. Irai-vos e não pequeis; consultai com o vosso coração em vosso leito, e calai-vos. Oferecei sacrifícios de justiça, e confiai no Senhor. Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Levanta, Senhor, sobre nós a luz do teu rosto.

Salmos 4:3-6