{"id":3910,"date":"2021-02-06T23:30:56","date_gmt":"2021-02-07T02:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/?p=3910"},"modified":"2023-02-18T12:17:19","modified_gmt":"2023-02-18T15:17:19","slug":"paulo-de-tarso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/paulo-de-tarso\/","title":{"rendered":"Paulo de Tarso"},"content":{"rendered":"<h1>Paulo de Tarso<\/h1>\n<p class=\"brownb\">Em grego Paulos, derivado do latim Paulus, que quer dizer pequeno.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Nome do grande ap\u00f3stolo dos gentios. O nome judaico anterior era Saulo; no hebreu Shaul, no grego, Saulos; assim denominado nos Atos dos Ap\u00f3stolos, mesmo at\u00e9 depois da convers\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo, proc\u00f4nsul de Chipre,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:9<\/span>. Daqui em diante, s\u00f3 tem o nome de Paulo, que ele a si mesmo d\u00e1 em todas as suas cartas. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que alguns pensem que tomou este nome do proc\u00f4nsul S\u00e9rgio. Isto, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 de modo algum aceit\u00e1vel, tendo em vista o modo gentil pelo qual Lucas o apresenta, dando-lhe o nome de Paulo, quando come\u00e7ou a sua obra de ap\u00f3stolo. \u00c9 mais prov\u00e1vel que, acompanhando o costume de muitos judeus,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 1:23; 12:12; Colossenses 4:11<\/span>, e principalmente os judeus da dispers\u00e3o, o ap\u00f3stolo usasse de ambos os nomes. Paulo nasceu em Tarso, cidade principal da Cil\u00edcia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:11; 21:39; 22:3<\/span>, e pertencia \u00e0 tribo de Benjamim,\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 3:5<\/span>. N\u00e3o se sabe como \u00e9 que a sua fam\u00edlia foi residir em Tarso.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o afirma que ele havia sido levado de Giscala em Galil\u00e9ia, pelos romanos, depois que tomaram este \u00faltimo lugar. \u00c9 poss\u00edvel, pois, que a fam\u00edlia de Saulo em tempos anteriores, tivesse fixado resid\u00eancia em Tarso, com alguma das col\u00f4nias que os reis da S\u00edria estabeleceram ali (Ramsay, St. Paul the Traveler, p. 31) ou que tivesse imigrado voluntariamente, como faziam muitos judeus por motivos de ordem comercial.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Parece que Paulo tinha rela\u00e7\u00f5es familiares de alto valor e de grande influ\u00eancia. Em\u00a0<span class=\"vs\">Romanos 16:7, 11<\/span>, manda saudar a tr\u00eas pessoas, seus parentes, das quais Andr\u00f4nico e J\u00fanias, que se haviam assinalado entre os ap\u00f3stolos e que foram crist\u00e3os primeiro que ele. Pela leitura de\u00a0<span class=\"vs\">Atos 23:16<\/span>\u00a0sabe-se que\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;um filho de sua irm\u00e3&#8221;<\/span>\u00a0que provavelmente morava em Jerusal\u00e9m com sua m\u00e3e, deu informa\u00e7\u00f5es ao tribuno sobre a conspira\u00e7\u00e3o tramada contra a vida de Paulo. D\u00e1 isto a entender que este mo\u00e7o pertencia a alguma das fam\u00edlias importantes da cidade, o que parece confirmado pelo fato de Paulo haver presidido \u00e0 morte de Estev\u00e3o. \u00c9 prov\u00e1vel que j\u00e1 fosse membro do conc\u00edlio,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:10<\/span>, pois que n\u00e3o tardou a receber comiss\u00e3o do sumo sacerdote para perseguir os crist\u00e3os,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:1-2; 22:5<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Os seus dizeres na ep\u00edstola aos\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 3:4-7<\/span>, nos leva a crer que ocupava posi\u00e7\u00e3o de grande influ\u00eancia que lhe dava margem para conseguir lucros e grandes honras.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">As suas rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia n\u00e3o podiam ser obscuras. Apesar de receber uma educa\u00e7\u00e3o subordinada \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e \u00e0s doutrinas da f\u00e9 hebraica, e de ter pai fariseu,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 23:6<\/span>, ele era cidad\u00e3o romano. Ignora-se por que meios havia alcan\u00e7ado este privil\u00e9gio; teria sido por servi\u00e7os prestados ao estado ou talvez por compra, e pode bem ser que o nome Paulo tenha alguma rela\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo de cidad\u00e3o romano. De qualquer modo que seja, dava-lhe grande import\u00e2ncia na sequ\u00eancia de seu trabalho crist\u00e3o, e serviu mais de uma vez para salvar-lhe a vida.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Tarso era centro intelectual do oriente onde existia uma escola famosa e onde dominava a filosofia est\u00f3ica. \u00c9 poss\u00edvel que Paulo crescesse ali sob estas influ\u00eancias. Seus pais, sendo como eram, fi\u00e9is \u00e0 lei mosaica, o mandaram logo para Jerusal\u00e9m para ser educado l\u00e1. \u00c0 semelhan\u00e7a de outros rapazes da mesma ra\u00e7a, tinha de aprender um of\u00edcio, que, no seu caso, foi o de fazedor de tendas, das que se usavam nas viagens,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:3<\/span>. Como ele mesmo diz,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 22:3<\/span>\u00a0foi educado em Jerusal\u00e9m, para onde o mandaram, quando muito jovem. A educa\u00e7\u00e3o consistia principalmente em fixar nele as tradi\u00e7\u00f5es farisaicas.\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;Foi instru\u00eddo conforme a verdade da lei de seus pais&#8221;<\/span>, ibid. Teve como preceptor, um dos mais s\u00e1bios e not\u00e1veis rabinos daquele tempo, o grande Gamaliel, neto do ainda mais famoso Hilel. Foi este Gamaliel, cujo discurso se podemos verificar em\u00a0<span class=\"vs\">Atos 5:34-39<\/span>, que aconselhou o sanedrim a n\u00e3o tentar contra a vida dos ap\u00f3stolos. Este Gamaliel possu\u00eda alguma cousa estranha ao esp\u00edrito farisaico, a qual se avizinhava da cultura grega. O seu discurso j\u00e1 referido, demonstra que ele n\u00e3o possu\u00eda o esp\u00edrito intolerante e perseguidor, caracter\u00edstico da seita dos fariseus. Celebrizou-se por seus vastos conhecimentos rab\u00ednicos. A seus p\u00e9s o jovem Saulo, vindo de Tarso, recebeu as li\u00e7\u00f5es sobre os ensinos do Antigo Testamento, por\u00e9m j\u00e1 se v\u00ea, de acordo com as sutilezas e interpreta\u00e7\u00f5es dos doutores que acenderam no esp\u00edrito ardente do jovem disc\u00edpulo, um zelo feroz para defender as tradi\u00e7\u00f5es de seus antepassados. Assim, pois, o futuro ap\u00f3stolo tornou-se fariseu zeloso, disciplinado nas id\u00e9ias religiosas e intelectuais de seu povo. Por este modo, as suas qualidades pessoais, o seu preparo intelectual, e, talvez ainda, as rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia, preparavam-lhe posi\u00e7\u00e3o de destaque na sociedade judaica.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Aparece no cen\u00e1rio da hist\u00f3ria crist\u00e3, como presidente da execu\u00e7\u00e3o de Estev\u00e3o, o protom\u00e1rtir do Cristianismo, a cujos p\u00e9s as testemunhas depuseram suas vestimentas,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 7:58<\/span>, quando ainda mo\u00e7o. A sua posi\u00e7\u00e3o neste caso, n\u00e3o queria dizer que estivesse investido de fun\u00e7\u00f5es oficiais. De acordo com os dizeres da passagem referida acima, ele apenas era consentidor na morte de Estev\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Contudo, v\u00ea-se, sem d\u00favida, que perseguia com rigidez os primeiros crist\u00e3os. Sem d\u00favida entrava no n\u00famero daqueles helenistas ou judeus que falavam o grego, mencionados nos\u00a0<span class=\"vs\">Atos dos Ap\u00f3stolos, 6: 9<\/span>, que promoveram a acusa\u00e7\u00e3o contra Estev\u00e3o. N\u00e3o erramos dizendo que o \u00f3dio de Paulo contra a nova seita j\u00e1 estava aceso; n\u00e3o s\u00f3 desprezava o crucificado Messias, como considerava os seus disc\u00edpulos um elemento perigoso, tanto para a religi\u00e3o como para o Estado. N\u00e3o \u00e9 para admirar, pois, que fosse t\u00e3o feroz o seu \u00f3dio a ponto de promover-lhes o exterm\u00ednio pela morte.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Logo ap\u00f3s o mart\u00edrio de Estev\u00e3o, tomou parte ativa, dirigindo o movimento de persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 8:2-3; 22:4; 26:10-11; I Cor\u00edntios 15:9; G\u00e1latas 1:13; Filipenses 3:6; I Tim\u00f3teo 1:13<\/span>. Fazia tudo isto guiado por uma consci\u00eancia mal informada, daqueles que ouviam falar. Era o tipo do inquisidor religioso. N\u00e3o satisfeito com a persegui\u00e7\u00e3o devastadora que fazia em Jerusal\u00e9m, pediu cartas ao pr\u00edncipe dos sacerdotes para as sinagogas de Damasco com o fim de levar presos para Jerusal\u00e9m quantos achasse desta profiss\u00e3o,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:1, 2<\/span>. Os romanos davam largos poderes aos judeus para exercerem a sua administra\u00e7\u00e3o interna. O governador de Damasco que obedecia \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do rei Aretas, era particularmente favor\u00e1vel aos judeus,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:23-24; II Cor\u00edntios 11:32<\/span>, favorecendo por este modo a persegui\u00e7\u00e3o de Paulo aos crist\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Nota importante a observar, segundo o testemunho expresso de Lucas e do pr\u00f3prio Paulo, \u00e9 que respirava amea\u00e7as de morte contra os disc\u00edpulos de Jesus at\u00e9 ao momento da sua convers\u00e3o, crendo que assim fazendo, prestava grande servi\u00e7o a Deus. N\u00e3o tinha d\u00favida quanto \u00e0 justi\u00e7a da sua empresa, nem sentia desfalecimento de cora\u00e7\u00e3o para execut\u00e1-la.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Foi no caminho de Damasco que se deu \u00e0 repentina convers\u00e3o. Paulo e seus companheiros provavelmente iam a cavalo, como era costume nas viagens pelos caminhos desertos da Galil\u00e9ia, para a antiga cidade. Estavam perto da cidade. Era meio-dia, o sol ardente estava no seu z\u00eanite,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:13<\/span>. Repentinamente, uma luz vinda do c\u00e9u, mais brilhante que a luz do sol, caiu sobre eles, derrubando-os. Todos se ergueram, continuando Paulo prostrado por terra,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:7-8<\/span>. Ouviu-se ent\u00e3o uma voz que dizia em l\u00edngua hebraica: &#8220;Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura cousa \u00e9 recalcitrares contra o aguilh\u00e3o&#8221;,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:14<\/span>. Respondeu ele ent\u00e3o: &#8220;Quem \u00e9s tu, Senhor?&#8221; Ele respondeu: &#8220;Eu sou Jesus a quem tu persegues,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:15<\/span>. Levanta-te e vai \u00e0 cidade e a\u00ed se te dir\u00e1 o que te conv\u00e9m fazer&#8221;,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:6; 22:10<\/span>. Os companheiros que o seguiam ouviam a voz sem nada ver,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:7<\/span>, nem entender,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 22:9<\/span>. Paulo sentiu-se cego pelo intenso clar\u00e3o da luz, e foi conduzido pela m\u00e3o dos companheiros,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:7-8<\/span>\u00a0entrou em Damasco, hospedou-se na casa de Judas,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:11<\/span>, onde permaneceu tr\u00eas dias sem vista e sem comer, nem beber, orando,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:11<\/span>, e meditando sobre a revela\u00e7\u00e3o que Deus lhe fizera.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Ao terceiro dia, o Senhor mandou a certo judeu convertido, chamado Ananias, que fosse ter com Paulo e impor-lhe as m\u00e3os para recobrar a vista.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">O Senhor garantiu a Ananias, o qual tinha receio de encontrar-se com o grande perseguidor, que este quando em ora\u00e7\u00e3o, j\u00e1 o tinha visto aproximar-se dele. Portanto, Ananias obedeceu. Paulo confessou a sua f\u00e9 em Jesus, recobrou a vista, e recebeu o batismo; e daqui em diante, com a energia que o caracterizava, e com grande espanto dos judeus, come\u00e7ou a pregar nas sinagogas que Jesus era o Cristo, Filho de Deus vivo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:10-22<\/span>. Tal \u00e9 a narrativa da convers\u00e3o de Saulo de Tarso. H\u00e1 tr\u00eas narrativas deste fato nos Atos; uma feita por Lucas,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:3-22<\/span>, outra pelo pr\u00f3prio Paulo, diante dos judeus,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 22:1-16<\/span>, e outra pelo mesmo Paulo, diante de Festo e do rei Agripa,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:1-20<\/span>. As tr\u00eas narrativas combinam-se entre si, posto que nem todos os incidentes se achem em cada uma delas. Em todo caso, cada uma foi escrita com refer\u00eancia ao fim que o narrador tinha em vista. Em suas ep\u00edstolas, o ap\u00f3stolo alude frequentemente \u00e0 sua convers\u00e3o, atribuindo-a \u00e0 gra\u00e7a e poder de Deus, ainda que a n\u00e3o descreve em min\u00facias,\u00a0<span class=\"vs\">I Cor\u00edntios 9:1-16; 15:8-10; G\u00e1latas 1:12-16; Ef\u00e9sios 3:1-8; Filipenses 3:5-7; I Tim\u00f3teo 1:12-16; II Tim\u00f3teo 1:9-11<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Este fato, pois, \u00e9 atestado pelo testemunho mais forte poss\u00edvel. \u00c9 certo tamb\u00e9m que Jesus, n\u00e3o somente falou a Paulo, mas tamb\u00e9m lhe apareceu,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:17, 27; 22:14; 26:16; I Cor\u00edntios 9:1<\/span>. N\u00e3o se diz de que forma; com certeza foi de modo t\u00e3o glorioso, que o ap\u00f3stolo conheceu logo no Jesus crucificado, o Cristo, Filho do Deus Vivo, que lhe falava; e ele chama a isto, &#8220;vis\u00e3o celestial&#8221;\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:19<\/span>, ou um espet\u00e1culo, palavra esta empregada em\u00a0<span class=\"vs\">Lucas 1:22; 24:23<\/span>, para descrever o aparecimento de entes celestiais. N\u00e3o h\u00e1 lugar para dizer-se que seja ilus\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie. Contudo, o aparecimento de Cristo n\u00e3o foi \u00e0 causa da convers\u00e3o de Saulo, e, sim a obra do Esp\u00edrito Santo no cora\u00e7\u00e3o, habilitando-o a receber e aceitar a verdade que lhe havia sido revelada,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 1:15<\/span>. Foi o mesmo Esp\u00edrito que convenceu a Ananias e que o levou a impor as m\u00e3os e a unir \u00e0 igreja nascente, o novo convertido. V\u00e1rios racionalistas pretendem explicar a convers\u00e3o de Paulo, sem tomar em conta a interven\u00e7\u00e3o sobrenatural; essas opini\u00f5es s\u00e3o destru\u00eddas pelo testemunho do mesmo Paulo. Afirmando a sua atitude de perseguidor, obedecia a motivos de consci\u00eancia e que a sua mudan\u00e7a era devida ao soberano exerc\u00edcio do poder de Deus e \u00e0 sua gra\u00e7a infinita. A frase\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;Dura cousa \u00e9 recalcitrares contra o aguilh\u00e3o&#8221;<\/span>, n\u00e3o quer dizer que ele agia contra a sua vontade ou que j\u00e1 reconhecia a verdade do Cristianismo, quer dizer antes que era insensatez resistir aos prop\u00f3sitos divinos. A sua vida anterior deve ser reconhecida como um per\u00edodo de inicia\u00e7\u00e3o inconsciente para a sua miss\u00e3o futura.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Os foros de cidad\u00e3o romano, a instru\u00e7\u00e3o recebida nas escolas, as suas qualidades pessoais, tudo isto serviu para fazer dele um instrumento especial para a obra mission\u00e1ria. H\u00e1 motivos para crer que o seu esp\u00edrito n\u00e3o tinha paz na pr\u00e1tica do Juda\u00edsmo,\u00a0<span class=\"vs\">Romanos 7:7-25<\/span>. Se assim n\u00e3o fora, n\u00e3o chegaria a compreender verdadeiramente que a salva\u00e7\u00e3o somente se alcan\u00e7a por meio da gra\u00e7a de Deus em Cristo. O que Paulo tinha era nada mais nada menos que experi\u00eancia religiosa que, certamente teve o efeito de prepar\u00e1-lo para ser grande expositor da doutrina da justifica\u00e7\u00e3o pelos m\u00e9ritos de Cristo, alcan\u00e7ados somente pela f\u00e9.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Ap\u00f3s a sua convers\u00e3o, Paulo deu in\u00edcio \u00e0 obra da evangeliza\u00e7\u00e3o; em parte gra\u00e7as \u00e0 sua natural energia, e tamb\u00e9m por haver Deus revelado que ele ia ser vaso escolhido para levar o seu nome diante das gentes, dos reis e dos filhos de Israel, isto \u00e9, mission\u00e1rio e ap\u00f3stolo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:15; 26:16-20<\/span>;\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 1:15-16<\/span>. Come\u00e7ou a sua obra nas sinagogas de Damasco com muito bom \u00eaxito, provocando contra si a persegui\u00e7\u00e3o dos judeus de Damasco, auxiliados pelo governador da cidade,\u00a0<span class=\"vs\">II Cor\u00edntios 11:32<\/span>, de modo que foi preciso fugir. Os disc\u00edpulos, de noite, o desceram pela muralha da cidade, colocando-o num cesto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:23-25; II Cor\u00edntios 11:33<\/span>. Em vez de regressar a Jerusal\u00e9m, dirigiu-se para a Ar\u00e1bia e de l\u00e1 voltou a Damasco,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 1:17<\/span>. N\u00e3o se sabe em que lugar da Ar\u00e1bia ele esteve, nem quanto tempo l\u00e1 se demorou, nem o que foi fazer naquele lugar. Presume-se que meditasse sobre os grandes acontecimentos de sua vida religiosa e das revela\u00e7\u00f5es que Deus lhe havia feito.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Tr\u00eas anos depois da sua convers\u00e3o, determinou sair de Damasco e ir outra vez a Jerusal\u00e9m. Diz-nos ele que o principal objetivo desta viagem foi visitar a Pedro,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 1:18-19<\/span>, demorando-se com ele quinze dias n\u00e3o tendo visto mais nenhum dos ap\u00f3stolos sen\u00e3o a Tiago, irm\u00e3o do Senhor. Lucas menciona mais alguns particulares,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:26-29<\/span>. A igreja de Jerusal\u00e9m teve medo dele, n\u00e3o acreditando que agora fosse disc\u00edpulo de Cristo. Foi necess\u00e1rio que Barnab\u00e9 o levasse consigo e o apresentasse aos ap\u00f3stolos, contando como havia visto ao Senhor e como depois em Damasco ele se portou com toda a liberdade em nome de Jesus.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Diz ainda Lucas que Paulo pregava em Jerusal\u00e9m com o mesmo desassombro como havia feito em Damasco, empregando seus esfor\u00e7os para a convers\u00e3o de seus velhos amigos e compatriotas, que falavam o grego,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:28-29<\/span>. Como em Damasco, estes tamb\u00e9m conspiraram contra ele. A situa\u00e7\u00e3o amea\u00e7adora e perigosa em que se achava, fez com que os irm\u00e3os o conduzissem a Cesar\u00e9ia e dali para Tarso,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 9:29, 30; G\u00e1latas 1:21<\/span>. Saiu mais depressa de Jerusal\u00e9m, por haver tido uma vis\u00e3o no templo, na qual o Senhor lhe ordenou que sem deten\u00e7\u00e3o se afastasse dali para ir \u00e0s na\u00e7\u00f5es de longe,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 22:17-21<\/span>. As duas not\u00edcias sobre esta visita a Jerusal\u00e9m, que se encontram nos Atos e na carta aos G\u00e1latas, parecem inconsistentes, por\u00e9m, harmonizam-se naturalmente. \u00c9 muit\u00edssimo prov\u00e1vel que Paulo quisesse visitar a Pedro a fim de que o trabalho que lhe estava destinado fosse feito em harmonia com os primitivos ap\u00f3stolos, dos quais Pedro se destacava. \u00c9 igualmente prov\u00e1vel que os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m, a princ\u00edpio, tivessem receio dele, e que o proceder de Barnab\u00e9, que era como Paulo, helenista judeu, fosse recebido com algumas reservas. Al\u00e9m disso, quinze dias de estada na cidade, \u00e9 tempo suficiente para os acontecimentos descritos nos Atos. A ordem do Senhor para que Paulo deixasse logo a cidade, \u00e9 de fato confirmada,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 22:18<\/span>. A not\u00edcia que Lucas d\u00e1 de que Barnab\u00e9 apresentou Paulo aos ap\u00f3stolos, n\u00e3o contradiz a afirma\u00e7\u00e3o de Paulo de que somente viu a Pedro e Tiago. A recep\u00e7\u00e3o feita ao novo convertido pelo ap\u00f3stolo Pedro, para n\u00e3o falar tamb\u00e9m de Tiago que ocupava posi\u00e7\u00e3o quase apost\u00f3lica,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 2:9<\/span>, equivalia ao oficial do novo ap\u00f3stolo, e \u00e9 isto mesmo que Lucas queria significar. \u00c9 ainda digno de nota que achava completamente confirmado, tanto por parte de Paulo como dos irm\u00e3os principais de Jerusal\u00e9m, que o novo convertido havia sido escolhido ap\u00f3stolo, e que a sua miss\u00e3o seria entre os gentios. Nesta ocasi\u00e3o se cogitava das rela\u00e7\u00f5es dos gentios convertidos para com a lei mosaica. Ningu\u00e9m poderia ainda avaliar a import\u00e2ncia e a extens\u00e3o da obra de Paulo. Contudo foi ele reconhecido como tal e enviado a Tarso para iniciar a seu trabalho.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">A demora dele nesta cidade \u00e9 quase um enigma; parece que foi de seis ou sete anos (veja a cronologia abaixo), durante os quais se ocupou de evangeliza\u00e7\u00e3o e provavelmente fundou as igrejas da Cil\u00edcia, incidentalmente referidas em\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:41<\/span>. Se alguma vez sentiu a influ\u00eancia intelectual de Tarso, esta devia ser-lhe muito prop\u00edcia. Como j\u00e1 foi dito, Tarso era um dos centros da filosofia est\u00f3ica. Em seu discurso em Atenas, Paulo faz aprecia\u00e7\u00f5es sobre esta escola, suficientes a satisfazer a nossa curiosidade. Ainda que em atividade, Paulo aguardava as indica\u00e7\u00f5es providenciais sobre o caminho que devia tomar no servi\u00e7o do Mestre. Finalmente come\u00e7aram a aparecer. Alguns dos judeus convertidos que falavam a l\u00edngua grega, que haviam sa\u00eddo de Jerusal\u00e9m, fugindo \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o que se seguiu \u00e0 morte de Estev\u00e3o, chegaram \u00e0 grande cidade de Antioquia da S\u00edria, situada \u00e0s margens do Orontes, ao norte da cordilheira do L\u00edbano. Tinha sido capital do reino e era naquele tempo, a resid\u00eancia oficial do governador romano da prov\u00edncia. Era contada entre cidades principais do imp\u00e9rio, por causa de sua popula\u00e7\u00e3o mista e da extens\u00e3o de seu com\u00e9rcio.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Situada fora dos limites da Palestina, e \u00e0s portas da \u00c1sia Menor, ligada tamb\u00e9m pelo tr\u00e1fego e pela pol\u00edtica com todo o imp\u00e9rio, servia de base natural de opera\u00e7\u00f5es, de onde a nova f\u00e9, separada do juda\u00edsmo sairia \u00e0 conquista do mundo. Nesta cidade, os crist\u00e3os refugiados come\u00e7aram a pregar aos gentios,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 11:20<\/span>. H\u00e1 uma dificuldade no texto original para determinar com clareza se era mesmo aos gentios que eles pregavam; mas no contexto n\u00e3o h\u00e1 lugar a d\u00favidas. Muitos gentios se converteram ali de modo a formarem uma igreja gent\u00edlica na metr\u00f3pole da S\u00edria.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Quando a not\u00edcia chegou a Jerusal\u00e9m, enviaram l\u00e1 a Barnab\u00e9 para investigar o caso. Claramente descobriu a m\u00e3o de Deus neste movimento, n\u00e3o obstante serem os rec\u00e9m-convertidos incircuncidados. Parece que ele tamb\u00e9m percebeu que Deus estava abrindo a porta aos trabalhos de Paulo, porque dali foi busc\u00e1-lo a Tarso e levou-o para Antioquia. Ambos trabalharam naquela cidade um ano inteiro. Muitos outros gentios se converteram, de modo que a nova igreja, sem vest\u00edgios de juda\u00edsmo, foi denominada dos crist\u00e3os pelos habitantes gentios da cidade. Come\u00e7aram por este modo as rela\u00e7\u00f5es do ap\u00f3stolo com Antioquia. Nas p\u00e1ginas da hist\u00f3ria foi registrada a primeira igreja crist\u00e3 formada de elementos gent\u00edlicos, ponto de partida para a obra de Paulo no mundo pag\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Quando Paulo estava em Antioqu\u00eda, um profeta por nome \u00c1gabo, vindo da Jud\u00e9ia, predisse na assembl\u00e9ia dos crist\u00e3os, que em breve haveria uma grande fome na terra. Serviu esta profecia de motivo para que os irm\u00e3os manifestassem o seu extremado amor para com os crist\u00e3os da Jud\u00e9ia. Este fato \u00e9 prova not\u00e1vel do sentimento de obriga\u00e7\u00e3o destes gentios para com \u00e0queles de quem haviam recebido a nova f\u00e9, e tamb\u00e9m para mostrar qu\u00e3o depressa haviam sido destru\u00eddos os muros de inimizade que separava as ra\u00e7as e as classes. Em Antioquia fizeram-se logo contribui\u00e7\u00f5es para aliviar as necessidades dos irm\u00e3os da Jud\u00e9ia enviadas por m\u00e3o de Barnab\u00e9 e de Saulo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 11:29-30<\/span>. Esta visita de Paulo a Jerusal\u00e9m deveria ser no ano 44, ou pouco antes, e a ela n\u00e3o se refere na sua ep\u00edstola aos G\u00e1latas, talvez por n\u00e3o ter visto nenhum dos ap\u00f3stolos. Alguns escritores tentaram identificar esta visita com a que se acha mencionada em\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 2:1-10<\/span>; por\u00e9m deu-se esta depois de discutida a circuncis\u00e3o dos gentios, como se depreende de\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:1<\/span>. O prop\u00f3sito de Paulo, na ep\u00edstola aos G\u00e1latas, foi o de contar de novo \u00e0s oportunidades que ele havia tido, de obter a confirma\u00e7\u00e3o de seu evangelho pelos ap\u00f3stolos mais velhos, e se nesta ocasi\u00e3o, como diz Lucas, ele encontrou somente os anci\u00e3os da igreja, a sua r\u00e1pida visita era de simples caridade, o seu argumento na carta aos G\u00e1latas n\u00e3o exigia men\u00e7\u00e3o desta viagem. Barnab\u00e9 e Paulo voltaram novamente a Antioquia, levando consigo a Jo\u00e3o Marcos,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 12:25<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Havia chegado o tempo de iniciar a hist\u00f3ria mission\u00e1ria da evangeliza\u00e7\u00e3o dos gentios, indicada pelo Esp\u00edrito aos profetas pertencentes \u00e0 igreja de Antioquia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:1-3<\/span>, os quais, por ordem divina separam a Barnab\u00e9 e a Paulo esta obra a que Deus os havia chamado. Obedecendo \u00e0 dire\u00e7\u00e3o divina e sob os ausp\u00edcios da igreja de Antioquia, o ap\u00f3stolo principiou a primeira viagem mission\u00e1ria, sem podermos determinar a data, que deveria ser entre 45 e 50, ou 46 e 48, e sem sabermos quanto tempo durou. Barnab\u00e9 que era o mais velho, dirigia o movimento, mas Paulo, em breve, ocupou o primeiro lugar por causa de seus dotes orat\u00f3rios. Jo\u00e3o Marcos entrou nesta comiss\u00e3o. Sa\u00edram de Antioquia para Sel\u00eaucida, situada na foz do Orontes e dali para Chipre, p\u00e1tria de Barnab\u00e9. Desembarcando em Salamina, na costa de Chipre, come\u00e7aram a trabalhar, como de costume, nas sinagogas. Percorreram toda a ilha at\u00e9 chegarem a Pafos na costa sudoeste. Neste lugar, despertaram a aten\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo, proc\u00f4nsul romano. Saiu-lhes ao encontro, com violenta oposi\u00e7\u00e3o, um feiticeiro judeu, chamado Barjesus, tamb\u00e9m conhecido por Elimas, o mago que previamente havia conseguido a prote\u00e7\u00e3o do proc\u00f4nsul,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:6-7<\/span>. Paulo resistiu-lhe indignado e repreendeu-o severamente, e feriu-o de cegueira. Resultou disto a convers\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:8-12<\/span>. Partindo de Chipre, o grupo de mission\u00e1rios de que Paulo era agora o chefe,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:13<\/span>, navegaram para a \u00c1sia Menor e chegaram a Perge na Panf\u00edlia. Ali Jo\u00e3o Marcos, por motivos ignorados, deixou os seus companheiros e regressou a Jerusal\u00e9m. Os dois, Paulo e Barnab\u00e9, n\u00e3o se detiveram em Perge, dirigiram-se para o norte, chegaram a Fr\u00edgia e foram at\u00e9 Antioquia da Pis\u00eddia.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Esta era a cidade principal da prov\u00edncia romana de Gal\u00e1cia. Entraram na sinagoga judaica, e a convite dos chefes da sinagoga, proferiu o grande discurso, registrado, em\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:16-41<\/span>, primeira esp\u00e9cime de sua prega\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 not\u00edcia. Depois de narrar a miss\u00e3o dos chefes de Israel, com vistas ao Messias, que tinha de vir, falou do testemunho de Jo\u00e3o Batista e do modo por que Jesus foi rejeitado pelos judeus; declarou que Deus o havia ressuscitado dentre os mortos, cumprindo na sua pessoa as promessas feitas a Israel pelos antigos e que, somente pela f\u00e9 nele, os homens podem ser justificados. Admoestou os judeus a n\u00e3o repetirem o crime cometido pelas autoridades de Jerusal\u00e9m. Este discurso fomentou a odiosidade dos judeus, mas impressionou a alguns outros e ainda mais aos gentios que j\u00e1 estavam sob a influ\u00eancia da sinagoga e formavam o la\u00e7o de uni\u00e3o entre esta e o mundo gent\u00edlico para o trabalho de Paulo. No s\u00e1bado seguinte deu-se o rompimento entre a sinagoga e os mission\u00e1rios crist\u00e3os, de modo que estes passaram a dirigir-se aos gentios. O povo da cidade, excitado pelos judeus, levantou-se contra Paulo e Barnab\u00e9 e os lan\u00e7aram fora,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:50<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">De Antioquia passaram a Ic\u00f4nio, outra cidade da Fr\u00edgia, onde uma copiosa multid\u00e3o de judeus e de gregos se converteu \u00e0 f\u00e9,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 13:51<\/span>. Aqui tamb\u00e9m encontraram forte resist\u00eancia da parte dos judeus incr\u00e9dulos, irritando os \u00e2nimos dos gentios contra seus irm\u00e3os. Daqui passaram para Listra e Derbe, cidades importantes da Lica\u00f4nia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 14:1-6<\/span>. Em Listra, o ap\u00f3stolo Paulo curou um homem coxo desde o ventre materno. O povo tendo visto o milagre, levantou a voz dizendo:\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;Estes, s\u00e3o deuses que baixaram a n\u00f3s em figura de homens; chamavam a Barnab\u00e9, J\u00fapiter e a Paulo Merc\u00fario&#8221;<\/span>. Este fato ocasionou o segundo discurso feito por Paulo, registrado nos\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15-18<\/span>, no qual p\u00f3s em evid\u00eancia a estult\u00edcia da idolatria. \u00c9 quase certo que a convers\u00e3o de Tim\u00f3teo se deu em Listra,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 16:1; II Tim\u00f3teo 1:2; 3:11<\/span>. A popularidade de Paulo durou pouco. Irrompeu nova persegui\u00e7\u00e3o, instigada pelos judeus,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 14:19<\/span>, apedrejando-o e lan\u00e7ando-o fora da cidade como morto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 14:19<\/span>. Rodeando-o os disc\u00edpulos, e levantando-se ele, entrou na cidade e no dia seguinte partiu com Barnab\u00e9 para Derbe, limite prov\u00e1vel da prov\u00edncia da Gal\u00e1cia a sudeste,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 14:20<\/span>. Seria poss\u00edvel aos dois mission\u00e1rios atravessar a cordilheira indo a Cil\u00edcia e passando por Tarso, irem diretamente de regresso a Antioquia da S\u00edria. Fizeram um novo c\u00edrculo; n\u00e3o quiseram voltar antes de consolidar a exist\u00eancia das novas Igrejas. Portanto, passaram de Derbe a Listra, de Listra a Ic\u00f4nio, de Ic\u00f4nio a Antioquia da Pis\u00eddia, de Antioquia a Perge, organizando igrejas e animando os disc\u00edpulos. Nesta cidade pregaram o Evangelho que parece n\u00e3o haviam feito na primeira visita; dirigiram-se ao porto de Atalia e dali regressaram a Antioquia da S\u00edria,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 14:21-26<\/span>. E assim terminou a primeira viagem mission\u00e1ria do ap\u00f3stolo. Esta viagem compreendia todas, as regi\u00f5es para o lado do ocidente, j\u00e1 ocupadas pelo Evangelho.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">O m\u00e9todo de trabalho consistia em oferecer em primeiro lugar a salva\u00e7\u00e3o aos judeus e depois aos gentios. Encontrou o ap\u00f3stolo grande n\u00famero deles influenciados pelo juda\u00edsmo, e, portanto, em condi\u00e7\u00f5es de receber a nova doutrina. O seu objetivo consistia em formar igrejas nas cidades principais. As boas estradas de rodagem abertas pelo governo romano, entre os postos militares, contribu\u00edram muito para facilitar as viagens mission\u00e1rias. A l\u00edngua grega, por ser geralmente falada, serviu de ve\u00edculo \u00e0 prega\u00e7\u00e3o da verdade. A Provid\u00eancia havia por este modo preparado o caminho para a difus\u00e3o do Evangelho no mundo. Sobre as viagens mission\u00e1rias, podem os leitores consultar Conybeare e Howson que escreveram sobre a primeira viagem de Paulo, Life and Epistles of St. Paul; e especialmente, em refer\u00eancia \u00e0 primeira viagem, a primeira parte da obra de Ramsay, Church in the Roman Empire.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Os grandes resultados da obra de Paulo entre os gentios provocaram s\u00e9rias controv\u00e9rsias dentro da igreja. Certo n\u00famero de crist\u00e3os, vindos do juda\u00edsmo, foram de Jerusal\u00e9m para Antioquia, ensinando ali que n\u00e3o poderiam ser salvos os gentios convertidos a menos que fossem primeiramente circuncidados,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:1<\/span>. Alguns anos antes, Deus havia revelado \u00e0 igreja por meio do ap\u00f3stolo Pedro, que os gentios deviam ser recebidos na igreja sem a observ\u00e2ncia das leis de Mois\u00e9s,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 10:1<\/span>\u00a0at\u00e9\u00a0<span class=\"vs\">Atos 11:18<\/span>. Por\u00e9m os fariseus restritos, convertidos ao Cristianismo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:5<\/span>, n\u00e3o se podiam conformar com esta doutrina vencedora na igreja da Antioquia, e de tal maneira perturbaram a consci\u00eancia dos irm\u00e3os, que eles resolveram mandar Paulo e Barnab\u00e9, acompanhados de outros irm\u00e3os a Jerusal\u00e9m, para consultarem os ap\u00f3stolos e os anci\u00e3os sobre este assunto. Esta viagem \u00e9 a que vem descrita em\u00a0<span class=\"vs\">Atos cap. 15<\/span>\u00a0e em\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 2:1-10<\/span>. Ambas estas descri\u00e7\u00f5es s\u00e3o inteiramente acordes, posto que feitas sob pontos de vista diferente. Paulo diz que foi l\u00e1 em consequ\u00eancia de uma revela\u00e7\u00e3o divina,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 2:2<\/span>. A situa\u00e7\u00e3o era delicada e muito cr\u00edtica. O futuro da nova religi\u00e3o dependia de uma resolu\u00e7\u00e3o s\u00e1bia. Dela resultou a vit\u00f3ria da lealdade crist\u00e3 e da caridade. Paulo e Barnab\u00e9 mostraram \u00e0 igreja m\u00e3e o que Deus havia feito por interm\u00e9dio deles. Diante da oposi\u00e7\u00e3o dos elementos judaicos reuniu-se um conc\u00edlio dos ap\u00f3stolos e dos anci\u00e3os,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:6-29<\/span>, Pedro recordou o fato da convers\u00e3o de Corn\u00e9lio; Paulo e Barnab\u00e9 relataram os fatos que se deram em sua viagem mission\u00e1ria; Tiago, irm\u00e3o do Senhor, fez lembrar a profecia, anunciando a voca\u00e7\u00e3o dos gentios. Resolveram ent\u00e3o aceitar como irm\u00e3os os convertidos n\u00e3o circuncidados, exortando-os apenas a se absterem de certas pr\u00e1ticas altamente ofensivas aos judeus. Diz o ap\u00f3stolo na carta aos G\u00e1latas, que ele advertiu a igreja de Jerusal\u00e9m contra os falsos irm\u00e3os, e tamb\u00e9m que Tiago, Pedro e Jo\u00e3o lhe haviam dado as m\u00e3os em sinal de companhia para que ele fosse aos gentios e eles aos judeus. Deste modo, o ap\u00f3stolo manteve as rela\u00e7\u00f5es com os outros ap\u00f3stolos, continuando livremente o seu trabalho mission\u00e1rio para o qual havia sido divinamente destinado. O quanto esta controv\u00e9rsia acirrou os \u00f3dios do juda\u00edsmo, pode ver-se na subsequente persegui\u00e7\u00e3o contra Paulo. A sua vit\u00f3ria nesta quest\u00e3o serviu para conservar a unidade da igreja e garantir a liberdade dos gentios.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Um s\u00e1bio ajustamento de id\u00e9ias, de resultados pr\u00e1ticos, conciliou os preju\u00edzos razo\u00e1veis dos judeus, ao mesmo tempo em que o caminho para a evangeliza\u00e7\u00e3o dos gentios em todas as dire\u00e7\u00f5es ficou aberto e livre das cerim\u00f4nias judaicas. Na carta aos\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 2:11-21<\/span>, existe r\u00e1pida alus\u00e3o a uma controv\u00e9rsia sobre o assunto em Antioquia, de que n\u00e3o h\u00e1 registro. Pedro tinha ido l\u00e1, e, estando de pleno acordo com as ideias de Paulo, mantinha livres rela\u00e7\u00f5es com os gentios; mas, chegando ali alguns judeus de Jerusal\u00e9m, Pedro e Barnab\u00e9, como que haviam cortado rela\u00e7\u00f5es com os gentios. Esta maneira de proceder repreens\u00edvel foi severamente condenada por Paulo, que ao mesmo tempo esbo\u00e7ou a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 sem as obras da lei, porque, dizia ele, eu estou morto \u00e0 lei pela mesma lei, querendo com isso dizer que pela morte de Cristo ficaram prejudicadas todas as obriga\u00e7\u00f5es, impostas pela lei cerimonial. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o para se tornarem disc\u00edpulos de Cristo, era crer nele para a obter a salva\u00e7\u00e3o. V\u00ea-se, pois, que os direitos dos gentios na igreja crist\u00e3 eram para o ap\u00f3stolo, mais do que uma quest\u00e3o de unidade: envolvia um princ\u00edpio essencial do Evangelho. Na defesa deste princ\u00edpio, tanto como pela sua obra mission\u00e1ria, Paulo foi o principal agente para se estabelecer o Cristianismo universal.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">O conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m se efetuou no ano 50. N\u00e3o muito depois, Paulo prop\u00f4s a Barnab\u00e9 uma segunda viagem mission\u00e1ria,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:36<\/span>. Nesta ocasi\u00e3o n\u00e3o quis que Jo\u00e3o Marcos fosse com eles, ficando desde a\u00ed separados os dois grandes mission\u00e1rios. Desta vez acompanhou-o Silas. Primeiro visitaram as igrejas da S\u00edria e da Cil\u00edcia; depois passaram para os lados do norte, atravessaram as montanhas do Tauro e passaram \u00e0s igrejas que Paulo havia fundado na sua primeira viagem. Foram a Derbe e a Listra. Nesta \u00faltima cidade, determinou levar a Tim\u00f3teo, e o circuncidou por causa dos judeus que l\u00e1 havia, impedindo por este modo que eles se escandalizassem, porque sua m\u00e3e era judia. Por este modo mostrou ele desejos de conciliar os preju\u00edzos judaicos e ao mesmo tempo n\u00e3o cedendo uma linha em quest\u00e3o de princ\u00edpios. De Listra passou para Ic\u00f4nio e para Antioquia da Pis\u00eddia. Neste lugar encontrou a oposi\u00e7\u00e3o dos fil\u00f3sofos. Diz Ramsay, e com ele outros, que ele seguiu diretamente para o norte, quando deixou Antioquia da Pis\u00eddia, atravessando a prov\u00edncia romana da \u00c1sia, por\u00e9m sem pregar ali, por haver sido proibido pelo Esp\u00edrito Santo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 16:6<\/span>, e tendo chegado \u00e0 M\u00edsia, intentavam passar \u00e0 Bit\u00ednia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 16:7<\/span>, mas foram de novo proibidos de pregar ali. Passando depois \u00e0 Misia, voltaram-se para o ocidente, e foram para Tr\u00f4ade. A opini\u00e3o mais comum \u00e9 que eles, de Antioquia da Pis\u00eddia passaram para nordeste e foram para Gal\u00e1cia pr\u00f3pria; nesta viagem Paulo adoeceu, aproveitando esta oportunidade, apesar de enfermo, para pregar na Gal\u00e1cia e fundar igrejas,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 4:13-15<\/span>; que este movimento ao nordeste foi por causa de terem sido proibidos de pregar na \u00c1sia; que terminado que foi o trabalho na Gal\u00e1cia pr\u00f3pria, tentaram entrar na Bit\u00ednia, sendo outra vez proibidos. E assim, adotando a primeira teoria, o ap\u00f3stolo voltou para o ocidente para Tr\u00f4ade. Todo este per\u00edodo \u00e9 rapidamente descrito por Lucas. O Esp\u00edrito estava dirigindo os mission\u00e1rios para a Europa. A narra\u00e7\u00e3o dos Atos assim o indica.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Em Tr\u00f4ade apareceu a vis\u00e3o do homem de Maced\u00f4nia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 16:9<\/span>. Obedecendo a esta chamada, os mission\u00e1rios juntamente com Lucas, dirigem-se para a Europa e desembarcando em Ne\u00e1polis, seguem logo para a importante cidade de Filipos. Ali fundaram uma igreja,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 16:1-40<\/span>, que sempre foi cara ao cora\u00e7\u00e3o de Paulo,\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 1:4-7; 4:1, 15<\/span>. Aqui tamb\u00e9m, pela primeira vez, entrou em conflito com os magistrados romanos, servindo-se dos seus direitos de cidad\u00e3o romano em favor de seu trabalho,\u00a0<em>Atos 16:20-24, 37-39<\/em>. De Filipos, onde Lucas ficou, Paulo, Silas e Tim\u00f3teo foram para Tessal\u00f4nica. A defici\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre o trabalho neste lugar,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 17:1-9<\/span>, \u00e9 suprida pelas alus\u00f5es que a ele fazem as duas ep\u00edstolas \u00e0quela igreja.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Alcan\u00e7aram grandes resultados entre os gentios e lan\u00e7ou com grande cuidados os alicerces da igreja, servindo-lhe de exemplo de ind\u00fastria e sobriedade, provendo pelo trabalho manual, o seu sustento e o de seus companheiros enquanto ali esteve a servi\u00e7o do Evangelho,\u00a0<span class=\"vs\">I Tessalonicenses cap. 2<\/span>, etc. Veio a persegui\u00e7\u00e3o instigada pelos judeus, e por isso os irm\u00e3os enviaram Paulo para a Ber\u00e9ia; deste lugar, ap\u00f3s valiosos resultados, at\u00e9 mesmo dentro da sinagoga, seguiu para Atenas.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">A sua estada nesta cidade foi sem resultados. O que de mais importante se deu, foi o brilhante discurso por ele proferido no Are\u00f3pago em presen\u00e7a dos fil\u00f3sofos gregos,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 17:22-31<\/span>, no qual o ap\u00f3stolo fez aprecia\u00e7\u00f5es sobre as verdades que o Evangelho continha em comum com o estoicismo, e ao mesmo tempo proclamando a seu audit\u00f3rio os deveres que tinha para com Deus e o que deveriam crer a seu respeito. Em Corinto, onde se deteve dezoito meses, ao contr\u00e1rio de Atenas, seus trabalhos surtiram efeito admir\u00e1vel. Travou rela\u00e7\u00f5es com \u00c1quila e Priscila e hospedou-se em sua casa,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:1-3<\/span>. A princ\u00edpio pregava na sinagoga, depois, por causa da oposi\u00e7\u00e3o dos judeus, passou a pregar em casa de certo Tito Justo, pr\u00f3ximo \u00e0 sinagoga,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:5-7<\/span>. Tanto no livro dos\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18: 9-10<\/span>, como na\u00a0<span class=\"vs\">I Cor\u00edntios 2:1-5<\/span>, encontram-se alus\u00f5es \u00e0 grande ansiedade com que o ap\u00f3stolo prosseguia na sua miss\u00e3o em Corinto, e o seu desejo ardente de proclamar o evangelho na Gr\u00e9cia e em outros lugares. Na carta de I aos Cor\u00edntios refere-se aos bons resultados de seus trabalhos e \u00e0s muitas tenta\u00e7\u00f5es a que a igreja de Corinto estava exposta e que desde o princ\u00edpio ocasionou cuidados especiais da parte do ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">As necessidades de outras igrejas tamb\u00e9m serviam de objeto a seus constantes cuidados. De Corinto escreveu as duas ep\u00edstolas aos Tessalonicenses, com o prop\u00f3sito de advertir os irm\u00e3os contra certas doutrinas e pr\u00e1ticas nocivas que amea\u00e7avam a igreja. As hostilidades dos judeus continuavam. Por ocasi\u00e3o da chegada a Corinto do proc\u00f4nsul G\u00e1lio, acusaram a Paulo de violar a lei. O proc\u00f4nsul decidiu que a quest\u00e3o devia ser resolvida pelo pessoal da sinagoga, que o ap\u00f3stolo n\u00e3o havia violado lei alguma que exigisse a sua interven\u00e7\u00e3o. Nesta \u00e9poca, o imp\u00e9rio romano defendia os crist\u00e3os das viol\u00eancias dos judeus, identificando-os com eles e deste modo, o ap\u00f3stolo podia continuar o seu trabalho sem embara\u00e7o algum. A miss\u00e3o de Paulo em Corinto \u00e9 uma das mais frut\u00edferas que a hist\u00f3ria da igreja primitiva registra.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Finalmente, o ap\u00f3stolo volta-se outra vez para o oriente. De Corinto vai para \u00c9feso, onde n\u00e3o se demorou, e segue para Cesar\u00e9ia indo apressadamente para Jerusal\u00e9m. Havendo saudado a igreja desta cidade, voltou a Antioquia, de onde havia partido,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:22<\/span>. Assim terminou ele a segunda viagem mission\u00e1ria de que resultou o estabelecimento do Cristianismo na Europa. A Maced\u00f4nia e a Acaia estavam evangelizadas. O Evangelho havia dado grande passo para a conquista do imp\u00e9rio romano. Depois de algum tempo em Antioquia, o ap\u00f3stolo Paulo, talvez no ano 54, deu in\u00edcio \u00e0 sua terceira viagem. Primeiro atravessou a regi\u00e3o da Gal\u00e1cia e da Fr\u00edgia a fim de fortalecer os disc\u00edpulos,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:23<\/span>, depois vai a \u00c9feso. Parece que a anterior proibi\u00e7\u00e3o de pregar o evangelho na \u00c1sia, havia sido removida. \u00c9feso era a capital da \u00c1sia e uma das cidades de maior influ\u00eancia no oriente. Permaneceu tr\u00eas anos estabelecendo ali o centro de opera\u00e7\u00f5es,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 19:8-9; 20:31<\/span>. Durante tr\u00eas meses ensinava na sinagoga,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:8<\/span>, e depois durante dois anos na escola de certo Tirano,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:9<\/span>. O seu trabalho nesta cidade se tornou not\u00e1vel pela riqueza de instru\u00e7\u00e3o,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:18-31<\/span>, pela opera\u00e7\u00e3o de portentosos milagres,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 19:11-12<\/span>, pelos resultados obtidos, porque todos que habitavam na \u00c1sia ouviram a palavra do Senhor,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 19:10<\/span>, e at\u00e9 mesmo alguns dos principais da \u00c1sia eram seus amigos,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 19:31<\/span>, tamb\u00e9m pela constante e feroz persegui\u00e7\u00e3o,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 19:23-41; I Cor\u00edntios 4:9-13; 15:32<\/span>, e finalmente pelo cuidado que tinha de todas as igrejas,<span class=\"vs\">II Cor\u00edntios 11:28<\/span>. Este per\u00edodo da vida do ap\u00f3stolo \u00e9 rico em incidentes. Muitas cousas se deram que n\u00e3o se encontram nos Atos.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Em Corinto, o ap\u00f3stolo soube dos ataques que lhe faziam e \u00e0 sua doutrina os mestres judaizantes da Gal\u00e1cia, o que deu origem \u00e0 ep\u00edstola aos G\u00e1latas, na qual defende a sua autoridade apost\u00f3lica e os primeiros ensinos formais sobre a doutrina da gra\u00e7a. O estado da Igreja de Corinto tamb\u00e9m lhe deu motivo a constantes afli\u00e7\u00f5es. Em resposta \u00e0s perguntas que a igreja lhe fez, escreveu uma carta que se perdeu, a respeito das rela\u00e7\u00f5es dos crentes com a sociedade pag\u00e3,\u00a0<span class=\"vs\">I Cor\u00edntios 5:9<\/span>. Not\u00edcias posteriores d\u00e3o a entender que haviam surgido dificuldades mais s\u00e9rias. A primeira ep\u00edstola aos Cor\u00edntios foi escrita de modo a mostrar a sabedoria pr\u00e1tica do ap\u00f3stolo; no modo de instruir e disciplinar as igrejas nascentes. Apesar disso, os elementos sediciosos da igreja de Corinto, continuaram em a\u00e7\u00e3o. Pensam alguns que depois de haver enviado a carta, ele pr\u00f3prio foi a Corinto apressadamente para corrigir os crentes indisciplinados,\u00a0<span class=\"vs\">II Cor\u00edntios 12:14; 13:1<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">\u00c9 certo, por\u00e9m, que antes de sair de \u00c9feso enviou Tito a Corinto, talvez levando instru\u00e7\u00f5es sobre o caso de um membro refrat\u00e1rio da igreja. Tito deveria encontrar-se outra vez com o ap\u00f3stolo em Tr\u00f4ade. Falhando este encontro, Paulo passou para a Maced\u00f4nia, muito ansioso, aonde haviam chegado Tim\u00f3teo e Erasto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 19:22<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Finalmente, Tito chegou ao encontro desejado,\u00a0<span class=\"vs\">II Cor\u00edntios 2:12-14; 7:5-16<\/span>, levando boas not\u00edcias: a igreja havia obedecido \u00e0s instru\u00e7\u00f5es do ap\u00f3stolo e permanecia fiel. Isto deu assunto para escrever a segunda ep\u00edstola, a que cont\u00e9m as mais completas notas biogr\u00e1ficas, e em que ele se regozija pela obedi\u00eancia dos irm\u00e3os, e d\u00e1 instru\u00e7\u00f5es sobre o servi\u00e7o das contribui\u00e7\u00f5es destinadas aos santos da Jud\u00e9ia; mais uma vez defende a sua autoridade apost\u00f3lica. Da Maced\u00f4nia seguiu para Corinto, onde foi passar o inverno do ano 57-58. Durante a sua estada, completou o servi\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o e regulou a disciplina da igreja. Foi ainda memor\u00e1vel a visita que ele fez a Corinto, porque nessa ocasi\u00e3o \u00e9 que ele escreveu a ep\u00edstola aos romanos, em que exp\u00f5e com toda a Clareza a doutrina referente \u00e0 salva\u00e7\u00e3o da alma. Evidentemente, considerava a cidade de Roma como o ponto culminante de suas opera\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o podia ir j\u00e1, porque tinha necessidade de voltar a Jerusal\u00e9m para levar as ofertas das igrejas dos gentios \u00e0 igreja m\u00e3e. O trabalho crist\u00e3o J\u00e1 havia sido iniciado em Roma, e continuava a ser feito pelos amigos de Paulo,\u00a0<span class=\"vs\">Romanos 16<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Enviou a ep\u00edstola escrita em Corinto para que os crist\u00e3os da capital possu\u00edssem instru\u00e7\u00f5es completas sobre o Evangelho que ele pregava em todo o mundo. Agora inicia a sua \u00faltima viagem a Jerusal\u00e9m, acompanhada de amigos, representantes das v\u00e1rias igrejas dos gentios,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:4<\/span>. O trabalho do ap\u00f3stolo entre os gentios sofreu grande oposi\u00e7\u00e3o da parte dos judeus e at\u00e9 mesmo de crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo que tentavam desprestigi\u00e1-lo. Resultou da\u00ed o plano de provar a lealdade das igrejas dos gentios, induzindo-as a enviar ofertas liberais aos pobres da Jud\u00e9ia. Foi para este fim que ele e seus amigos sa\u00edram de Corinto com destino a Jerusal\u00e9m. O seu primitivo plano era de navegar diretamente para a S\u00edria, mas uma conspira\u00e7\u00e3o dos judeus, o obrigou a voltar pela Maced\u00f4nia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:3<\/span>. Demorou-se em Filipos enquanto que seus companheiros caminhavam para Tr\u00f4ade. Depois da festa da p\u00e1scoa ele e Lucas foram para Tr\u00f4ade,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:5<\/span>, onde os companheiros o esperavam e onde se demoraram sete dias,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:6<\/span>. Havia l\u00e1 uma igreja. Lucas d\u00e1-nos interessante not\u00edcia do que se passou nas v\u00e9speras da partida do ap\u00f3stolo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:7-12<\/span>. De Tr\u00f4ade caminhou Paulo para Ass\u00f4s que ficava distante cerca de vinte milhas, para onde haviam embarcado seus companheiros,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:13<\/span>. Deste porto, navegaram para Mitilene, que ficava na costa oriental da ilha de Lesbos, e costeando pela banda do sul, passaram entre a terra firme e a ilha de Quios; no dia seguinte aportaram em Samos e no outro, chegaram a Mileto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:14-15<\/span>. Esta cidade estava a 36 milhas de \u00c9feso, e, como Paulo tivesse pressa, resolveu n\u00e3o ir l\u00e1, e, por isso, mandou chamar os presb\u00edteros da igreja. Em Mileto fez as suas despedidas de modo muito emocionante, como se l\u00ea em\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:18-35<\/span>. N\u00e3o havia palavras capazes de exprimir mais vivamente a dedica\u00e7\u00e3o pela sua obra e o amor que votava a seus irm\u00e3os convertidos. Partindo de Mileto, o navio seguiu diretamente a C\u00f3s,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:1<\/span>, nome de uma ilha situada a 40 milhas para o sul; no seguinte dia, chegaram a Rodes, distante 50 milhas de C\u00f3s; de Rodes passaram a P\u00e1tara, nas costas da L\u00edcia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:1<\/span>. Encontrando um navio que passava \u00e0 Fen\u00edcia, entraram nele, e fizeram-se \u00e0 vela. Depois de estarem \u00e0 vista de Chipre deixando-a a esquerda, chegaram a Tiro,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:3<\/span>, onde se demoraram sete dias. Inspirados pelo Esp\u00edrito Santo, os disc\u00edpulos instavam com Paulo para n\u00e3o ir a Jerusal\u00e9m,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:4<\/span>. Depois de uma afetuosa despedida, partiram para Ptolemaida, que hoje se chama Acre,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:5-6<\/span>, e no seguinte dia chegaram a Cesar\u00e9ia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:7-8<\/span>, aboletando-se em casa de Filipe, o evangelista. Aqui tamb\u00e9m o profeta \u00c1gabo, que tempo antes havia profetizado a fome,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 11:28<\/span>, tomando a cinta de Paulo, e atando-se os p\u00e9s e as m\u00e3os, disse: &#8220;Assim atar\u00e3o os judeus em Jerusal\u00e9m, ao dono deste cinto e o entregar\u00e3o nas m\u00e3os dos gentios&#8221;. A despeito destas alarmantes predi\u00e7\u00f5es e das l\u00e1grimas dos irm\u00e3os, ele seguiu viagem,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:11-14<\/span>, acompanhado dos irm\u00e3os, e assim terminou a terceira viagem mission\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Em breve se cumpriram as palavras de \u00c1gabo. A princ\u00edpio foi bem recebido pelos irm\u00e3os. No seguinte dia \u00e0 sua chegada, foi \u00e0 casa de Tiago, irm\u00e3o do Senhor, onde se haviam congregado os anci\u00e3os, aos quais contou todas as cousas que Deus tinha feito entre os gentios por seu minist\u00e9rio. Ouvindo isto, engrandeceram a Deus. Ao mesmo tempo disseram-lhe os irm\u00e3os que muitos dos judeus que estavam entre os gentios, haviam dado m\u00e1s not\u00edcias a seu respeito, que punham em d\u00favida a sua fidelidade \u00e0s leis de Mois\u00e9s. Era necess\u00e1rio, pois, que ele desse provas vis\u00edveis que o justificassem. Aconselharam-no a que tomasse consigo a quatro var\u00f5es que tinham voto sobre si, que os levasse ao templo, que se santificasse com eles e fizesse as despesas da cerim\u00f4nia. A isto Paulo acedeu de bom grado porque era seu desejo agradar aos judeus. A cerim\u00f4nia era pouco mais do que a que havia feito em Corinto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 18:18<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Conquanto o ap\u00f3stolo insistisse em que os gentios n\u00e3o eram obrigados \u00e0s cerim\u00f4nias judaicas, e nenhum dos crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo n\u00e3o mais estava na obriga\u00e7\u00e3o de observ\u00e1-las, ele, contudo reserva-se o direito de praticar, ou n\u00e3o, certas cerim\u00f4nias de acordo com as circunst\u00e2ncias. Este ato, portanto, n\u00e3o era inconsistente com o seu proceder em outras ocasi\u00f5es. Mas o expediente tomado n\u00e3o surtiu efeito. Certos judeus da \u00c1sia o viram no templo e deram alarma. Acusaram-no de haver introduzido gentios no templo, amotinaram todo o povo dizendo que havia profanado o lugar santo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 21:27-29<\/span>. Seguiu-se um tumulto. O povo arrastou a Paulo para fora do templo e o teriam assassinado, se o tribuno Cl\u00e1udio L\u00edsias n\u00e3o tivesse corrido para o lugar do conflito, arrebatando a Paulo das m\u00e3os do povo e fazendo-o liar com cadeias o meteu na pris\u00e3o. Paulo, com permiss\u00e3o do tribuno, pondo-se em p\u00e9 sobre os degraus, fez sinal ao povo com a m\u00e3o, para falar. O tribuno pensou a princ\u00edpio que ele era certo eg\u00edpcio que tempo antes havia dado muito trabalho ao governo. Quando Paulo contou que era judeu de Tarso, consentiu que falasse ao povo, o que ele fez em l\u00edngua hebraica,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 22:2<\/span>. Contou a hist\u00f3ria do seu nascimento, da sua vida e da sua convers\u00e3o, at\u00e9 ao ponto em que falou em na\u00e7\u00f5es de longe, quando romperam em gritos para que o matassem. Neste ponto o tribuno o mandou recolher \u00e0 cidadela, e que o a\u00e7oitassem e lhe dessem tormento. Tendo-o liado com umas correias, disse Paulo a um centuri\u00e3o:\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;\u00c9-vos permitido a\u00e7oitar um cidad\u00e3o romano e que n\u00e3o foi condenado?&#8221;,\u00a0Atos 22:25<\/span>. Sabendo disto, L\u00edsias, o mandou desatar, ordenando que e conselho dos sacerdotes tomasse conhecimento do caso. O comparecimento de Paulo perante o conselho provocou novo tumulto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 23:1-10<\/span>. O ap\u00f3stolo estava agora defendendo a vida, n\u00e3o podia esperar justi\u00e7a. Se fosse condenado, o tribuno L\u00edsias o entregaria para ser executado. Com muita habilidade dividiu a opini\u00e3o de seus inimigos; dizendo que professava ser fariseu, e queriam conden\u00e1-lo por pregar a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Isto era verdade e, at\u00e9 certo ponto, prestava-se aos fins em vista. O \u00f3dio entre fariseus e saduceus era mais forte do que os dois juntos contra Paulo.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">As duas seitas tomaram posi\u00e7\u00f5es opostas. O tribuno, receando que Paulo fosse trucidado entre as duas fac\u00e7\u00f5es, mandou que os soldados o arrebatassem das m\u00e3os da multid\u00e3o e o metessem na pris\u00e3o. Naquela noite, o Senhor apareceu a Paulo em vis\u00e3o, dizendo-lhe:\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;Coragem! porque assim como deste testemunho em Jerusal\u00e9m assim importa que tamb\u00e9m o d\u00eas em Roma&#8221;,\u00a0Atos 23:11<\/span>. A morte de Paulo estava decretada devendo efetuar-se de modo inesperado. Alguns dos judeus combinaram em pedir ao tribuno que mais uma vez mandasse vir o prisioneiro perante o conc\u00edlio. Um filho da irm\u00e3 de Paulo soube do plano e informou a seu tio, que por sua vez, mandou o pequeno dar not\u00edcia ao tribuno,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 23:12-22<\/span>. Por este motivo, L\u00edsias mandou aprontar forte contingente de tropas para conduzir Paulo a Cesar\u00e9\u00eda, com uma carta ao presidente F\u00e9lix, para que ele resolvesse o caso. Quando F\u00e9lix soube que o acusado era da Cil\u00edcia, determinou que se esperasse a vinda dos acusadores. Entretanto, conservou-o em seguran\u00e7a no pal\u00e1cio de Herodes, que servia de pret\u00f3rio, ou resid\u00eancia do procurador. Passaram-se dois anos de pris\u00e3o em Cesar\u00e9ia. Quando os judeus compareceram perante F\u00e9lix, fizeram uma acusa\u00e7\u00e3o em termos gerais, dizendo que Paulo era sedicioso, que havia profanado o templo, e queixaram-se da viol\u00eancia com que o tribuno L\u00edsias o havia arrebatado das suas m\u00e3os,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 24:1-9<\/span>. A isto, Paulo respondeu com formal nega\u00e7\u00e3o apelando para o testemunho de seus acusadores,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 24:10-21<\/span>. F\u00e9lix estava perfeitamente informado, e sabia que Paulo n\u00e3o havia cometido nenhum crime que merecesse a morte. Despediu os acusadores adiando o julgamento para quando chegasse o tribuno L\u00edsias. E mandou a um centuri\u00e3o que o tivesse em cust\u00f3dia sem tanto aperto e sem proibir que os seus o servissem.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Passados alguns dias, vindo F\u00e9lix com sua mulher Drusila, que era judia, mandou chamar a Paulo e o esteve ouvindo falar da f\u00e9 que h\u00e1 em Jesus Cristo,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 24:24<\/span>. O ap\u00f3stolo parece ter exercido estranha fascina\u00e7\u00e3o sobre o procurador que tremeu na sua presen\u00e7a, prometendo ouvi-lo de novo quando tivesse tempo. Esperava tamb\u00e9m que Paulo lhe desse algum dinheiro em troca de sua liberdade,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 25:26<\/span>. O ap\u00f3stolo n\u00e3o quis subornar o procurador, que adiou o julgamento. Dois anos depois, veio P\u00f3rcio Festo substitu\u00ed-lo no governo, e Paulo ainda estava na pris\u00e3o,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 25:27<\/span>. Os judeus esperavam que o novo governador lhes fosse mais favor\u00e1vel do que o tinha sido F\u00e9lix. Festo recusou-se a enviar Paulo a Jerusal\u00e9m para ser julgado; que estando preso em Cesar\u00e9ia partiria para l\u00e1 dentro de poucos dias, a fim de tomar conhecimento das acusa\u00e7\u00f5es,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 25:1-6<\/span>. Ainda desta vez nada puderam provar. Paulo continuava afirmando a sua inoc\u00eancia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 25:7-8<\/span>. Festo, querendo agradar aos judeus, perguntou a Paulo se queria ser julgado em Jerusal\u00e9m. Sabendo que a sua vida corria perigo se fosse ali julgado, serviu-se de seus privil\u00e9gios de cidad\u00e3o romano e apelou para C\u00e9sar,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 25:9-11<\/span>. Por este modo o julgamento escapou das m\u00e3os do procurador, e o prisioneiro tinha de ser remetido para Roma. Antes da sa\u00edda de Paulo, Agripa II e sua irm\u00e3 Berenice vieram visitar a Festo talvez por motivo de sua nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">O novo procurador que n\u00e3o era muito versado em controv\u00e9rsias judaicas, e como tinha de enviar ao imperador um relat\u00f3rio de informa\u00e7\u00f5es sobre o caso, contou a Agripa o caso de Paulo. Por sua vez, o rei mostrou desejos de saber o que o prisioneiro dizia em defesa. Arranjaram-se as cousas de modo que Paulo comparecesse a uma assembleia destas not\u00e1veis personagens. Agripa era versado em casos de doutrina e poderia servir de muito para instruir o relat\u00f3rio que o procurador tinha de mandar para Roma,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 25:12-27<\/span>. A defesa de Paulo perante o rei Agripa, \u00e9 um dos seus mais not\u00e1veis discursos. Nele revela as qualidades de homem de elevada educa\u00e7\u00e3o, a eloqu\u00eancia de orador e firmeza de crist\u00e3o. Passa revista ao seu passado a fim de provar que em todos os seus atos procurou sempre servir a Deus, e que a sua carreira como crist\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 obedecia a uma dire\u00e7\u00e3o divina, como ao cumprimento das profecias,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:1-23<\/span>. Quando Festo o interrompeu, exclamando:\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;Tu est\u00e1s louco, Paulo&#8221;<\/span>, apelou energicamente para Agripa. Por\u00e9m o rei estava disposto a ser simples observador e cr\u00edtico do que ele julgava ser um novo fanatismo, e respondeu com uma frase de desprezo:\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;Por pouco me persuades a me fazer crist\u00e3o&#8221;,\u00a0Atos 26:28<\/span>. Contudo estava convencido de que Paulo n\u00e3o tinha crime e que poderia ser posto em liberdade se n\u00e3o tivesse apelado para C\u00e9sar,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:31-32<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">No outono do mesmo ano 60, Paulo foi enviado para Roma, confiado juntamente com outros presos ao cuidado de um centuri\u00e3o chamado J\u00falio, da coorte Augusta. Lucas foi seu companheiro juntamente com Aristarco de Tessal\u00f4nica,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 27:1-2<\/span>. Lucas \u00e9 quem d\u00e1 o relat\u00f3rio desta viagem com min\u00facias muito particulares e admir\u00e1vel exatid\u00e3o. Veja James Smith, Voyage and Shipwreck of St. Paul. O ap\u00f3stolo foi tratado com muita cortesia pelo centuri\u00e3o. Embarcando em um navio de Adrumete, chegaram a Sidom, donde partiram para a Mirra na L\u00edcia. E achando ali o centuri\u00e3o um navio de Alexandria que fazia viagem para a It\u00e1lia, embarcaram nele. Os ventos n\u00e3o eram favor\u00e1veis, e por isso foram obrigados a navegar lentamente e apenas puderam avistar a Cnido na costa da C\u00e1ria. Tomando o rumo sul, foram costeando a ilha de Creta, junto a Salmona com dificuldade ao longo da costa, abordaram a um lugar a que chamam Bons Portos,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 27:3-8<\/span>. Havia passado o jejum do d\u00e9cimo dia do m\u00eas de Tisri, o dia da expia\u00e7\u00e3o\u00a0<span class=\"vs\">Atos 27:9<\/span>, quando chegaram ao termo da viagem. O tempo continuava amea\u00e7ador. Paulo mostrou a inconveni\u00eancia de continuar a viagem, mas o centuri\u00e3o deu mais cr\u00e9dito ao mestre e ao comandante do navio que eram contr\u00e1rios e desejavam chegar a F\u00eanix e invernar ali por ser porto de Creta, onde havia bom ancoradouro,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 27:9-12<\/span>. Mas logo que largaram de Bons Portos veio contra a ilha um tuf\u00e3o e vento, chamado Euro-aquil\u00e3o, que arrojou a nau para o sul, indo dar a uma pequena Clauda (a moderna Gozzo). Alijada que foi a carga, e os aparelhos do navio, correram assim durante catorze dias \u00e0 merc\u00ea dos ventos para os lados do ocidente. Paulo mostrava-se animado e animava os companheiros, porque o Senhor lhe havia revelado em sonhos que nenhum deles havia de perecer,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 27:13-26<\/span>. Lan\u00e7ando eles a sonda, perceberam que estavam perto de terra, e, lan\u00e7ando as quatro \u00e2ncoras, esperavam que viesse o dia. Como tivesse aclarado o dia, n\u00e3o conheceram a terra: somente viram uma enseada que tinha ribeira, na qual intentavam encalhar o navio. Pelo que, tendo levantado \u00e2ncoras, se entregaram ao mar, e se encaminharam \u00e0 praia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 27:27-40<\/span>. O navio deu numa l\u00edngua de terra; a proa afincada permanecia im\u00f3vel, ao mesmo tempo em que a popa se abria com a for\u00e7a do mar. Todos se lan\u00e7aram \u00e0s ondas; e, como Paulo havia dito, nenhum deles pereceu,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 27:41-44<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Nesta emocionante aventura, que Lucas descreve com tanta min\u00facia, o proceder de Paulo ilustra muito bem a coragem de um crist\u00e3o e a influ\u00eancia que um homem de f\u00e9 exerce sobre os outros indiv\u00edduos, em tempos de perigo. A terra a que haviam chegado era a ilha de Melita, que hoje se apelida Malta, situada a 58 milhas ao sul da Sic\u00edlia, cujos habitantes receberam os n\u00e1ufragos com muita cordialidade. O procedimento maravilhoso de Paulo ganhou para ele multa honra e simpatia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:1-10<\/span>. Tr\u00eas meses depois, embarcaram em um navio de Alexandria que tinha invernado na ilha, no qual arribaram em Siracusa, onde ficaram tr\u00eas dias. De l\u00e1, correndo a costa, foram a R\u00e9gio, e depois dias mais, apartaram a Pot\u00e9oli, a sudoeste da It\u00e1lia. Ali, Paulo encontrou irm\u00e3os em cuja companhia se demorou sete dias,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:11-14<\/span>. Entretanto a not\u00edcia chegou a Roma. Os irm\u00e3os vieram encontr\u00e1-lo \u00e0 Pra\u00e7a de \u00c1pio e \u00e0s Tr\u00eas Vendas, nomes de dois lugares distantes de Roma, 43 e 33 milhas, respectivamente. O centuri\u00e3o entregou os prisioneiros ao capit\u00e3o da guarda, que era o prefeito da guarda pretoriana, cargo este exercido nesta ocasi\u00e3o, a.D. 61, pelo c\u00e9lebre Burro. Mommsen e Ramsay pensam que os prisioneiros foram entregues ao capit\u00e3o de outro corpo a que o centuri\u00e3o J\u00falio pertencia, cujo of\u00edcio consistia em superintender o transporte dos cereais para a capital e outros encargos policiais. Realmente n\u00e3o sabemos quem foi que tomou sobre si a guarda de Paulo. O que se pode dizer \u00e9 que ele ficou sob a guarda de um soldado com licen\u00e7a de habitar onde quisesse,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:16; Filipenses 1:7, 13<\/span>. As apela\u00e7\u00f5es para C\u00e9sar eram atendidas com muita morosidade. Dois anos inteiros permaneceu Paulo em um aposento que alugara, onde recebia a todos que o queriam ver,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:30<\/span>. E assim termina a narrativa da primeira deten\u00e7\u00e3o de Paulo em Roma. Os Atos dos Ap\u00f3stolos concluem dizendo que, passados tr\u00eas dias, convocou Paulo os principais dos judeus para inform\u00e1-los dos motivos de sua pris\u00e3o na capital, tendo-lhe aprazado dia para dar testemunho do Reino de Deus, convencendo-os a respeito de Jesus, pela lei de Mois\u00e9s e pelos profetas, desde pela manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0 tarde. Como n\u00e3o o quisessem crer, declarou mais uma vez que aos Gentios era enviada esta salva\u00e7\u00e3o. A pris\u00e3o n\u00e3o o impedia de exercer a sua atividade mission\u00e1ria,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:17-31<\/span>. As ep\u00edstolas que ele escreveu neste per\u00edodo iluminam mais de perto esta faze de sua hist\u00f3ria: s\u00e3o as ep\u00edstolas aos Colossenses, a Filemom, aos Ef\u00e9sios e aos Filipenses.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">As primeiras tr\u00eas foram provavelmente escritas no princ\u00edpio deste per\u00edodo, e a \u00faltima no fim. Por elas se v\u00ea que o ap\u00f3stolo tinha muitos amigos fi\u00e9is em Roma trabalhando com ele, entre os quais se contam: Tim\u00f3teo,\u00a0<span class=\"vs\">Colossenses 1:1; Filipenses 1:1; 2:19; Filemom 1:1<\/span>; T\u00edquico,\u00a0<span class=\"vs\">Ef\u00e9sios 6:21; Colossenses 4:7<\/span>; Aristarco,\u00a0<span class=\"vs\">Colossenses 4:7, 10; Filemom 24<\/span>; Jo\u00e3o Marcos,\u00a0<span class=\"vs\">Colossenses 4:10; Filemom 24<\/span>, e Lucas,\u00a0<span class=\"vs\">Colossenses 4:14; Filemom 24<\/span>. Estes amigos tinham livre acesso \u00e0 sua pessoa e operavam como mensageiros para as igrejas e como cooperadores em Roma. Paulo na pris\u00e3o era o centro de onde irradiava a luz do Evangelho para todo o imp\u00e9rio. As ep\u00edstolas citadas p\u00f5em em relevo a atividade pessoal do eminente ap\u00f3stolo. Com grande zelo e apreci\u00e1veis resultados, apesar das suas cadeias, pregava o Evangelho: estando em cadeias fazia o of\u00edcio de embaixador,\u00a0<span class=\"vs\">Ef\u00e9sios 6:20<\/span>. Pedia a seus amigos que orassem a Deus para que se lhe abrisse a porta da palavra para anunciar o mist\u00e9rio de Cristo,\u00a0<span class=\"vs\">Colossenses 4:3<\/span>. Em On\u00e9simo, escravo fugido, vemos um exemplo vivo do fruto de seu trabalho,\u00a0<span class=\"vs\">Filemom 10<\/span>. \u00c0 medida que o tempo corria, aumentava tamb\u00e9m o seu trabalho. Escreveu aos\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 1:12-13<\/span>, que todas as cousas que lhe tinham acontecido haviam contribu\u00eddo para proveito do Evangelho, de maneira que as suas pris\u00f5es se tinham feito not\u00edcias em Cristo por toda a corte do Imperador e em todos os outros lugares. Enviou sauda\u00e7\u00f5es dos que eram da fam\u00edlia de C\u00e9sar. Ao mesmo tempo sofria oposi\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo de alguns dos crentes, provavelmente do tipo judaico,\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 1:15-18<\/span>, e que ele enfrentava com \u00e2nimo sereno, esperando ser em breve livre das pris\u00f5es,\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 1:25; 2:17, 24; Filemom 22<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">A deten\u00e7\u00e3o de Paulo serviu nas m\u00e3os de Deus para habilit\u00e1-lo a exercer com mais precis\u00e3o o of\u00edcio de embaixador de Cristo. Finalmente, as ep\u00edstolas provam que o ap\u00f3stolo superintendia a todas as igrejas espalhadas pelo territ\u00f3rio do grande imp\u00e9rio. Na \u00c1sia surgiram novas heresias. Nas ep\u00edstolas que escreveu na pris\u00e3o, forneceu as mais preciosas instru\u00e7\u00f5es acerca da pessoa de Cristo e dos eternos prop\u00f3sitos de Deus revelados no Evangelho, e ao mesmo tempo as dire\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que elas cont\u00e9m descobrem a largueza do c\u00edrculo em que exercia a sua atividade, e o fervor de sua vida crist\u00e3.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">O livro dos Atos termina deixando a Paulo na pris\u00e3o em Roma. Existem abundante provas que nos levam a crer que ao cabo de dois anos foi solto, continuando as suas viagens mission\u00e1rias. As provas referidas podem ser condensadas da seguinte forma:-<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Primeiro: Os vers\u00edculos finais dos Atos acomodam-se melhor com esta ideia, do que pensando que a pris\u00e3o do ap\u00f3stolo terminou pela condena\u00e7\u00e3o e morte. Lucas d\u00e1 relevo ao fato de que o ap\u00f3stolo pregava o Reino de Deus e ensinava as cousas concernentes ao Senhor Jesus Cristo com toda a liberdade e sem proibi\u00e7\u00e3o, dando-nos a entender que o fim de sua atividade n\u00e3o estava pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Segundo: Na ep\u00edstola aos\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 1:25; 2:17, 24<\/span>, em\u00a0<span class=\"vs\">Filemom 22<\/span>, diz claramente que cedo ficaria livre. Esta esperan\u00e7a encontra apoio no tratamento que havia recebido dos oficiais romanos. Deve-se notar que as persegui\u00e7\u00f5es de Nero contra os crist\u00e3os ainda n\u00e3o haviam come\u00e7ado; que se o ap\u00f3stolo fosse condenado, seria um ato sem precedentes nas rela\u00e7\u00f5es do governo com os crist\u00e3os; que em face das leis do imp\u00e9rio, sendo os crist\u00e3os tidos como seita judaica, eram garantidos no exerc\u00edcio de suas cren\u00e7as. \u00c9 prov\u00e1vel tamb\u00e9m que na acusa\u00e7\u00e3o contra Paulo entrasse algum crime contra as leis romanas. Contudo, o relat\u00f3rio enviado por Festo nada continha que o desabonasse,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 26:31<\/span>, nem parece que os judeus tivessem mandado algum acusador a Roma,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:21<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Terceiro: Afirma a tradi\u00e7\u00e3o que Paulo foi solto e reassumiu a sua atividade mission\u00e1ria sendo mais tarde novamente preso. Clemente de Alexandria a.D. 96, d\u00e1 a entender claramente que o ap\u00f3stolo chegou a ir \u00e0 Espanha, quando diz que em suas viagens\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;chegou ao extremo ocidente&#8221;<\/span>. Este fato \u00e9 confirmado pelo Fragmento Murat\u00f3rio, a.D. 170. Com isto concorda a hist\u00f3ria de Euz\u00e9bio, a.D. 324, onde se diz que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o comum, depois que Paulo saiu da pris\u00e3o, tendo feito a sua defesa, se entregou de novo ao minist\u00e9rio da prega\u00e7\u00e3o, e mais uma vez foi a Roma, onde sofreu o mart\u00edrio. \u00c9 admiss\u00edvel que esta evid\u00eancia tradicional n\u00e3o seja suficientemente forte para uma demonstra\u00e7\u00e3o absolutamente exata; por\u00e9m, pertence a uma \u00e9poca remota e \u00e9 em si mesma bastante forte para confirmar a evid\u00eancia contra a qual n\u00e3o se pode opor nenhuma outra.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Quarto: Ningu\u00e9m pode contestar que as ep\u00edstolas a Tim\u00f3teo e a Tito n\u00e3o sejam genu\u00ednas em raz\u00e3o da evid\u00eancia interna e externa a seu favor. Ora, nenhuma delas \u00e9 mencionada na hist\u00f3ria de Paulo, como a d\u00e1 o livro de Atos. Logo, devem pertencer a uma \u00e9poca posterior, o que nos leva a aceitar a tradi\u00e7\u00e3o referida por Euz\u00e9bio. Devemos, pois, acreditar que o apelo feito do tribunal de Festo para o de C\u00e9sar, deu em resultado a sua liberdade.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Os trabalhos subsequentes somente poder\u00e3o ser avaliados pelas alus\u00f5es que se encontram nas ep\u00edstolas a Tim\u00f3teo e a Tito e pelo testemunho da tradi\u00e7\u00e3o. Podemos supor que depois de solto, seguiu para a \u00c1sia e Maced\u00f4nia como desejava,\u00a0<span class=\"vs\">Filipenses 2:24; Filemom 22<\/span>. Pelo que se l\u00ea, era\u00a0<span class=\"vs\">I Tim\u00f3teo 1:3<\/span>, sabe-se que ele deixou a Tim\u00f3teo encarregado de cuidar das igrejas em \u00c9feso, indo para a Maced\u00f4nia. Onde se achava, quando escreveu a sua primeira carta a Tim\u00f3teo, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil saber, mas ele esperava regressar brevemente a \u00c9feso,\u00a0<span class=\"vs\">I Tim\u00f3teo 3:14<\/span>. Pela carta a Tito, sabe-se que havia confiado a ele o cuidado das igrejas de Creta e que esperava passar o inverno em Nic\u00f3polis,\u00a0<span class=\"vs\">Tito 3:12<\/span>. Havia tr\u00eas cidades com este nome, a que se pode aplicar esta refer\u00eancia, uma na Tr\u00e1cia perto de Maced\u00f4nia, outra na Cil\u00edcia e a terceira, no Epiro; de modo que n\u00e3o podemos dizer a qual delas se refere o ap\u00f3stolo. \u00c9 prov\u00e1vel, por\u00e9m, que fosse a do Epiro. Se aceitarmos o que diz a tradi\u00e7\u00e3o sobre a ida de Paulo \u00e0 Espanha, \u00e9 l\u00edcito supor que s\u00f3 poderia ser depois de haver estado na \u00c1sia e na Maced\u00f4nia; e que, depois de regressar da Espanha, \u00e9 que ele se demorou em Creta, onde deixou a Tito, voltando para a \u00c1sia, de onde provavelmente escreveu a carta a Tito. Sabe-se mais pela leitura em\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo, 4:20<\/span>, que ele passou pela cidade de Corinto e por Mileto, uma na Gr\u00e9cia e outra na \u00c1sia. Ignora-se se realizou o intento de invernar em Nic\u00f3polis. Muitos s\u00e3o de parecer que ele seguiu para Nic\u00f3polis do Epiro e que ali foi novamente preso e enviado para Roma. Apesar de serem muito incertos os movimentos do ap\u00f3stolo durante o final de sua exist\u00eancia, as ep\u00edstolas neste per\u00edodo, dizem o bastante para sabermos que empregava a sua atividade, evangelizando novas regi\u00f5es e fundando igrejas nos moldes das j\u00e1 existentes, perfeitamente organizadas. Sabia que pouco lhe restava de vida e que as igrejas ficariam expostas a novos perigos, tanto internos como externos. Daqui vem que as ep\u00edstolas pastorais, como s\u00e3o chamadas, serviam de ve\u00edculo para levar \u00e0s igrejas as instru\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas necess\u00e1rias \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de sua f\u00e9 e equipando-as praticamente para a obra do futuro.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">O livramento de Paulo, quando foi preso a primeira vez, deu-se pelo ano 63; a sua subsequente atividade durou quatro anos. Segundo Euz\u00e9bio a morte de Paulo deu-se no ano 67, e segundo Jer\u00f4nimo, no ano 68. Qual foi o motivo de ser outra vez preso n\u00e3o se sabe. Na II segunda ep\u00edstola a Tim\u00f3teo, escrita de Roma pouco antes de morrer, encontram-se alguns ind\u00edcios. Devemos recordar que a persegui\u00e7\u00e3o de Nero aos crist\u00e3os explodiu no ano 64, seguida de outras em v\u00e1rias prov\u00edncias do imp\u00e9rio,\u00a0<span class=\"vs\">I Pedro 4:33,19<\/span>. Pode bem ser, como alguns presumem, que o ap\u00f3stolo foi apontado como o chefe da nova seita pelo Alexandre por ele mencionado na carta a Tim\u00f3teo,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 4:14<\/span>. Seja como for, foi preso e remetido para Roma a fim de ser julgado, ou por que tenha apelado para C\u00e9sar, como fez antes, ou por ser acusado de algum crime cometido na It\u00e1lia, talvez de cumplicidade no inc\u00eandio de Roma ou ainda por causa da oficiosidade de algum procurador provincial que desejava gratificar a vaidade do tirano, enviando-lhe t\u00e3o preciosa presa. Somente o seu amigo Lucas se achava com ele, quando escreveu a carta a Tim\u00f3teo,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 4:11<\/span>. Alguns o haviam abandonado,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 1:15; 4:10, 16<\/span>\u00a0e outros se haviam ausentado para lugares diferentes,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 10:12<\/span>. A primeira vez que compareceu ao tribunal, foi absolvido,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 10:17<\/span>, continuando na pris\u00e3o por algum motivo diferente. Quem sabe se, tendo sido absolvido por algum crime, ficou na pris\u00e3o por ser crist\u00e3o. Fala de si como prisioneiro,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 1:8<\/span>, e em cadeias,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 1:16<\/span>, como malfeitor,\u00a0<span class=\"vs\">II im\u00f3teo 2:9<\/span>, e estava a ponto de ser sacrificado,\u00a0<span class=\"vs\">II Tim\u00f3teo 4-6-8<\/span>. \u00c9 certo que afinal foi condenado \u00e0 morte simplesmente por ser crist\u00e3o, de acordo com a pol\u00edtica de Nero iniciada no ano 64. Diz a tradi\u00e7\u00e3o que foi decapitado, sendo cidad\u00e3o romano, na via \u00d3stia.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Dando o esbo\u00e7o biogr\u00e1fico do ap\u00f3stolo, referimo-nos ao testemunho dos Atos e das ep\u00edstolas. N\u00e3o devemos contudo, ignorar que muitos outros fatos se deram durante a sua carreira ativa e fecunda. A alguns destes fatos, encontram-se alus\u00f5es em v\u00e1rias ep\u00edstolas,\u00a0<span class=\"vs\">Romanos 15:18-19; II Cor\u00edntios 11:24-33<\/span>. Os fatos bem averiguados da sua vida, conforme o testemunho das ep\u00edstolas, revelam claramente o car\u00e1ter do grande ap\u00f3stolo e o valor supremo de sua obra. \u00c9 dif\u00edcil esbo\u00e7ar todas as linhas de seu car\u00e1ter vers\u00e1til.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Era por natureza intensamente religioso: a sua natureza obedecia inteiramente a esta influ\u00eancia quando fariseu, e muito mais depois da sua convers\u00e3o. Dotado de alto vigor intelectual, apreendia todo o valor da verdade e logicamente obedecia a todas as suas injun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">A verdade dominava-lhe o cora\u00e7\u00e3o e a mente. As emo\u00e7\u00f5es que ele produzia eram t\u00e3o ardentes quanto vigorosos os processos l\u00f3gicos de seu racioc\u00ednio. Ao mesmo tempo, os aspectos pr\u00e1ticos da verdade, ele os via com a mesma nitidez como o seu te\u00f3rico. Se por um lado tirava conclus\u00f5es l\u00f3gicas das suas id\u00e9ias doutrinais, por outro, aplicava o Cristianismo \u00e0 vida pr\u00e1tica com a sabedoria e compreens\u00e3o de um homem de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Era intensamente afetivo e \u00e0s vezes est\u00e1tico em suas experi\u00eancias religiosas, sempre progressivo nas suas exposi\u00e7\u00f5es da verdade, capaz de remontar-se \u00e0s mais elevadas culmin\u00e2ncias do pensamento religioso e de vida e movimento \u00e0 verdade pela qual se batia.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">A flexibilidade de car\u00e1ter, a intensidade de esp\u00edrito, a pureza de sentimentos, a vida espiritual, o vigor mental, dotes estes governados pelo esp\u00edrito de Deus, habilitaram o ap\u00f3stolo para a obra que a Provid\u00eancia Divina lhe havia destinado.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Esta obra consistia em interpretar ao mundo gent\u00edlico por meio da palavra e escrita, e por atos sobrenaturais, a miss\u00e3o de Cristo e a mensagem de salva\u00e7\u00e3o que ele trouxe. O modo pr\u00e1tico de realizar esta obra encontra-se bem descrito nos Atos dos Ap\u00f3stolos. Por meio de sua a\u00e7\u00e3o inteligente, estabeleceu-se no mundo a catolicidade do Cristianismo, independente do ritualismo judaico e adapt\u00e1vel a todo o g\u00eanero humano, como bem o confirma a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Outros obreiros colaboraram neste mesmo trabalho, por\u00e9m s\u00f3 ao ap\u00f3stolo Paulo foi divinamente confiada esta miss\u00e3o especial; a ele, mas do que a qualquer outro se devem \u00e0s conquistas do Evangelho. \u00c9 verdade que tudo isto se efetuou de acordo com os prop\u00f3sitos divinos. Mas os que estudam a hist\u00f3ria do Cristianismo devem reconhecer na pessoa de Paulo o agente desta grande obra.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Por outro lado, as ep\u00edstolas de Paulo exp\u00f5em de modo claro a palavra do Cristo, d\u00e3o-nos a interpreta\u00e7\u00e3o doutrinal e \u00e9tica das doutrinas e das obras por ele realizadas e a que serviram ao grande ap\u00f3stolo para auxili\u00e1-lo no exerc\u00edcio de sua grande atividade; sem isto, o Cristianismo n\u00e3o teria exist\u00eancia permanente nem exerceria t\u00e3o profunda influ\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">\u00c9, pois, ao ap\u00f3stolo das gentes que devemos admirar como grande te\u00f3logo. A sua teologia reflete a experi\u00eancia peculiar de sua convers\u00e3o. Por meio da repentina transi\u00e7\u00e3o que se operou na sua vida religiosa, chegou a conhecer que era imposs\u00edvel salvar-se por si mesmo, e que o pecador depende exclusivamente da gra\u00e7a soberana de Deus, e da obra redentora de Jesus, o Filho de Deus, por meio de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Segue-se da\u00ed que, somente pela uni\u00e3o com Cristo por meio da f\u00e9, \u00e9 que o pecador poder\u00e1 ser salvo. A salva\u00e7\u00e3o consiste na justifica\u00e7\u00e3o do pecador que s\u00f3 Deus faz, baseada na obedi\u00eancia de Cristo, participando de todos os benef\u00edcios espirituais, tanto internos como externos, no c\u00e9u e na terra, adquiridos para ele. O Esp\u00edrito Santo deu a Paulo intui\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para lan\u00e7ar como fundamento de todo o seu trabalho, a verdade e a pessoa de Cristo.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Nas ep\u00edstolas aos G\u00e1latas e aos Romanos, o meio de salva\u00e7\u00e3o acha-se plenamente elaborado, nas ep\u00edstolas que escreveu nas pris\u00f5es, encontram-se a exalta\u00e7\u00e3o da dignidade de Cristo e a inteira e completa demonstra\u00e7\u00e3o dos fins e prop\u00f3sitos divinos em refer\u00eancias \u00e0 igreja de Cristo. Al\u00e9m destes assuntos fundamentais, ele tra\u00e7a as linhas caracter\u00edsticas do dever e da verdade crist\u00e3.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">A sua teoria predileta \u00e9 a que fala da gra\u00e7a, cujas profundezas ilumina; interpreta o Messias hebreu ao mundo gent\u00edlico; ergue-se para explicar a doutrina do Salvador, em que ele creu e a obra redentora por ele realizada. Paulo teve a primazia como professor de teologia, e ao mesmo tempo salientou-se como o mais agressivo de todos os mission\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">\u00c9 imposs\u00edvel compreender o Cristianismo, sem os ensinos e as obras de Cristo e a interpreta\u00e7\u00e3o fornecia pelo ap\u00f3stolo Paulo. Cronologia da vida de Paulo. Conquanto a ordem dos acontecimentos da vida de Paulo e as datas relativas das suas ep\u00edstolas sejam em grande parte bem claras, existem, contudo algumas diverg\u00eancias quanto aos anos em que se deram os fatos e em que foram escritas as ep\u00edstolas.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Nos Atos dos Ap\u00f3stolos existem duas datas rigorosamente exatas, que s\u00e3o a data da ascens\u00e3o de Cristo no ano 30, (posto que alguns dizem que \u00e9 29), e da morte de Herodes Agripa,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 12:23<\/span>, que todos admitem ter sido no ano 44. Contudo nenhuma delas serve para determinar com absoluta certeza a cronologia da vida de Paulo, que depende principalmente de assinalar a data da posse do procurador Festo no governo da Jud\u00e9ia. Segundo a opini\u00e3o mais geralmente aceita, que \u00e9 a mais prov\u00e1vel, Festo tomou posse do governo no ano 60,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 24:27<\/span>. Josefo diz que quase todos os acontecimentos que se deram na Jud\u00e9ia durante o governo de F\u00e9lix, se efetuaram no reinado de Nero, que come\u00e7ou em outubro do ano 54. Paulo em sua defesa perante F\u00e9lix diz:\u00a0<span class=\"vs\">&#8220;Sabendo que tu \u00e9s juiz desta na\u00e7\u00e3o muitos anos h\u00e1, com bom \u00e2nimo satisfarei por mim&#8221;, Atos 24:10<\/span>. Em vista do que, a pris\u00e3o de Paulo quando compareceu diante de F\u00e9lix, n\u00e3o podia ser antes do ano 58. Paulo esteve dois anos na cadeia de Cesar\u00e9ia, e por isso a substitui\u00e7\u00e3o de F\u00e9lix deveria ter sido no ano 60 e n\u00e3o depois, porque no ano 62 o procurador Festo era substitu\u00eddo por Albio, sendo certo, pois, que ele governou mais de um ano. Se Festo tomou posse do cargo no ano 60, Paulo deveria ter seguido para Roma no outono desse ano, chegando a Roma na primavera do ano seguinte depois de passar o inverno em viagem. Portanto a narrativa final dos Atos e o prov\u00e1vel livramento de Paulo, quando pela primeira vez esteve em Roma devem ser datados do ano 63,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:30<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Os acontecimentos da vida de Paulo, anteriores a esta data, precedem ao governo de Festo come\u00e7ado no ano 60. Sendo assim, a pris\u00e3o de Paulo deu-se no ano 58, dois anos antes,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 24:27<\/span>, isto \u00e9, no fim da terceira viagem mission\u00e1ria. O inverno que precedeu a sua pris\u00e3o, passou-o ele em Corinto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:3<\/span>, e o outono anterior, na Maced\u00f4nia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:2<\/span>, e antes desta \u00e9poca demorou-se tr\u00eas anos em \u00c9feso,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 20:31<\/span>, para onde havia ido, quando deixou Antioquia, depois de uma r\u00e1pida excurs\u00e3o pela Gal\u00e1cia e pela Fr\u00edgia,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:23<\/span>.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Conclui-se pois, que na terceira viagem gastou quatro anos. Se ele foi preso em Jerusal\u00e9m na primavera do ano 58, segue-se que come\u00e7ou esta viagem na primavera do ano 54. A terceira viagem foi iniciada pouco depois da segunda,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:23<\/span>, talvez dois anos e meio, visto que ele se demorou dezoito meses em Corinto,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 28:11<\/span>, e que os fatos precedentes teriam consumido mais um ano,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:36<\/span>\u00a0at\u00e9\u00a0<span class=\"vs\">Atos 17:34<\/span>. Portanto, se a segunda viagem terminou no outono de 53, provavelmente come\u00e7ou na primavera de 51. A segunda viagem come\u00e7ou alguns dias,\u00a0<span class=\"vs\">Atos 15:36<\/span>, depois do concilio de Jerusal\u00e9m que se efetuou no ano 50. A primeira viagem mission\u00e1ria n\u00e3o poderia realizar-se sen\u00e3o entre o ano 44, em que morreu Herodes,\u00a0<span class=\"vs\">Atos cap. 12<\/span>, e o ano 50, em que se deu o conc\u00edlio,\u00a0<span class=\"vs\">Atos cap. 15<\/span>. Poder-se-\u00e1, pois, dar-se o per\u00edodo de 46-48, n\u00e3o sendo prov\u00e1vel que gastasse tanto tempo.<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Para determinar a data da convers\u00e3o de Paulo, precisamos combinar os c\u00e1lculos acima referidos com o que diz a ep\u00edstola aos G\u00e1latas. Diz ele em\u00a0<span class=\"vs\">Atos 2:1<\/span>: &#8220;Catorze anos depois subi dali, outra vez a Jerusal\u00e9m com Barnab\u00e9&#8221;. Esta visita n\u00e3o pode ser outra sen\u00e3o a que ele fez para assistir ao conc\u00edlio no ano 50. Mas desde quando come\u00e7ou ele a contar estes catorze anos? Segundo alguns comentadores, devem ser calculados desde a data de sua convers\u00e3o, mencionada em\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 1:15<\/span>, no ano 36 ou 37, segundo o modo de contar os catorze anos, incluindo ou excluindo o primeiro deles. Mas em\u00a0<span class=\"vs\">Colossenses 1:18<\/span>, Paulo nota que ele visitou Jerusal\u00e9m tr\u00eas anos depois de ser convertido. \u00c9 mais l\u00f3gico datar os catorze anos, mencionados em\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 2:1<\/span>, desde fim dos tr\u00eas anos pr\u00e9vios. Neste caso, de qualquer modo que se fa\u00e7a o c\u00e1lculo, a convers\u00e3o deu-se no ano 33 ou 35. Est\u00e1 mais de acordo com o sistema hebraico de calcular e incluir o ano anterior, e por isso podemos dizer que a convers\u00e3o se deu no ano 35 e que sua primeira visita \u00e0 cidade de Jerusal\u00e9m,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 1:18<\/span>, foi no ano 37, e que os catorze anos depois,\u00a0<span class=\"vs\">G\u00e1latas 2:1<\/span>, v\u00e3o ao ano 50. Como j\u00e1 dissemos, todas estas datas s\u00e3o discutidas. Alguns d\u00e3o o ano 55 para a posse de Festo, e, portanto alteram todas as outras datas em cinco anos menos. Outros cr\u00edticos divergem em certos pontos especiais, como por exemplo, a respeito da morte do ap\u00f3stolo, dizendo que foi no ano 64, supondo ter sido no primeiro ano da persegui\u00e7\u00e3o de Nero. Contudo, as datas que acima demos, parecem aproximar-se muito da verdade e podem ser vistas na seguinte Tabua Cronol\u00f3gica:<\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Morte, ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o de Cristo a.D. 30<br \/>\nConvers\u00e3o de Paulo a.D. 35?<br \/>\nPrimeira visita subseq\u00fcente a Jerusal\u00e9m,\u00a0<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-galatas\/\">G\u00e1latas<\/a>\u00a01: 18 a.D. 37<br \/>\nPaulo em Tarso a.D. 37-43<br \/>\nVisita a Jerusal\u00e9m, levando ofertas de Antioquia,\u00a0<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/historia-atos-dos-apostolos\/\">Atos<\/a>\u00a011: 30 a.D. 44<br \/>\nPrimeira jornada mission\u00e1ria a.D. 46-48<br \/>\nConc\u00edlio de Jerusal\u00e9m a.D. 50<br \/>\nSegunda jornada mission\u00e1ria a.D. 51-53,\u00a0<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-1-tessalonicenses\/\">I<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-2-tessalonicenses\/\">II aos Tessalonicenses<\/a>\u00a0a.D. 52<br \/>\nTerceira jornada mission\u00e1ria a.D. 54-58<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-galatas\/\">G\u00e1latas<\/a>\u00a0a.D. 55<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-1-corintios\/\">I Cor\u00edntios<\/a>\u00a0a.D. 56 ou 57<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-2-corintios\/\">II Cor\u00edntios<\/a>\u00a0a.D. 57<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-romanos\/\">Romanos<\/a>\u00a0a.D. 57-58<br \/>\nPris\u00e3o de Paulo a.D. 58<br \/>\nEncarceramento em Cesar\u00e9ia a.D. 58-60<br \/>\nFesto sob ao poder a.D. 60<br \/>\nPaulo chega a Roma a.D. 61<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-colossenses\/\">Colossenses<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-filemom\/\">Filemom<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-efesios\/\">Ef\u00e9sios<\/a>\u00a0a.D. 61 ou 62<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-filipenses\/\">Filipenses<\/a>\u00a0a.D. 62 ou 63<br \/>\nAbsolvido em primeiro julgamento a.D. 63 <a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-1-timoteo\/\">I Tim\u00f3teo<\/a>\u00a0a.D. 64 ou 65<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-tito\/\">Tito<\/a>\u00a0a.D. 65 ou 66<br \/>\n<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-gerais-hebreus\/\">Hebreus<\/a>\u00a0(se foi de Paulo) a.D. 66 ou 67 <a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/epistolas-paulinas-2-timoteo\/\">II Tim\u00f3teo<\/a>\u00a0a.D. 67<br \/>\nMorte de Paulo a.D. 67.<\/p>\n<div class='grid-row clearfix'><div class='grid-col grid-col-12'><section class='cws-widget'><section class='cws_widget_content'> \t<div class=\"testimonial \">\n\t\t<div class='clearfix'>\n\t\t\t<img src='https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-content\/uploads\/bfi_thumb\/Jesus-130-93-3cmh6ny6pugic3cykq7hts.jpg' alt \/>\t\t\t\t<p>\n<p align=\"justify\">Ainda que eu falasse as l\u00ednguas dos homens e dos anjos, e n\u00e3o tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o c\u00edmbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mist\u00e9rios e toda a ci\u00eancia, e ainda que tivesse toda f\u00e9, de maneira tal que transportasse os montes, e n\u00e3o tivesse amor, nada seria.<\/p>\n<\/p>\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"author\">I Cor\u00edntios 13:1-2<\/div>\t<\/div>\n\t <\/section><\/section><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo de Tarso Em grego Paulos, derivado do latim Paulus, que quer dizer pequeno. Nome do grande ap\u00f3stolo dos gentios. O nome judaico anterior era Saulo; no hebreu Shaul, no grego, Saulos; assim denominado nos Atos dos Ap\u00f3stolos, mesmo at\u00e9 depois da convers\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo, proc\u00f4nsul de Chipre,\u00a0Atos 13:9. Daqui em diante, s\u00f3 tem o nome de Paulo, que ele a si mesmo d\u00e1 em todas as suas cartas. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que alguns pensem que tomou este nome do proc\u00f4nsul S\u00e9rgio. Isto, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 de modo algum aceit\u00e1vel, tendo em vista o modo gentil pelo qual Lucas o apresenta, dando-lhe o nome de Paulo, quando come\u00e7ou a sua obra de ap\u00f3stolo. \u00c9 mais prov\u00e1vel que, acompanhando o costume de muitos judeus,\u00a0Atos 1:23; 12:12; Colossenses 4:11, e principalmente os judeus da dispers\u00e3o, o ap\u00f3stolo usasse de ambos os nomes. Paulo nasceu em Tarso, cidade principal da Cil\u00edcia,\u00a0Atos 9:11; 21:39; 22:3, e pertencia \u00e0 tribo de Benjamim,\u00a0Filipenses 3:5. N\u00e3o se sabe como \u00e9 que a sua fam\u00edlia foi residir em Tarso. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o afirma que ele havia sido levado de Giscala em Galil\u00e9ia, pelos romanos, depois que tomaram este \u00faltimo lugar. \u00c9 poss\u00edvel, pois, que a fam\u00edlia de Saulo em tempos anteriores, tivesse fixado resid\u00eancia em Tarso, com alguma das col\u00f4nias que os reis da S\u00edria estabeleceram ali (Ramsay, St. Paul the Traveler, p. 31) ou que tivesse imigrado voluntariamente, como faziam muitos judeus por motivos de ordem comercial. Parece que Paulo tinha rela\u00e7\u00f5es familiares de alto valor e de grande influ\u00eancia. Em\u00a0Romanos 16:7, 11, manda saudar a tr\u00eas pessoas, seus parentes, das quais Andr\u00f4nico e J\u00fanias, que se haviam assinalado entre os ap\u00f3stolos e que foram crist\u00e3os primeiro que ele. Pela leitura de\u00a0Atos 23:16\u00a0sabe-se que\u00a0&#8220;um filho de sua irm\u00e3&#8221;\u00a0que provavelmente morava em Jerusal\u00e9m com sua m\u00e3e, deu informa\u00e7\u00f5es ao tribuno sobre a conspira\u00e7\u00e3o tramada contra a vida de Paulo. D\u00e1 isto a entender que este mo\u00e7o pertencia a alguma das fam\u00edlias importantes da cidade, o que parece confirmado pelo fato de Paulo haver presidido \u00e0 morte de Estev\u00e3o. \u00c9 prov\u00e1vel que j\u00e1 fosse membro do conc\u00edlio,\u00a0Atos 26:10, pois que n\u00e3o tardou a receber comiss\u00e3o do sumo sacerdote para perseguir os crist\u00e3os,\u00a0Atos 9:1-2; 22:5. Os seus dizeres na ep\u00edstola aos\u00a0Filipenses 3:4-7, nos leva a crer que ocupava posi\u00e7\u00e3o de grande influ\u00eancia que lhe dava margem para conseguir lucros e grandes honras. As suas rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia n\u00e3o podiam ser obscuras. Apesar de receber uma educa\u00e7\u00e3o subordinada \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e \u00e0s doutrinas da f\u00e9 hebraica, e de ter pai fariseu,\u00a0Atos 23:6, ele era cidad\u00e3o romano. Ignora-se por que meios havia alcan\u00e7ado este privil\u00e9gio; teria sido por servi\u00e7os prestados ao estado ou talvez por compra, e pode bem ser que o nome Paulo tenha alguma rela\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo de cidad\u00e3o romano. De qualquer modo que seja, dava-lhe grande import\u00e2ncia na sequ\u00eancia de seu trabalho crist\u00e3o, e serviu mais de uma vez para salvar-lhe a vida. Tarso era centro intelectual do oriente onde existia uma escola famosa e onde dominava a filosofia est\u00f3ica. \u00c9 poss\u00edvel que Paulo crescesse ali sob estas influ\u00eancias. Seus pais, sendo como eram, fi\u00e9is \u00e0 lei mosaica, o mandaram logo para Jerusal\u00e9m para ser educado l\u00e1. \u00c0 semelhan\u00e7a de outros rapazes da mesma ra\u00e7a, tinha de aprender um of\u00edcio, que, no seu caso, foi o de fazedor de tendas, das que se usavam nas viagens,\u00a0Atos 18:3. Como ele mesmo diz,\u00a0Atos 22:3\u00a0foi educado em Jerusal\u00e9m, para onde o mandaram, quando muito jovem. A educa\u00e7\u00e3o consistia principalmente em fixar nele as tradi\u00e7\u00f5es farisaicas.\u00a0&#8220;Foi instru\u00eddo conforme a verdade da lei de seus pais&#8221;, ibid. Teve como preceptor, um dos mais s\u00e1bios e not\u00e1veis rabinos daquele tempo, o grande Gamaliel, neto do ainda mais famoso Hilel. Foi este Gamaliel, cujo discurso se podemos verificar em\u00a0Atos 5:34-39, que aconselhou o sanedrim a n\u00e3o tentar contra a vida dos ap\u00f3stolos. Este Gamaliel possu\u00eda alguma cousa estranha ao esp\u00edrito farisaico, a qual se avizinhava da cultura grega. O seu discurso j\u00e1 referido, demonstra que ele n\u00e3o possu\u00eda o esp\u00edrito intolerante e perseguidor, caracter\u00edstico da seita dos fariseus. Celebrizou-se por seus vastos conhecimentos rab\u00ednicos. A seus p\u00e9s o jovem Saulo, vindo de Tarso, recebeu as li\u00e7\u00f5es sobre os ensinos do Antigo Testamento, por\u00e9m j\u00e1 se v\u00ea, de acordo com as sutilezas e interpreta\u00e7\u00f5es dos doutores que acenderam no esp\u00edrito ardente do jovem disc\u00edpulo, um zelo feroz para defender as tradi\u00e7\u00f5es de seus antepassados. Assim, pois, o futuro ap\u00f3stolo tornou-se fariseu zeloso, disciplinado nas id\u00e9ias religiosas e intelectuais de seu povo. Por este modo, as suas qualidades pessoais, o seu preparo intelectual, e, talvez ainda, as rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia, preparavam-lhe posi\u00e7\u00e3o de destaque na sociedade judaica. Aparece no cen\u00e1rio da hist\u00f3ria crist\u00e3, como presidente da execu\u00e7\u00e3o de Estev\u00e3o, o protom\u00e1rtir do Cristianismo, a cujos p\u00e9s as testemunhas depuseram suas vestimentas,\u00a0Atos 7:58, quando ainda mo\u00e7o. A sua posi\u00e7\u00e3o neste caso, n\u00e3o queria dizer que estivesse investido de fun\u00e7\u00f5es oficiais. De acordo com os dizeres da passagem referida acima, ele apenas era consentidor na morte de Estev\u00e3o. Contudo, v\u00ea-se, sem d\u00favida, que perseguia com rigidez os primeiros crist\u00e3os. Sem d\u00favida entrava no n\u00famero daqueles helenistas ou judeus que falavam o grego, mencionados nos\u00a0Atos dos Ap\u00f3stolos, 6: 9, que promoveram a acusa\u00e7\u00e3o contra Estev\u00e3o. N\u00e3o erramos dizendo que o \u00f3dio de Paulo contra a nova seita j\u00e1 estava aceso; n\u00e3o s\u00f3 desprezava o crucificado Messias, como considerava os seus disc\u00edpulos um elemento perigoso, tanto para a religi\u00e3o como para o Estado. N\u00e3o \u00e9 para admirar, pois, que fosse t\u00e3o feroz o seu \u00f3dio a ponto de promover-lhes o exterm\u00ednio pela morte. Logo ap\u00f3s o mart\u00edrio de Estev\u00e3o, tomou parte ativa, dirigindo o movimento de persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os,\u00a0Atos 8:2-3; 22:4; 26:10-11; I Cor\u00edntios 15:9; G\u00e1latas 1:13; Filipenses 3:6; I Tim\u00f3teo 1:13. Fazia tudo isto guiado por uma consci\u00eancia mal informada, daqueles que ouviam falar. Era o tipo do inquisidor religioso. N\u00e3o satisfeito com a persegui\u00e7\u00e3o devastadora que fazia em Jerusal\u00e9m, pediu cartas ao pr\u00edncipe dos sacerdotes para as sinagogas de Damasco com o fim de levar presos para Jerusal\u00e9m quantos achasse desta profiss\u00e3o,\u00a0Atos 9:1, 2. Os romanos davam largos poderes aos judeus para exercerem a sua administra\u00e7\u00e3o interna. O governador de Damasco que obedecia \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do rei Aretas, era particularmente favor\u00e1vel aos judeus,\u00a0Atos 9:23-24; II Cor\u00edntios 11:32, favorecendo por este modo a persegui\u00e7\u00e3o de Paulo aos crist\u00e3os. Nota importante a observar, segundo o testemunho expresso de Lucas e do pr\u00f3prio Paulo, \u00e9 que respirava amea\u00e7as de morte contra os disc\u00edpulos de Jesus at\u00e9 ao momento da sua convers\u00e3o, crendo que assim fazendo, prestava grande servi\u00e7o a Deus. N\u00e3o tinha d\u00favida quanto \u00e0 justi\u00e7a da sua empresa, nem sentia desfalecimento de cora\u00e7\u00e3o para execut\u00e1-la. Foi no caminho de Damasco que se deu \u00e0 repentina convers\u00e3o. Paulo e seus companheiros provavelmente iam a cavalo, como era costume nas viagens pelos caminhos desertos da Galil\u00e9ia, para a antiga cidade. Estavam perto da cidade. Era meio-dia, o sol ardente estava no seu z\u00eanite,\u00a0Atos 26:13. Repentinamente, uma luz vinda do c\u00e9u, mais brilhante que a luz do sol, caiu sobre eles, derrubando-os. Todos se ergueram, continuando Paulo prostrado por terra,\u00a0Atos 9:7-8. Ouviu-se ent\u00e3o uma voz que dizia em l\u00edngua hebraica: &#8220;Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura cousa \u00e9 recalcitrares contra o aguilh\u00e3o&#8221;,\u00a0Atos 26:14. Respondeu ele ent\u00e3o: &#8220;Quem \u00e9s tu, Senhor?&#8221; Ele respondeu: &#8220;Eu sou Jesus a quem tu persegues,\u00a0Atos 26:15. Levanta-te e vai \u00e0 cidade e a\u00ed se te dir\u00e1 o que te conv\u00e9m fazer&#8221;,\u00a0Atos 9:6; 22:10. Os companheiros que o seguiam ouviam a voz sem nada ver,\u00a0Atos 9:7, nem entender,\u00a0Atos 22:9. Paulo sentiu-se cego pelo intenso clar\u00e3o da luz, e foi conduzido pela m\u00e3o dos companheiros,\u00a0Atos 9:7-8\u00a0entrou em Damasco, hospedou-se na casa de Judas,\u00a0Atos 9:11, onde permaneceu tr\u00eas dias sem vista e sem comer, nem beber, orando,\u00a0Atos 9:11, e meditando sobre a revela\u00e7\u00e3o que Deus lhe fizera. Ao terceiro dia, o Senhor mandou a certo judeu convertido, chamado Ananias, que fosse ter com Paulo e impor-lhe as m\u00e3os para recobrar a vista. O Senhor garantiu a Ananias, o qual tinha receio de encontrar-se com o grande perseguidor, que este quando em ora\u00e7\u00e3o, j\u00e1 o tinha visto aproximar-se dele. Portanto, Ananias obedeceu. Paulo confessou a sua f\u00e9 em Jesus, recobrou a vista, e recebeu o batismo; e daqui em diante, com a energia que o caracterizava, e com grande espanto dos judeus, come\u00e7ou a pregar nas sinagogas que Jesus era o Cristo, Filho de Deus vivo,\u00a0Atos 9:10-22. 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