{"id":16652,"date":"2021-03-11T12:51:55","date_gmt":"2021-03-11T15:51:55","guid":{"rendered":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/?p=16652"},"modified":"2023-10-17T10:31:48","modified_gmt":"2023-10-17T13:31:48","slug":"jo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/jo\/","title":{"rendered":"J\u00f3"},"content":{"rendered":"<h1>J\u00f3<\/h1>\n<div class='grid-row clearfix'><div class='grid-col grid-col-12'><section class='cws-widget'><section class='cws_widget_content'>\n<h3><span class=\"red\">[\u00a0<a href=\"#1\">1<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#2\">2<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#3\">3<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#4\">4<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#5\">5<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#6\">6<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#7\">7<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#8\">8<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#9\">9<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#10\">10<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#11\">11<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#12\">12<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#13\">13<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#14\">14<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#15\">15<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#16\">16<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#17\">17<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#18\">18<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#19\">19<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#20\">20<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#21\">21<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#22\">22<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#23\">23<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#24\">24<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#25\">25<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#26\">26<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#27\">27<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#28\">28<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#29\">29<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#30\">30<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#31\">31<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#32\">32<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#33\">33<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#34\">34<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#35\">35<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#36\">36<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#37\">37<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#38\">38<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#39\">39<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#40\">40<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#41\">41<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"#42\">42<\/a>\u00a0]<\/h3>\n<\/section><\/section><\/div>\n<p align=\"right\"><a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/biblia-online\/\" class=\"su-button su-button-style-3d\" style=\"color:#FFFFFF;background-color:#00aba5;border-color:#008984;border-radius:5px\" target=\"_self\"><span style=\"color:#FFFFFF;padding:0px 16px;font-size:13px;line-height:26px;border-color:#4dc5c0;border-radius:5px;text-shadow:none\"> Voltar ao \u00cdndice<\/span><\/a>\n<h3><a id=\"1\"><\/a>J\u00f3 1<\/h3>\n<ol>\n<li>Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era J\u00f3. Era homem \u00edntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal.<\/li>\n<li>Nasceram-lhe sete filhos e tr\u00eas filhas.<\/li>\n<li>Possu\u00eda ele sete mil ovelhas, tr\u00eas mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, tendo tamb\u00e9m muit\u00edssima gente ao seu servi\u00e7o; de modo que este homem era o maior de todos os do Oriente.<\/li>\n<li>Iam seus filhos \u00e0 casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas tr\u00eas irm\u00e3s para comerem e beberem com eles.<\/li>\n<li>E sucedia que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava J\u00f3 e os santificava; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o n\u00famero de todos eles; pois dizia J\u00f3: Talvez meus filhos tenham pecado, e blasfemado de Deus no seu cora\u00e7\u00e3o. Assim o fazia J\u00f3 continuamente.<\/li>\n<li>Ora, chegado o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio tamb\u00e9m Satan\u00e1s entre eles.<\/li>\n<li>O Senhor perguntou a Satan\u00e1s: Donde vens? E Satan\u00e1s respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.<\/li>\n<li>Disse o Senhor a Satan\u00e1s: Notaste porventura o meu servo J\u00f3, que ningu\u00e9m h\u00e1 na terra semelhante a ele, homem \u00edntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal?<\/li>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Satan\u00e1s ao Senhor, e disse: Porventura J\u00f3 teme a Deus debalde?<\/li>\n<li>N\u00e3o o tens protegido de todo lado a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Tens aben\u00e7oado a obra de suas m\u00e3os, e os seus bens se multiplicam na terra.<\/li>\n<li>Mas estende agora a tua m\u00e3o, e toca-lhe em tudo quanto tem, e ele blasfemar\u00e1 de ti na tua face!<\/li>\n<li>Ao que disse o Senhor a Satan\u00e1s: Eis que tudo o que ele tem est\u00e1 no teu poder; somente contra ele n\u00e3o estendas a tua m\u00e3o. E Satan\u00e1s saiu da presen\u00e7a do Senhor.<\/li>\n<li>Certo dia, quando seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho em casa do irm\u00e3o mais velho,<\/li>\n<li>veio um mensageiro a J\u00f3 e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;<\/li>\n<li>e deram sobre eles os sabeus, e os tomaram; mataram os mo\u00e7os ao fio da espada, e s\u00f3 eu escapei para trazer-te a nova.<\/li>\n<li>Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do c\u00e9u e queimou as ovelhas e os mo\u00e7os, e os consumiu; e so eu escapei para trazer-te a nova.<\/li>\n<li>Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Os caldeus, dividindo-se em tr\u00eas bandos, deram sobre os camelos e os tomaram; e mataram os mo\u00e7os ao fio da espada; e s\u00f3 eu escapei para trazer-te a nova.<\/li>\n<li>Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho em casa do irm\u00e3o mais velho;<\/li>\n<li>e eis que sobrevindo um grande vento de al\u00e9m do deserto, deu nos quatro cantos da casa, e ela caiu sobre os mancebos, de sorte que morreram; e s\u00f3 eu escapei para trazer-te a nova.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabe\u00e7a e, lan\u00e7ando-se em terra, adorou;<\/li>\n<li>e disse: Nu sa\u00ed do ventre de minha m\u00e3e, e nu tornarei para l\u00e1. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.<\/li>\n<li>Em tudo isso J\u00f3 n\u00e3o pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"2\"><\/a>J\u00f3 2<\/h3>\n<ol>\n<li>Chegou outra vez o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor; e veio tamb\u00e9m Satan\u00e1s entre eles apresentar-se perante o Senhor.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o o Senhor perguntou a Satan\u00e1s: Donde vens? Respondeu Satan\u00e1s ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.<\/li>\n<li>Disse o Senhor a Satan\u00e1s: Notaste porventura o meu servo J\u00f3, que ningu\u00e9m h\u00e1 na terra semelhante a ele, homem \u00edntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Ele ainda ret\u00e9m a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o Satan\u00e1s respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dar\u00e1 pela sua vida.<\/li>\n<li>Estende agora a m\u00e3o, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele blasfemar\u00e1 de ti na tua face!<\/li>\n<li>Disse, pois, o Senhor a Satan\u00e1s: Eis que ele est\u00e1 no teu poder; somente poupa-lhe a vida.<\/li>\n<li>Saiu, pois, Satan\u00e1s da presen\u00e7a do Senhor, e feriu J\u00f3 de \u00falceras malignas, desde a planta do p\u00e9 at\u00e9 o alto da cabe\u00e7a.<\/li>\n<li>E J\u00f3, tomando um caco para com ele se raspar, sentou-se no meio da cinza.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o sua mulher lhe disse: Ainda ret\u00e9ns a tua integridade? Blasfema de Deus, e morre.<\/li>\n<li>Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e n\u00e3o receberemos o mal? Em tudo isso n\u00e3o pecou J\u00f3 com os seus l\u00e1bios.<\/li>\n<li>Ouvindo, pois, tr\u00eas amigos de J\u00f3 todo esse mal que lhe havia sucedido, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz o temanita, Bildade o su\u00edta e Zofar o naamatita; pois tinham combinado para virem condoer- se dele e consol\u00e1-lo.<\/li>\n<li>E, levantando de longe os olhos e n\u00e3o o reconhecendo, choraram em alta voz; e, rasgando cada um o seu manto, lan\u00e7aram p\u00f3 para o ar sobre as suas cabe\u00e7as.<\/li>\n<li>E ficaram sentados com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum deles lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"3\"><\/a>J\u00f3 3<\/h3>\n<ol>\n<li>Depois disso abriu J\u00f3 a sua boca, e amaldi\u00e7oou o seu dia.<\/li>\n<li>E J\u00f3 falou, dizendo:<\/li>\n<li>Pere\u00e7a o dia em que nasci, e a noite que se disse: Foi concebido um homem!<\/li>\n<li>Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, l\u00e1 de cima, n\u00e3o tenha cuidado dele, nem resplande\u00e7a sobre ele a luz.<\/li>\n<li>Reclamem-no para si as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; espante-o tudo o que escurece o dia.<\/li>\n<li>Quanto \u00e0quela noite, dela se apodere a escurid\u00e3o; e n\u00e3o se regozije ela entre os dias do ano; e n\u00e3o entre no n\u00famero dos meses.<\/li>\n<li>Ah! que est\u00e9ril seja aquela noite, e nela n\u00e3o entre voz de regozijo.<\/li>\n<li>Amaldi\u00e7oem-na aqueles que amaldi\u00e7oam os dias, que s\u00e3o peritos em suscitar o leviat\u00e3.<\/li>\n<li>As estrelas da alva se lhe escure\u00e7am; espere ela em v\u00e3o a luz, e n\u00e3o veja as p\u00e1lpebras da manh\u00e3;<\/li>\n<li>porquanto n\u00e3o fechou as portas do ventre de minha m\u00e3e, nem escondeu dos meus olhos a afli\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Por que n\u00e3o morri ao nascer? por que n\u00e3o expirei ao vir \u00e0 luz?<\/li>\n<li>Por que me receberam os joelhos? e por que os seios, para que eu mamasse?<\/li>\n<li>Pois agora eu estaria deitado e quieto; teria dormido e estaria em repouso,<\/li>\n<li>com os reis e conselheiros da terra, que reedificavam ru\u00ednas para si,<\/li>\n<li>ou com os pr\u00edncipes que tinham ouro, que enchiam as suas casas de prata;<\/li>\n<li>ou, como aborto oculto, eu n\u00e3o teria existido, como as crian\u00e7as que nunca viram a luz.<\/li>\n<li>Ali os \u00edmpios cessam de perturbar; e ali repousam os cansados.<\/li>\n<li>Ali os presos descansam juntos, e n\u00e3o ouvem a voz do exator.<\/li>\n<li>O pequeno e o grande ali est\u00e3o e o servo est\u00e1 livre de seu senhor.<\/li>\n<li>Por que se concede luz ao aflito, e vida aos amargurados de alma;<\/li>\n<li>que anelam pela morte sem que ela venha, e cavam em procura dela mais do que de tesouros escondidos;<\/li>\n<li>que muito se regozijam e exultam, quando acham a sepultura?<\/li>\n<li>Sim, por que se concede luz ao homem cujo caminho est\u00e1 escondido, e a quem Deus cercou de todos os lados?<\/li>\n<li>Pois em lugar de meu p\u00e3o vem o meu suspiro, e os meus gemidos se derramam como \u00e1gua.<\/li>\n<li>Porque aquilo que temo me sobrev\u00e9m, e o que receio me acontece.<\/li>\n<li>N\u00e3o tenho repouso, nem sossego, nem descanso; mas vem a perturba\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"4\"><\/a>J\u00f3 4<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Elifaz, o temanita, e disse:<\/li>\n<li>Se algu\u00e9m intentar falar-te, enfadarte-\u00e1s? Mas quem poder\u00e1 conter as palavras?<\/li>\n<li>Eis que tens ensinado a muitos, e tens fortalecido as m\u00e3os fracas.<\/li>\n<li>As tuas palavras t\u00eam sustentado aos que cambaleavam, e os joelhos desfalecentes tens fortalecido.<\/li>\n<li>Mas agora que se trata de ti, te enfadas; e, tocando-te a ti, te desanimas.<\/li>\n<li>Porventura n\u00e3o est\u00e1 a tua confian\u00e7a no teu temor de Deus, e a tua esperan\u00e7a na integridade dos teus caminhos?<\/li>\n<li>Lembra-te agora disto: qual o inocente que jamais pereceu? E onde foram os retos destru\u00eddos?<\/li>\n<li>Conforme tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam o mesmo.<\/li>\n<li>Pelo sopro de Deus perecem, e pela rajada da sua ira s\u00e3o consumidos.<\/li>\n<li>Cessa o rugido do le\u00e3o, e a voz do le\u00e3o feroz; os dentes dos le\u00f5ezinhos se quebram.<\/li>\n<li>Perece o le\u00e3o velho por falta de presa, e os filhotes da leoa andam dispersos.<\/li>\n<li>Ora, uma palavra se me disse em segredo, e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela.<\/li>\n<li>Entre pensamentos nascidos de vis\u00f5es noturnas, quando cai sobre os homens o sono profundo,<\/li>\n<li>sobrevieram-me o espanto e o tremor, que fizeram estremecer todos os meus ossos.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o um esp\u00edrito passou por diante de mim; arrepiaram-se os cabelos do meu corpo.<\/li>\n<li>Parou ele, mas n\u00e3o pude discernir a sua aparencia; um vulto estava diante dos meus olhos; houve sil\u00eancio, ent\u00e3o ouvi uma voz que dizia:<\/li>\n<li>Pode o homem mortal ser justo diante de Deus? Pode o var\u00e3o ser puro diante do seu Criador?<\/li>\n<li>Eis que Deus n\u00e3o confia nos seus servos, e at\u00e9 a seus anjos atribui loucura;<\/li>\n<li>quanto mais aos que habitam em casas de lodo, cujo fundamento est\u00e1 no p\u00f3, e que s\u00e3o esmagados pela tra\u00e7a!<\/li>\n<li>Entre a manh\u00e3 e a tarde s\u00e3o destruidos; perecem para sempre sem que disso se fa\u00e7a caso.<\/li>\n<li>Se dentro deles \u00e9 arrancada a corda da sua tenda, porventura n\u00e3o morrem, e isso sem atingir a sabedoria?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"5\"><\/a>J\u00f3 5<\/h3>\n<ol>\n<li>Chama agora; h\u00e1 algu\u00e9m que te responda; E a qual dentre os entes santos te dirigir\u00e1s?<\/li>\n<li>Pois a dor destr\u00f3i o louco, e a inveja mata o tolo.<\/li>\n<li>Bem vi eu o louco lan\u00e7ar ra\u00edzes; mas logo amaldi\u00e7oei a sua habita\u00e7\u00e3o:<\/li>\n<li>Seus filhos est\u00e3o longe da seguran\u00e7a, e s\u00e3o pisados nas portas, e n\u00e3o h\u00e1 quem os livre.<\/li>\n<li>A sua messe \u00e9 devorada pelo faminto, que at\u00e9 dentre os espinhos a tira; e o la\u00e7o abre as fauces para a fazenda deles.<\/li>\n<li>Porque a afli\u00e7\u00e3o n\u00e3o procede do p\u00f3, nem a tribula\u00e7\u00e3o brota da terra;<\/li>\n<li>mas o homem nasce para a tribula\u00e7\u00e3o, como as fa\u00edscas voam para cima.<\/li>\n<li>Mas quanto a mim eu buscaria a Deus, e a Deus entregaria a minha causa;<\/li>\n<li>o qual faz coisas grandes e inescrut\u00e1veis, maravilhas sem n\u00famero.<\/li>\n<li>Ele derrama a chuva sobre a terra, e envia \u00e1guas sobre os campos.<\/li>\n<li>Ele p\u00f5e num lugar alto os abatidos; e os que choram s\u00e3o exaltados \u00e0 seguran\u00e7a.<\/li>\n<li>Ele frustra as maquina\u00e7\u00f5es dos astutos, de modo que as suas m\u00e3os n\u00e3o possam levar coisa alguma a efeito.<\/li>\n<li>Ele apanha os s\u00e1bios na sua pr\u00f3pria ast\u00facia, e o conselho dos perversos se precipita.<\/li>\n<li>Eles de dia encontram as trevas, e ao meio-dia andam \u00e0s apalpadelas, como de noite.<\/li>\n<li>Mas Deus livra o necessitado da espada da boca deles, e da m\u00e3o do poderoso.<\/li>\n<li>Assim h\u00e1 esperan\u00e7a para o pobre; e a iniq\u00fcidade tapa a boca.<\/li>\n<li>Eis que bem-aventurado \u00e9 o homem a quem Deus corrige; n\u00e3o desprezes, pois, a corre\u00e7\u00e3o do Todo-Poderoso.<\/li>\n<li>Pois ele faz a ferida, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas m\u00e3os curam.<\/li>\n<li>Em seis ang\u00fastias te livrar\u00e1, e em sete o mal n\u00e3o te tocar\u00e1.<\/li>\n<li>Na fome te livrar\u00e1 da morte, e na guerra do poder da espada.<\/li>\n<li>Do a\u00e7oite da l\u00edngua estar\u00e1s abrigado, e n\u00e3o temer\u00e1s a assola\u00e7\u00e3o, quando chegar.<\/li>\n<li>Da assola\u00e7\u00e3o e da fome te rir\u00e1s, e dos animais da terra n\u00e3o ter\u00e1s medo.<\/li>\n<li>Pois at\u00e9 com as pedras do campo ter\u00e1s a tua alian\u00e7a, e as feras do campo estar\u00e3o em paz contigo.<\/li>\n<li>Saber\u00e1s que a tua tenda est\u00e1 em paz; visitar\u00e1s o teu rebanho, e nada te faltar\u00e1.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m saber\u00e1s que se multiplicar\u00e1 a tua descend\u00eancia e a tua posteridade como a erva da terra.<\/li>\n<li>Em boa velhice ir\u00e1s \u00e0 sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.<\/li>\n<li>Eis que isso j\u00e1 o havemos inquirido, e assim o \u00e9; ouve-o, e conhece-o para teu bem.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"6\"><\/a>J\u00f3 6<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3, respondendo, disse:<\/li>\n<li>Oxal\u00e1 de fato se pesasse a minh\u00e1 magoa, e juntamente na balan\u00e7a se pusesse a minha calamidade!<\/li>\n<li>Pois, na verdade, seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso \u00e9 que as minhas palavras t\u00eam sido temer\u00e1rias.<\/li>\n<li>Porque as flechas do Todo-Poderoso se cravaram em mim, e o meu esp\u00edrito suga o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim.<\/li>\n<li>Zurrar\u00e1 o asno mont\u00eas quando tiver erva? Ou mugir\u00e1 o boi junto ao seu pasto?:<\/li>\n<li>Pode se comer sem sal o que \u00e9 ins\u00edpido? Ou h\u00e1 gosto na clara do ovo?<\/li>\n<li>Nessas coisas a minha alma recusa tocar, pois s\u00e3o para mim qual comida repugnante.<\/li>\n<li>Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que Deus me desse o que anelo!<\/li>\n<li>que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua m\u00e3o, e me exterminasse!<\/li>\n<li>Isto ainda seria a minha consola\u00e7\u00e3o, e exultaria na dor que n\u00e3o me poupa; porque n\u00e3o tenho negado as palavras do Santo.<\/li>\n<li>Qual \u00e9 a minha for\u00e7a, para que eu espere? Ou qual \u00e9 o meu fim, para que me porte com paci\u00eancia?<\/li>\n<li>\u00c9 a minha for\u00e7a a for\u00e7a da pedra? Ou \u00e9 de bronze a minha carne?<\/li>\n<li>Na verdade n\u00e3o h\u00e1 em mim socorro nenhum. N\u00e3o me desamparou todo o aux\u00edlio eficaz?<\/li>\n<li>Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaix\u00e3o; mesmo ao que abandona o temor do Todo-Poderoso.<\/li>\n<li>Meus irm\u00e3os houveram-se aleivosamente, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam,<\/li>\n<li>os quais se turvam com o gelo, e neles se esconde a neve;<\/li>\n<li>no tempo do calor v\u00e3o minguando; e quando o calor vem, desaparecem do seu lugar.<\/li>\n<li>As caravanas se desviam do seu curso; sobem ao deserto, e perecem.<\/li>\n<li>As caravanas de Tema olham; os viandantes de Sab\u00e1 por eles esperam.<\/li>\n<li>Ficam envergonhados por terem confiado; e, chegando ali, se confundem.<\/li>\n<li>Agora, pois, tais vos tornastes para mim; vedes a minha calamidade e temeis.<\/li>\n<li>Acaso disse eu: Dai-me um presente? Ou: Fazei-me uma oferta de vossos bens?<\/li>\n<li>Ou: Livrai-me das m\u00e3os do advers\u00e1rio? Ou: Resgatai-me das m\u00e3os dos opressores ?<\/li>\n<li>Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.<\/li>\n<li>Qu\u00e3o poderosas s\u00e3o as palavras da boa raz\u00e3o! Mas que \u00e9 o que a vossa arg\u00fci\u00e7\u00e3o reprova?<\/li>\n<li>Acaso pretendeis reprovar palavras, embora sejam as raz\u00f5es do desesperado como vento?<\/li>\n<li>At\u00e9 quereis lan\u00e7ar sortes sobre o \u00f3rf\u00e3o, e fazer mercadoria do vosso amigo.<\/li>\n<li>Agora, pois, por favor, olhai para, mim; porque de certo \u00e0 vossa face n\u00e3o mentirei.<\/li>\n<li>Mudai de parecer, pe\u00e7o-vos, n\u00e3o haja injusti\u00e7a; sim, mudai de parecer, que a minha causa \u00e9 justa.<\/li>\n<li>H\u00e1 iniq\u00fcidade na minha l\u00edngua? Ou n\u00e3o poderia o meu paladar discernir coisas perversas?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"7\"><\/a>J\u00f3 7<\/h3>\n<ol>\n<li>Porventura n\u00e3o tem o homem duro servi\u00e7o sobre a terra? E n\u00e3o s\u00e3o os seus dias como os do jornaleiro?<\/li>\n<li>Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,<\/li>\n<li>assim se me deram meses de escassez, e noites de afli\u00e7\u00e3o se me ordenaram.<\/li>\n<li>Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida \u00e9 a noite, e farto-me de me revolver na cama at\u00e9 a alva.<\/li>\n<li>A minha carne se tem vestido de vermes e de torr\u00f5es de p\u00f3; a minha pele endurece, e torna a rebentar-se.<\/li>\n<li>Os meus dias s\u00e3o mais velozes do que a lan\u00e7adeira do tecel\u00e3o, e chegam ao fim sem esperan\u00e7a.<\/li>\n<li>Lembra-te de que a minha vida \u00e9 um sopro; os meus olhos n\u00e3o tornar\u00e3o a ver o bem.<\/li>\n<li>Os olhos dos que agora me v\u00eaem n\u00e3o me ver\u00e3o mais; os teus olhos estar\u00e3o sobre mim, mas n\u00e3o serei mais.<\/li>\n<li>Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce \u00e0 sepultura nunca tornar\u00e1 a subir.<\/li>\n<li>Nunca mais tornar\u00e1 \u00e0 sua casa, nem o seu lugar o conhecer\u00e1 mais.<\/li>\n<li>Por isso n\u00e3o reprimirei a minha boca; falarei na ang\u00fastia do meu esp\u00edrito, queixar-me-ei na amargura da minha alma.<\/li>\n<li>Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda?<\/li>\n<li>Quando digo: Confortar-me-\u00e1 a minha cama, meu leito aliviar\u00e1 a minha queixa,<\/li>\n<li>ent\u00e3o me espantas com sonhos, e com vis\u00f5es me atemorizas;<\/li>\n<li>de modo que eu escolheria antes a estrangula\u00e7\u00e3o, e a morte do que estes meus ossos.<\/li>\n<li>A minha vida abomino; n\u00e3o quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os meus dias s\u00e3o vaidade.<\/li>\n<li>Que \u00e9 o homem, para que tanto o engrande\u00e7as, e ponhas sobre ele o teu pensamento,<\/li>\n<li>e cada manh\u00e3 o visites, e cada momento o proves?<\/li>\n<li>At\u00e9 quando n\u00e3o apartar\u00e1s de mim a tua vista, nem me largar\u00e1s, at\u00e9 que eu possa engolir a minha saliva?<\/li>\n<li>Se peco, que te fa\u00e7o a ti, \u00f3 vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado?<\/li>\n<li>Por que me n\u00e3o perdoas a minha transgress\u00e3o, e n\u00e3o tiras a minha iniq\u00fcidade? Pois agora me deitarei no p\u00f3; tu me buscar\u00e1s, por\u00e9m eu n\u00e3o serei mais.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"8\"><\/a>J\u00f3 8<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Bildade, o su\u00edta, dizendo:<\/li>\n<li>At\u00e9 quando falar\u00e1s tais coisas, e at\u00e9 quando ser\u00e3o as palavras da tua boca qual vento impetuoso?<\/li>\n<li>Perverteria Deus o direito? Ou perverteria o Todo-Poderoso a justi\u00e7a?<\/li>\n<li>Se teus filhos pecaram contra ele, ele os entregou ao poder da sua transgress\u00e3o.<\/li>\n<li>Mas, se tu com empenho buscares a Deus, e ,ao Todo-Poderoso fizeres a tua s\u00faplica,<\/li>\n<li>se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertar\u00e1 por ti, e tornar\u00e1 segura a habita\u00e7\u00e3o da tua justi\u00e7a.<\/li>\n<li>Embora tenha sido pequeno o teu princ\u00edpio, contudo o teu \u00faltimo estado aumentar\u00e1 grandemente.<\/li>\n<li>Indaga, pois, eu te pe\u00e7o, da gera\u00e7\u00e3o passada, e considera o que seus pais descobriram.<\/li>\n<li>Porque n\u00f3s somos de ontem, e nada sabemos, porquanto nossos dias sobre a terra, s\u00e3o uma sombra.<\/li>\n<li>N\u00e3o te ensinar\u00e3o eles, e n\u00e3o te falar\u00e3o, e do seu entendimento n\u00e3o proferir\u00e3o palavras?<\/li>\n<li>Pode o papiro desenvolver-se fora de um p\u00e2ntano. Ou pode o junco crescer sem \u00e1gua?<\/li>\n<li>Quando est\u00e1 em flor e ainda n\u00e3o cortado, seca-se antes de qualquer outra erva.<\/li>\n<li>Assim s\u00e3o as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; a esperan\u00e7a do \u00edmpio perecer\u00e1,<\/li>\n<li>a sua seguran\u00e7a se desfar\u00e1, e a sua confian\u00e7a ser\u00e1 como a teia de aranha.<\/li>\n<li>Encostar-se-\u00e1 \u00e0 sua casa, por\u00e9m ela n\u00e3o subsistir\u00e1; apegar-se-lhe-\u00e1, por\u00e9m ela n\u00e3o permanecer\u00e1.<\/li>\n<li>Ele est\u00e1 verde diante do sol, e os seus renovos estendem-se sobre o seu jardim;<\/li>\n<li>as suas ra\u00edzes se entrela\u00e7am junto ao monte de pedras; at\u00e9 penetra o pedregal.<\/li>\n<li>Mas quando for arrancado do seu lugar, ent\u00e3o este o negar\u00e1, dizendo: Nunca te vi.<\/li>\n<li>Eis que tal \u00e9 a alegria do seu caminho; e da terra outros brotar\u00e3o.<\/li>\n<li>Eis que Deus n\u00e3o rejeitar\u00e1 ao reto, nem tomar\u00e1 pela m\u00e3o os malfeitores;<\/li>\n<li>ainda de riso te encher\u00e1 a boca, e os teus l\u00e1bios de louvor.<\/li>\n<li>Teus aborrecedores se vestir\u00e3o de confus\u00e3o; e a tenda dos \u00edmpios n\u00e3o subsistir\u00e1.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"9\"><\/a>J\u00f3 9<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu, dizendo:<\/li>\n<li>Na verdade sei que assim \u00e9; mas como pode o homem ser justo para com Deus?<\/li>\n<li>Se algu\u00e9m quisesse contender com ele, n\u00e3o lhe poderia responder uma vez em mil.<\/li>\n<li>Ele \u00e9 s\u00e1bio de cora\u00e7\u00e3o e poderoso em for\u00e7as; quem se endureceu contra ele, e ficou seguro?<\/li>\n<li>Ele \u00e9 o que remove os montes, sem que o saibam, e os transtorna no seu furor;<\/li>\n<li>o que sacode a terra do seu lugar, de modo que as suas colunas estremecem;<\/li>\n<li>o que d\u00e1 ordens ao sol, e ele n\u00e3o nasce; o que sela as estrelas;<\/li>\n<li>o que sozinho estende os c\u00e9us, e anda sobre as ondas do mar;<\/li>\n<li>o que fez a ursa, o Oriom, e as Pl\u00eaiades, e as rec\u00e2maras do sul;<\/li>\n<li>o que faz coisas grandes e insond\u00e1veis, e maravilhas que n\u00e3o se podem contar.<\/li>\n<li>Eis que ele passa junto a mim, e, nao o vejo; sim, vai passando adiante, mas n\u00e3o o percebo.<\/li>\n<li>Eis que arrebata a presa; quem o pode impedir? Quem lhe dir\u00e1: Que \u00e9 o que fazes?<\/li>\n<li>Deus n\u00e3o retirar\u00e1 a sua ira; debaixo dele se curvaram os aliados de Raabe;<\/li>\n<li>quanto menos lhe poderei eu responder ou escolher as minhas palavras para discutir com ele?<\/li>\n<li>Embora, eu seja justo, n\u00e3o lhe posso responder; tenho de pedir miseric\u00f3rdia ao meu juiz.<\/li>\n<li>Ainda que eu chamasse, e ele me respondesse, n\u00e3o poderia crer que ele estivesse escutando a minha voz.<\/li>\n<li>Pois ele me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa.<\/li>\n<li>N\u00e3o me permite respirar, antes me farta de amarguras.<\/li>\n<li>Se fosse uma prova de for\u00e7a, eis-me aqui, diria ele; e se fosse quest\u00e3o de ju\u00edzo, quem o citaria para comparecer?<\/li>\n<li>Ainda que eu fosse justo, a minha pr\u00f3pria boca me condenaria; ainda que eu fosse perfeito, ent\u00e3o ela me declararia perverso:<\/li>\n<li>Eu sou inocente; n\u00e3o estimo a mim mesmo; desprezo a minha vida.<\/li>\n<li>Tudo \u00e9 o mesmo, portanto digo: Ele destr\u00f3i o reto e o \u00edmpio.<\/li>\n<li>Quando o a\u00e7oite mata de repente, ele zomba da calamidade dos inocentes.<\/li>\n<li>A terra est\u00e1 entregue nas m\u00e3os do \u00edmpio. Ele cobre o rosto dos ju\u00edzes; se n\u00e3o \u00e9 ele, quem \u00e9, logo?<\/li>\n<li>Ora, os meus dias s\u00e3o mais velozes do que um correio; fogem, e n\u00e3o v\u00eaem o bem.<\/li>\n<li>Eles passam como balsas de junco, como \u00e1guia que se lan\u00e7a sobre a presa.<\/li>\n<li>Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu aspecto, e tomarei alento;<\/li>\n<li>ent\u00e3o tenho pavor de todas as minhas dores; porque bem sei que n\u00e3o me ter\u00e1s por inocente.<\/li>\n<li>Eu serei condenado; por que, pois, trabalharei em v\u00e3o?<\/li>\n<li>Se eu me lavar com \u00e1gua de neve, e limpar as minhas m\u00e3os com sab\u00e3o,<\/li>\n<li>mesmo assim me submergir\u00e1s no fosso, e as minhas pr\u00f3prias vestes me abominar\u00e3o.<\/li>\n<li>Porque ele n\u00e3o \u00e9 homem, como eu, para eu lhe responder, para nos encontrarmos em ju\u00edzo.<\/li>\n<li>N\u00e3o h\u00e1 entre n\u00f3s \u00e1rbitro para p\u00f4r a m\u00e3o sobre n\u00f3s ambos.<\/li>\n<li>Tire ele a sua vara de cima de mim, e n\u00e3o me amedronte o seu terror;<\/li>\n<li>ent\u00e3o falarei, e n\u00e3o o temerei; pois eu n\u00e3o sou assim em mim mesmo.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"10\"><\/a>J\u00f3 10<\/h3>\n<ol>\n<li>Tendo t\u00e9dio \u00e0 minha vida; darei livre curso \u00e0 minha queixa, falarei na amargura da minha alma:<\/li>\n<li>Direi a Deus: N\u00e3o me condenes; faze-me saber por que contendes comigo.<\/li>\n<li>Tens prazer em oprimir, em desprezar a obra das tuas m\u00e3os e favorecer o des\u00edgnio dos \u00edmpios?<\/li>\n<li>Tens tu olhos de carne? Ou v\u00eas tu como v\u00ea o homem?<\/li>\n<li>S\u00e3o os teus dias como os dias do homem? Ou s\u00e3o os teus anos como os anos de um homem,<\/li>\n<li>para te informares da minha iniq\u00fcidade, e averiguares o meu pecado,<\/li>\n<li>ainda que tu sabes que eu n\u00e3o sou \u00edmpio, e que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que possa livrar-me da tua m\u00e3o?<\/li>\n<li>As tuas m\u00e3os me fizeram e me deram forma; e te voltas agora para me consumir?<\/li>\n<li>Lembra-te, pois, de que do barro me formaste; e queres fazer-me tornar ao p\u00f3?<\/li>\n<li>N\u00e3o me vazaste como leite, e n\u00e3o me coalhaste como queijo?<\/li>\n<li>De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste.<\/li>\n<li>Vida e miseric\u00f3rdia me tens concedido, e a tua provid\u00eancia me tem conservado o esp\u00edrito.<\/li>\n<li>Contudo ocultaste estas coisas no teu cora\u00e7\u00e3o; bem sei que isso foi o teu des\u00edgnio.<\/li>\n<li>Se eu pecar, tu me observas, e da minha iniq\u00fcidade n\u00e3o me absolver\u00e1s.<\/li>\n<li>Se for \u00edmpio, ai de mim! Se for justo, n\u00e3o poderei levantar a minha cabe\u00e7a, estando farto de ignom\u00ednia, e de contemplar a minha mis\u00e9ria.<\/li>\n<li>Se a minha cabe\u00e7a se exaltar, tu me ca\u00e7as como a um le\u00e3o feroz; e de novo fazes maravilhas contra mim.<\/li>\n<li>Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; reveses e combate est\u00e3o comigo.<\/li>\n<li>Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! se ent\u00e3o tivera expirado, e olhos nenhuns me vissem!<\/li>\n<li>Ent\u00e3o fora como se nunca houvera sido; e da madre teria sido levado para a sepultura.<\/li>\n<li>N\u00e3o s\u00e3o poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento;<\/li>\n<li>antes que me v\u00e1 para o lugar de que n\u00e3o voltarei, para a terra da escurid\u00e3o e das densas trevas,<\/li>\n<li>terra escur\u00edssima, como a pr\u00f3pria escurid\u00e3o, terra da sombra trevosa e do caos, e onde a pr\u00f3pria luz \u00e9 como a escurid\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"11\"><\/a>J\u00f3 11<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Zofar, o naamatita, dizendo:<\/li>\n<li>N\u00e3o se dar\u00e1 resposta \u00e0 multid\u00e3o de palavras? ou ser\u00e1 justificado o homem falador?<\/li>\n<li>Acaso as tuas jact\u00e2ncias far\u00e3o calar os homens? e zombar\u00e1s tu sem que ningu\u00e9m te envergonhe?<\/li>\n<li>Pois dizes: A minha doutrina \u00e9 pura, e limpo sou aos teus olhos.<\/li>\n<li>Mas, na verdade, oxal\u00e1 que Deus falasse e abrisse os seus l\u00e1bios contra ti,<\/li>\n<li>e te fizesse saber os segredos da sabedoria, pois \u00e9 multiforme o seu entendimento; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniq\u00fcidade.<\/li>\n<li>Poder\u00e1s descobrir as coisas profundas de Deus, ou descobrir perfeitamente o Todo-Poderoso?<\/li>\n<li>Como as alturas do c\u00e9u \u00e9 a sua sabedoria; que poder\u00e1s tu fazer? Mais profunda \u00e9 ela do que o Seol; que poder\u00e1s tu saber?<\/li>\n<li>Mais comprida \u00e9 a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar.<\/li>\n<li>Se ele passar e prender algu\u00e9m, e chamar a ju\u00edzo, quem o poder\u00e1 impedir?<\/li>\n<li>Pois ele conhece os homens v\u00e3os; e quando v\u00ea a iniq\u00fcidade, n\u00e3o atentar\u00e1 para ela?<\/li>\n<li>Mas o homem v\u00e3o adquirir\u00e1 entendimento, quando a cria do asno mont\u00eas nascer homem.<\/li>\n<li>Se tu preparares o teu cora\u00e7\u00e3o, e estenderes as m\u00e3os para ele;<\/li>\n<li>se h\u00e1 iniq\u00fcidade na tua m\u00e3o, lan\u00e7a-a para longe de ti, e n\u00e3o deixes a perversidade habitar nas tuas tendas;<\/li>\n<li>ent\u00e3o levantar\u00e1s o teu rosto sem m\u00e1cula, e estar\u00e1s firme, e n\u00e3o temer\u00e1s.<\/li>\n<li>Pois tu te esquecer\u00e1s da tua mis\u00e9ria; apenas te lembrar\u00e1s dela como das \u00e1guas que j\u00e1 passaram.<\/li>\n<li>E a tua vida ser\u00e1 mais clara do que o meio-dia; a escurid\u00e3o dela ser\u00e1 como a alva.<\/li>\n<li>E ter\u00e1s confian\u00e7a, porque haver\u00e1 esperan\u00e7a; olhar\u00e1s ao redor de ti e repousar\u00e1s seguro.<\/li>\n<li>Deitar-te-\u00e1s, e ningu\u00e9m te amedrontar\u00e1; muitos procurar\u00e3o obter o teu favor.<\/li>\n<li>Mas os olhos dos \u00edmpios desfalecer\u00e3o, e para eles n\u00e3o haver\u00e1 ref\u00fagio; a sua esperan\u00e7a ser\u00e1 o expirar.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"12\"><\/a>J\u00f3 12<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu, dizendo:<\/li>\n<li>Sem d\u00favida v\u00f3s sois o povo, e convosco morrer\u00e1 a sabedoria.<\/li>\n<li>Mas eu tenho entendimento como, vos; eu n\u00e3o vos sou inferior. Quem n\u00e3o sabe tais coisas como essas?<\/li>\n<li>Sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invocava a Deus, e ele me respondia: o justo e reto servindo de irris\u00e3o!<\/li>\n<li>No pensamento de quem est\u00e1 seguro h\u00e1 desprezo para a desgra\u00e7a; ela est\u00e1 preparada para aquele cujos p\u00e9s resvalam.<\/li>\n<li>As tendas dos assoladores t\u00eam descanso, e os que provocam a Deus est\u00e3o seguros; os que trazem o seu deus na m\u00e3o!<\/li>\n<li>Mas, pergunta agora \u00e0s alim\u00e1rias, e elas te ensinar\u00e3o; e \u00e0s aves do c\u00e9u, e elas te far\u00e3o saber;<\/li>\n<li>ou fala com a terra, e ela te ensinar\u00e1; at\u00e9 os peixes o mar to declarar\u00e3o.<\/li>\n<li>Qual dentre todas estas coisas n\u00e3o sabe que a m\u00e3o do Senhor fez isto?<\/li>\n<li>Na sua m\u00e3o est\u00e1 a vida de todo ser vivente, e o esp\u00edrito de todo o g\u00eanero humano.<\/li>\n<li>Porventura o ouvido n\u00e3o prova as palavras, como o paladar prova o alimento?<\/li>\n<li>Com os anci\u00e3os est\u00e1 a sabedoria, e na longura de dias o entendimento.<\/li>\n<li>Com Deus est\u00e1 a sabedoria e a for\u00e7a; ele tem conselho e entendimento.<\/li>\n<li>Eis que ele derriba, e n\u00e3o se pode reedificar; ele encerra na pris\u00e3o, e n\u00e3o se pode abrir.<\/li>\n<li>Ele ret\u00e9m as \u00e1guas, e elas secam; solta-as, e elas inundam a terra.<\/li>\n<li>Com ele est\u00e1 a for\u00e7a e a sabedoria; s\u00e3o dele o enganado e o enganador.<\/li>\n<li>Aos conselheiros leva despojados, e aos ju\u00edzes faz desvairar.<\/li>\n<li>Solta o cinto dos reis, e lhes ata uma corda aos lombos.<\/li>\n<li>Aos sacerdotes leva despojados, e aos poderosos transtorna.<\/li>\n<li>Aos que s\u00e3o dignos da confian\u00e7a emudece, e tira aos anci\u00e3os o discernimento.<\/li>\n<li>Derrama desprezo sobre os pr\u00edncipes, e afrouxa o cinto dos fortes.<\/li>\n<li>Das trevas descobre coisas profundas, e traz para a luz a sombra da morte.<\/li>\n<li>Multiplica as na\u00e7\u00f5es e as faz perecer; alarga as fronteiras das na\u00e7\u00f5es, e as leva cativas.<\/li>\n<li>Tira o entendimento aos chefes do povo da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.<\/li>\n<li>Eles andam nas trevas \u00e0s apalpadelas, sem luz, e ele os faz cambalear como um \u00e9brio.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"13\"><\/a>J\u00f3 13<\/h3>\n<ol>\n<li>Eis que os meus olhos viram tudo isto, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.<\/li>\n<li>O que v\u00f3s sabeis tamb\u00e9m eu o sei; n\u00e3o vos sou inferior.<\/li>\n<li>Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me perante Deus.<\/li>\n<li>V\u00f3s, por\u00e9m, sois forjadores de mentiras, e v\u00f3s todos, m\u00e9dicos que n\u00e3o valem nada.<\/li>\n<li>Oxal\u00e1 vos cal\u00e1sseis de todo, pois assim passar\u00edeis por s\u00e1bios.<\/li>\n<li>Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos meus l\u00e1bios.<\/li>\n<li>Falareis falsamente por Deus, e por ele proferireis mentiras?<\/li>\n<li>Fareis aceita\u00e7\u00e3o da sua pessoa? Contendereis a favor de Deus?<\/li>\n<li>Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como quem zomba de um homem?<\/li>\n<li>Certamente vos repreender\u00e1, se em oculto vos deixardes levar de respeitos humanos.<\/li>\n<li>N\u00e3o vos amedrontar\u00e1 a sua majestade? E n\u00e3o cair\u00e1 sobre v\u00f3s o seu terror?<\/li>\n<li>As vossas m\u00e1ximas s\u00e3o prov\u00e9rbios de cinza; as vossas defesas s\u00e3o torres de barro.<\/li>\n<li>Calai-vos perante mim, para que eu fale, e venha sobre mim o que vier.<\/li>\n<li>Tomarei a minha carne entre os meus dentes, e porei a minha vida na minha m\u00e3o.<\/li>\n<li>Eis que ele me matar\u00e1; n\u00e3o tenho esperan\u00e7a; contudo defenderei os meus caminhos diante dele.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m isso ser\u00e1 a minha salva\u00e7\u00e3o, pois o \u00edmpio n\u00e3o vir\u00e1 perante ele.<\/li>\n<li>Ouvi atentamente as minhas palavras, e chegue aos vossos ouvidos a minha declara\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Eis que j\u00e1 pus em ordem a minha causa, e sei que serei achado justo:<\/li>\n<li>Quem \u00e9 o que contender\u00e1 comigo? Pois ent\u00e3o me calaria e renderia o esp\u00edrito.<\/li>\n<li>Concede-me somente duas coisas; ent\u00e3o n\u00e3o me esconderei do teu rosto:<\/li>\n<li>desvia a tua m\u00e3o rara longe de mim, e n\u00e3o me amedronte o teu terror.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o chama tu, e eu responderei; ou eu falarei, e me responde tu.<\/li>\n<li>Quantas iniq\u00fcidades e pecados tenho eu? Faze-me saber a minha transgress\u00e3o e o meu pecado.<\/li>\n<li>Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?<\/li>\n<li>Acossar\u00e1s uma folha arrebatada pelo vento? E perseguir\u00e1s o restolho seco?<\/li>\n<li>Pois escreves contra mim coisas amargas, e me fazes herdar os erros da minha mocidade;<\/li>\n<li>tamb\u00e9m p\u00f5es no tronco os meus p\u00e9s, e observas todos os meus caminhos, e marcas um termo ao redor dos meus p\u00e9s,<\/li>\n<li>apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome, e como um vestido, ao qual r\u00f3i a tra\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"14\"><\/a>J\u00f3 14<\/h3>\n<ol>\n<li>O homem, nascido da mulher, \u00e9 de poucos dias e cheio de inquieta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Nasce como a flor, e murcha; foge tamb\u00e9m como a sombra, e n\u00e3o permanece.<\/li>\n<li>Sobre esse tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar em ju\u00edzo contigo?<\/li>\n<li>Quem do imundo tirar\u00e1 o puro? Ningu\u00e9m.<\/li>\n<li>Visto que os seus dias est\u00e3o determinados, contigo est\u00e1 o n\u00famero dos seus meses; tu lhe puseste limites, e ele n\u00e3o poder\u00e1 passar al\u00e9m deles.<\/li>\n<li>Desvia dele o teu rosto, para que ele descanse e, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia.<\/li>\n<li>Porque h\u00e1 esperan\u00e7a para a \u00e1rvore, que, se for cortada, ainda torne a brotar, e que n\u00e3o cessem os seus renovos.<\/li>\n<li>Ainda que envelhe\u00e7a a sua raiz na terra, e morra o seu tronco no p\u00f3,<\/li>\n<li>contudo ao cheiro das \u00e1guas brotar\u00e1, e lan\u00e7ar\u00e1 ramos como uma planta nova.<\/li>\n<li>O homem, por\u00e9m, morre e se desfaz; sim, rende o homem o esp\u00edrito, e ent\u00e3o onde est\u00e1?<\/li>\n<li>Como as \u00e1guas se retiram de um lago, e um rio se esgota e seca,<\/li>\n<li>assim o homem se deita, e n\u00e3o se levanta; at\u00e9 que n\u00e3o haja mais c\u00e9us n\u00e3o acordar\u00e1 nem ser\u00e1 despertado de seu sono.<\/li>\n<li>Oxal\u00e1 me escondesses no Seol, e me ocultasses at\u00e9 que a tua ira tenha passado; que me determinasses um tempo, e te lembrasses de mim!<\/li>\n<li>Morrendo o homem, acaso tornar\u00e1 a viver? Todos os dias da minha lida esperaria eu, at\u00e9 que viesse a minha mudan\u00e7a.<\/li>\n<li>Chamar-me-ias, e eu te responderia; almejarias a obra de tuas m\u00e3os.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o contarias os meus passos; n\u00e3o estarias a vigiar sobre o meu pecado;<\/li>\n<li>a minha transgress\u00e3o estaria selada num saco, e ocultarias a minha iniq\u00fcidade.<\/li>\n<li>Mas, na verdade, a montanha cai e se desfaz, e a rocha se remove do seu lugar.<\/li>\n<li>As \u00e1guas gastam as pedras; as enchentes arrebatam o solo; assim tu fazes perecer a esperan\u00e7a do homem.<\/li>\n<li>Prevaleces para sempre contra ele, e ele passa; mudas o seu rosto e o despedes.<\/li>\n<li>Os seus filhos recebem honras, sem que ele o saiba; s\u00e3o humilhados sem que ele o perceba.<\/li>\n<li>Sente as dores do seu pr\u00f3prio corpo somente, e s\u00f3 por si mesmo lamenta.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"15\"><\/a>J\u00f3 15<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Elifaz, o temanita:<\/li>\n<li>Porventura responder\u00e1 o s\u00e1bio com ci\u00eancia de vento? E encher\u00e1 do vento oriental o seu ventre,<\/li>\n<li>arg\u00fcindo com palavras que de nada servem, ou com raz\u00f5es com que ele nada aproveita?<\/li>\n<li>Na verdade tu destr\u00f3is a rever\u00eancia, e impedes a medita\u00e7\u00e3o diante de Deus.<\/li>\n<li>Pois a tua iniq\u00fcidade ensina a tua boca, e escolhes a l\u00edngua dos astutos.<\/li>\n<li>A tua pr\u00f3pria boca te condena, e n\u00e3o eu; e os teus l\u00e1bios testificam contra ti.<\/li>\n<li>\u00c9s tu o primeiro homem que nasceu? Ou foste dado \u00e0 luz antes dos outeiros?<\/li>\n<li>Ou ouviste o secreto conselho de Deus? E a ti s\u00f3 reservas a sabedoria?<\/li>\n<li>Que sabes tu, que n\u00f3s n\u00e3o saibamos; que entendes, que n\u00e3o haja em n\u00f3s?<\/li>\n<li>Conosco est\u00e3o os encanecidos e idosos, mais idosos do que teu pai.<\/li>\n<li>Porventura fazes pouco caso das consola\u00e7\u00f5es de Deus, ou da palavra que te trata benignamente?<\/li>\n<li>Por que te arrebata o teu cora\u00e7\u00e3o, e por que flamejam os teus olhos,<\/li>\n<li>de modo que voltas contra Deus o te\u00fa esp\u00edrito, e deixas sair tais palavras da tua boca?<\/li>\n<li>Que \u00e9 o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo?<\/li>\n<li>Eis que Deus n\u00e3o confia nos seus santos, e nem o c\u00e9u \u00e9 puro aos seus olhos;<\/li>\n<li>quanto menos o homem abomin\u00e1vel e corrupto, que bebe a iniq\u00fcidade como a \u00e1gua?<\/li>\n<li>Escuta-me e to mostrarei; contar-te-ei o que tenho visto<\/li>\n<li>(o que os s\u00e1bios t\u00eam anunciado e seus pais n\u00e3o o ocultaram;<\/li>\n<li>aos quais somente era dada a terra, n\u00e3o havendo estranho algum passado por entre eles);<\/li>\n<li>Todos os dias passa o \u00edmpio em ang\u00fastia, sim, todos os anos que est\u00e3o reservados para o opressor.<\/li>\n<li>O sonido de terrores est\u00e1 nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrev\u00e9m o assolador.<\/li>\n<li>Ele n\u00e3o cr\u00ea que tornar\u00e1 das trevas, mas que o espera a espada.<\/li>\n<li>Anda vagueando em busca de p\u00e3o, dizendo: Onde est\u00e1? Bem sabe que o dia das trevas lhe est\u00e1 perto, \u00e0 m\u00e3o.<\/li>\n<li>Amedrontam-no a ang\u00fastia e a tribula\u00e7\u00e3o; prevalecem contra ele, como um rei preparado para a peleja.<\/li>\n<li>Porque estendeu a sua m\u00e3o contra Deus, e contra o Todo-Poderoso se porta com soberba;<\/li>\n<li>arremete contra ele com dura cerviz, e com as sali\u00eancias do seu escudo;<\/li>\n<li>porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou carne gorda nas ilhargas;<\/li>\n<li>e habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguem deveria morar, que estavam a ponto de tornar-se em mont\u00f5es de ru\u00ednas;<\/li>\n<li>n\u00e3o se enriquecer\u00e1, nem subsistir\u00e1 a sua fazenda, nem se estender\u00e3o pela terra as suas possess\u00f5es.<\/li>\n<li>N\u00e3o escapar\u00e1 das trevas; a chama do fogo secar\u00e1 os seus ramos, e ao sopro da boca de Deus desaparecer\u00e1.<\/li>\n<li>N\u00e3o confie na vaidade, enganando-se a si mesmo; pois a vaidade ser\u00e1 a sua recompensa.<\/li>\n<li>Antes do seu dia se cumprir\u00e1, e o seu ramo n\u00e3o reverdecer\u00e1.<\/li>\n<li>Sacudir\u00e1 as suas uvas verdes, como a vide, e deixar\u00e1 cair a sua flor como a oliveira.<\/li>\n<li>Pois a assembl\u00e9ia dos \u00edmpios \u00e9 est\u00e9ril, e o fogo consumir\u00e1 as tendas do suborno.<\/li>\n<li>Concebem a mal\u00edcia, e d\u00e3o \u00e0 luz a iniq\u00fcidade, e o seu cora\u00e7\u00e3o prepara enganos.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"16\"><\/a>J\u00f3 16<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu, dizendo:<\/li>\n<li>Tenho ouvido muitas coisas como essas; todos v\u00f3s sois consoladores molestos.<\/li>\n<li>N\u00e3o ter\u00e3o fim essas palavras de vento? Ou que \u00e9 o que te provoca, para assim responderes?<\/li>\n<li>Eu tamb\u00e9m poderia falar como v\u00f3s falais, se v\u00f3s estiv\u00e9sseis em meu lugar; eu poderia amontoar palavras contra v\u00f3s, e contra v\u00f3s menear a minha cabe\u00e7a;<\/li>\n<li>poderia fortalecer-vos com a minha boca, e a consola\u00e7\u00e3o dos meus l\u00e1bios poderia mitigar a vossa dor.<\/li>\n<li>Ainda que eu fale, a minha dor na\u00f5 se mitiga; e embora me cale, qual \u00e9 o meu al\u00edvio?<\/li>\n<li>Mas agora, \u00f3 Deus, me deixaste exausto; assolaste toda a minha companhia.<\/li>\n<li>Tu me emagreceste, e isso constitui uma testemunha contra mim; contra mim se levanta a minha magreza, e o meu rosto testifica contra mim.<\/li>\n<li>Na sua ira ele me despeda\u00e7ou, e me perseguiu; rangeu os dentes contra mim; o meu advers\u00e1rio agu\u00e7a os seus olhos contra mim.<\/li>\n<li>Os homens abrem contra mim a boca; com desprezo me ferem nas faces, e contra mim se ajuntam \u00e0 uma.<\/li>\n<li>Deus me entrega ao \u00edmpio, nas m\u00e3os dos in\u00edquos me faz cair.<\/li>\n<li>Descansado estava eu, e ele me quebrantou; e pegou-me pelo pesco\u00e7o, e me despeda\u00e7ou; colocou-me por seu alvo;<\/li>\n<li>cercam-me os seus flecheiros. Atravessa-me os rins, e n\u00e3o me poupa; derrama o meu fel pela terra.<\/li>\n<li>Quebranta-me com golpe sobre golpe; arremete contra mim como um guerreiro.<\/li>\n<li>Sobre a minha pele cosi saco, e deitei a minha gl\u00f3ria no p\u00f3.<\/li>\n<li>O meu rosto todo est\u00e1 inflamado de chorar, e h\u00e1 sombras escuras sobre as minhas p\u00e1lpebras,<\/li>\n<li>embora n\u00e3o haja viol\u00eancia nas minhas maos, e seja pura a minha ora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>\u00f3 terra, n\u00e3o cubras o meu sangue, e n\u00e3o haja lugar em que seja abafado o meu clamor!<\/li>\n<li>Eis que agora mesmo a minha testemunha est\u00e1 no c\u00e9u, e o meu fiador nas alturas.<\/li>\n<li>Os meus amigos zombam de mim; mas os meus olhos se desfazem em l\u00e1grimas diante de Deus,<\/li>\n<li>para que ele defenda o direito que o homem tem diante de Deus e o que o filho do homem tem perante, o seu proximo.<\/li>\n<li>Pois quando houver decorrido poucos anos, eu seguirei o caminho por onde n\u00e3o tornarei.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"17\"><\/a>J\u00f3 17<\/h3>\n<ol>\n<li>O meu esp\u00edrito est\u00e1 quebrantado, os meus dias se extinguem, a sepultura me est\u00e1 preparada!<\/li>\n<li>Deveras estou cercado de zombadores, e os meus olhos contemplam a sua provoca\u00e7\u00e3o!<\/li>\n<li>D\u00e1-me, pe\u00e7o-te, um penhor, e s\u00ea o meu fiador para contigo; quem mais h\u00e1 que me d\u00ea a m\u00e3o?<\/li>\n<li>Porque aos seus cora\u00e7\u00f5es encobriste o entendimento, pelo que n\u00e3o os exaltar\u00e1s.<\/li>\n<li>Quem entrega os seus amigos como presa, os olhos de seus filhos desfalecer\u00e3o.<\/li>\n<li>Mas a mim me p\u00f4s por motejo dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe.<\/li>\n<li>De m\u00e1goa se escureceram os meus olhos, e todos os meus membros s\u00e3o como a sombra.<\/li>\n<li>Os retos pasmam disso, e o inocente se levanta contra o \u00edmpio.<\/li>\n<li>Contudo o justo prossegue no seu caminho e o que tem m\u00e3os puras vai crescendo em for\u00e7a.<\/li>\n<li>Mas tornai v\u00f3s todos, e vinde, e s\u00e1bio nenhum acharei entre v\u00f3s.<\/li>\n<li>Os meus dias passaram, malograram-se os meus prop\u00f3sitos, as aspira\u00e7\u00f5es do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Trocam a noite em dia; dizem que a luz est\u00e1 perto das trevas. el,<\/li>\n<li>Se eu olhar o Seol como a minha casa, se nas trevas estender a minha cama,<\/li>\n<li>se eu clamar \u00e0 cova: Tu \u00e9s meu pai; e aos vermes: V\u00f3s sois minha m\u00e3e e minha irm\u00e3;<\/li>\n<li>onde est\u00e1 ent\u00e3o a minha esperan\u00e7a? Sim, a minha esperan\u00e7a, quem a poder\u00e1 ver?<\/li>\n<li>Acaso descer\u00e1 comigo at\u00e9 os ferrolhos do Seol? Descansaremos juntos no p\u00f3?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"18\"><\/a>J\u00f3 18<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Bildade, o su\u00edta:<\/li>\n<li>At\u00e9 quando estareis \u00e0 procura de palavras? considerai bem, e ent\u00e3o falaremos.<\/li>\n<li>Por que somos tratados como gado, e como estultos aos vossos olhos?<\/li>\n<li>Oh tu, que te despeda\u00e7as na tua ira, acaso por amor de ti ser\u00e1 abandonada a terra, ou ser\u00e1 a rocha removida do seu lugar?<\/li>\n<li>Na verdade, a luz do \u00edmpio se apagar\u00e1, e n\u00e3o resplandecer\u00e1 a chama do seu fogo.<\/li>\n<li>A luz se escurecer\u00e1 na sua tenda, e a l\u00e2mpada que est\u00e1 sobre ele se apagar\u00e1.<\/li>\n<li>Os seus passos firmes se estreitar\u00e3o, e o seu pr\u00f3prio conselho o derribar\u00e1.<\/li>\n<li>Pois por seus pr\u00f3prios p\u00e9s \u00e9 ele lan\u00e7ado na rede, e pisa nos la\u00e7os armados.<\/li>\n<li>A armadilha o apanha pelo calcanhar, e o la\u00e7o o prende;<\/li>\n<li>a corda do mesmo est\u00e1-lhe escondida na terra, e uma armadilha na vereda.<\/li>\n<li>Terrores o amedrontam de todos os lados, e de perto lhe perseguem os p\u00e9s.<\/li>\n<li>O seu vigor \u00e9 diminu\u00eddo pela fome, e a destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 pronta ao seu lado.<\/li>\n<li>S\u00e3o devorados os membros do seu corpo; sim, o primog\u00eanito da morte devora os seus membros.<\/li>\n<li>Arrancado da sua tenda, em que confiava, \u00e9 levado ao rei dos terrores.<\/li>\n<li>Na sua tenda habita o que n\u00e3o lhe pertence; espalha-se enxofre sobre a sua habita\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Por baixo se secam as suas ra\u00edzes, e por cima s\u00e3o cortados os seus ramos.<\/li>\n<li>A sua mem\u00f3ria perece da terra, e pelas pra\u00e7as n\u00e3o tem nome.<\/li>\n<li>\u00c9 lan\u00e7ado da luz para as trevas, e afugentado do mundo.<\/li>\n<li>N\u00e3o tem filho nem neto entre o seu povo, e descendente nenhum lhe ficar\u00e1 nas moradas.<\/li>\n<li>Do seu dia pasmam os do ocidente, assim como os do oriente ficam sobressaltados de horror.<\/li>\n<li>Tais s\u00e3o, na verdade, as moradas do, impio, e tal \u00e9 o lugar daquele que n\u00e3o conhece a Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"19\"><\/a>J\u00f3 19<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu:<\/li>\n<li>At\u00e9 quando afligireis a minha alma, e me atormentareis com palavras?<\/li>\n<li>J\u00e1 dez vezes me haveis humilhado; n\u00e3o vos envergonhais de me maltratardes?<\/li>\n<li>Embora haja eu, na verdade, errado, comigo fica o meu erro.<\/li>\n<li>Se deveras vos quereis engrandecer contra mim, e me incriminar pelo meu opr\u00f3brio,<\/li>\n<li>sabei ent\u00e3o que Deus \u00e9 o que transtornou a minha causa, e com a sua rede me cercou.<\/li>\n<li>Eis que clamo: Viol\u00eancia! mas n\u00e3o sou ouvido; grito: Socorro! mas n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a.<\/li>\n<li>com muros fechou ele o meu caminho, de modo que n\u00e3o posso passar; e p\u00f4s trevas nas minhas veredas.<\/li>\n<li>Da minha honra me despojou, e tirou-me da cabe\u00e7a a coroa.<\/li>\n<li>Quebrou-me de todos os lados, e eu me vou; arrancou a minha esperan\u00e7a, como a, uma \u00e1rvore.<\/li>\n<li>Acende contra mim a sua ira, e me considera como um de seus advers\u00e1rios.<\/li>\n<li>Juntas as suas tropas avan\u00e7am, levantam contra mim o seu caminho, e se acampam ao redor da minha tenda.<\/li>\n<li>Ele p\u00f4s longe de mim os meus irm\u00e3os, e os que me conhecem tornaram-se estranhos para mim.<\/li>\n<li>Os meus parentes se afastam, e os meus conhecidos se esquecem de, mim.<\/li>\n<li>Os meus dom\u00e9sticos e as minhas servas me t\u00eam por estranho; vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.<\/li>\n<li>Chamo ao meu criado, e ele n\u00e3o me responde; tenho que suplicar-lhe com a minha boca.<\/li>\n<li>O meu h\u00c1lito \u00e9 intoler\u00e1vel \u00e0 minha mulher; sou repugnante aos filhos de minh\u00e3 mae.<\/li>\n<li>At\u00e9 os pequeninos me desprezam; quando me levanto, falam contra mim.<\/li>\n<li>Todos os meus amigos \u00edntimos me abominam, e at\u00e9 os que eu amava se tornaram contra mim.<\/li>\n<li>Os meus ossos se apegam \u00e0 minha pele e \u00e0 minha carne, e s\u00f3 escapei com a pele dos meus dentes.<\/li>\n<li>Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos de mim; pois a m\u00e3o de Deus me tocou.<\/li>\n<li>Por que me perseguis assim como Deus, e da minha carne n\u00e3o vos fartais?<\/li>\n<li>Oxal\u00e1 que as minhas palavras fossem escritas! Oxal\u00e1 que fossem gravadas num livro!<\/li>\n<li>Que, com pena de ferro, e com chumbo, fossem para sempre esculpidas na rocha!<\/li>\n<li>Pois eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantar\u00e1 sobre a terra.<\/li>\n<li>E depois de consumida esta minha pele, ent\u00e3o fora da minha carne verei a Deus;<\/li>\n<li>v\u00ea-lo-ei ao meu lado, e os meus olhos o contemplar\u00e3o, e n\u00e3o mais como advers\u00e1rio. O meu cora\u00e7\u00e3o desfalece dentro de mim!<\/li>\n<li>Se disserdes: Como o havemos de perseguir! e que a causa deste mal se acha em mim,<\/li>\n<li>temei v\u00f3s a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes que h\u00e1 um ju\u00edzo.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"20\"><\/a>J\u00f3 20<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Zofar, o naamatita:<\/li>\n<li>Ora, os meus pensamentos me fazem responder, e por isso eu me apresso.<\/li>\n<li>Estou ouvindo a tua repreens\u00e3o, que me envergonha, mas o esp\u00edrito do meu entendimento responde por mim.<\/li>\n<li>N\u00e3o sabes tu que desde a antig\u00fcidade, desde que o homem foi posto sobre a terra,<\/li>\n<li>o triunfo dos in\u00edquos \u00e9 breve, e a alegria dos \u00edmpios \u00e9 apenas dum momento?<\/li>\n<li>Ainda que a sua exalta\u00e7\u00e3o suba at\u00e9 o ceu, e a sua cabe\u00e7a chegue at\u00e9 as nuvens,<\/li>\n<li>contudo, como o seu pr\u00f3prio esterco, perecer\u00e1 para sempre; e os que o viam perguntar\u00e3o: Onde est\u00e1?<\/li>\n<li>Dissipar-se-\u00e1 como um sonho, e n\u00e3o ser\u00e1 achado; ser\u00e1 afugentado qual uma vis\u00e3o da noite.<\/li>\n<li>Os olhos que o viam n\u00e3o o ver\u00e3o mais, nem o seu lugar o contemplar\u00e1 mais.<\/li>\n<li>Os seus filhos procurar\u00e3o o favor dos pobres, e as suas m\u00e3os restituir\u00e3o os seus lucros il\u00edcitos.<\/li>\n<li>Os seus ossos est\u00e3o cheios do vigor da sua juventude, mas este se deitar\u00e1 com ele no p\u00f3.<\/li>\n<li>Ainda que o mal lhe seja doce na boca, ainda que ele o esconda debaixo da sua l\u00edngua,<\/li>\n<li>ainda que n\u00e3o o queira largar, antes o retenha na sua boca,<\/li>\n<li>contudo a sua comida se transforma nas suas entranhas; dentro dele se torna em fel de \u00e1spides.<\/li>\n<li>Engoliu riquezas, mas vomit\u00e1-las-\u00e1; do ventre dele Deus as lan\u00e7ar\u00e1.<\/li>\n<li>Veneno de \u00e1spides sorver\u00e1, l\u00edngua de v\u00edbora o matar\u00e1.<\/li>\n<li>N\u00e3o ver\u00e1 as correntes, os rios e os ribeiros de mel e de manteiga.<\/li>\n<li>O que adquiriu pelo trabalho, isso restituir\u00e1, e n\u00e3o o engolir\u00e1; n\u00e3o se regozijar\u00e1 conforme a fazenda que ajuntou.<\/li>\n<li>Pois que oprimiu e desamparou os pobres, e roubou a casa que n\u00e3o edificou.<\/li>\n<li>Porquanto n\u00e3o houve limite \u00e0 sua cobi\u00e7a, nada salvar\u00e1 daquilo em que se deleita.<\/li>\n<li>Nada escapou \u00e0 sua voracidade; pelo que a sua prosperidade n\u00e3o perdurar\u00e1.<\/li>\n<li>Na plenitude da sua abastan\u00e7a, estar\u00e1 angustiado; toda a for\u00e7a da mis\u00e9ria vir\u00e1 sobre ele.<\/li>\n<li>Mesmo estando ele a encher o seu est\u00f4mago, Deus mandar\u00e1 sobre ele o ardor da sua ira, que far\u00e1 chover sobre ele quando for comer.<\/li>\n<li>Ainda que fuja das armas de ferro, o arco de bronze o atravessar\u00e1.<\/li>\n<li>Ele arranca do seu corpo a flecha, que sai resplandecente do seu fel; terrores v\u00eam sobre ele.<\/li>\n<li>Todas as trevas s\u00e3o reservadas paro os seus tesouros; um fogo n\u00e3o assoprado o consumir\u00e1, e devorar\u00e1 o que ficar na sua tenda.<\/li>\n<li>Os c\u00e9us revelar\u00e3o a sua iniq\u00fcidade, e contra ele a terra se levantar\u00e1.<\/li>\n<li>As rendas de sua casa ir-se-\u00e3o; no dia da ira de Deus todas se derramar\u00e3o.<\/li>\n<li>Esta, da parte de Deus, \u00e9 a por\u00e7\u00e3o do \u00edmpio; esta \u00e9 a heran\u00e7a que Deus lhe reserva.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"21\"><\/a>J\u00f3 21<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu:<\/li>\n<li>Ouvi atentamente as minhas palavras; seja isto a vossa consola\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Sofrei-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, zombai.<\/li>\n<li>\u00c9 porventura do homem que eu me queixo? Mas, ainda que assim fosse, n\u00e3o teria motivo de me impacientar?<\/li>\n<li>Olhai para mim, e pasmai, e ponde a m\u00e3o sobre a boca.<\/li>\n<li>Quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne estremece de horror.<\/li>\n<li>Por que raz\u00e3o vivem os \u00edmpios, envelhecem, e ainda se robustecem em poder?<\/li>\n<li>Os seus filhos se estabelecem \u00e0 vista deles, e os seus descendentes perante os seus olhos.<\/li>\n<li>As suas casas est\u00e3o em paz, sem temor, e a vara de Deus n\u00e3o est\u00e1 sobre eles.<\/li>\n<li>O seu touro gera, e n\u00e3o falha; pare a sua vaca, e n\u00e3o aborta.<\/li>\n<li>Eles fazem sair os seus pequeninos, como a um rebanho, e suas crian\u00e7as andam saltando.<\/li>\n<li>Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e regozijam-se ao som da flauta.<\/li>\n<li>Na prosperidade passam os seus dias, e num momento descem ao Seol.<\/li>\n<li>Eles dizem a Deus: retira-te de n\u00f3s, pois n\u00e3o desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.<\/li>\n<li>Que \u00e9 o Todo-Poderoso, para que n\u00f3s o sirvamos? E que nos aproveitar\u00e1, se lhe fizermos ora\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<li>Vede, por\u00e9m, que eles n\u00e3o t\u00eam na m\u00e3o a prosperidade; esteja longe de mim o conselho dos \u00edmpios!<\/li>\n<li>Quantas vezes sucede que se apague a l\u00e2mpada dos \u00edmpios? que lhes sobrevenha a sua destrui\u00e7\u00e3o? que Deus na sua ira lhes reparta dores?<\/li>\n<li>que eles sejam como a palha diante do vento, e como a pragana, que o redemoinho arrebata?<\/li>\n<li>Deus, dizeis v\u00f3s, reserva a iniq\u00fcidade do pai para seus filhos, mas \u00e9 a ele mesmo que Deus deveria punir, para que o conhe\u00e7a.<\/li>\n<li>Vejam os seus pr\u00f3prios olhos a sua ruina, e beba ele do furor do Todo-Poderoso.<\/li>\n<li>Pois, que lhe importa a sua casa depois de morto, quando lhe for cortado o n\u00famero dos seus meses?<\/li>\n<li>Acaso se ensinar\u00e1 ci\u00eancia a Deus, a ele que julga os excelsos?<\/li>\n<li>Um morre em plena prosperidade, inteiramente sossegado e tranq\u00fcilo;<\/li>\n<li>com os seus baldes cheios de leite, e a medula dos seus ossos umedecida.<\/li>\n<li>Outro, ao contr\u00e1rio, morre em amargura de alma, n\u00e3o havendo provado do bem.<\/li>\n<li>Juntamente jazem no p\u00f3, e os vermes os cobrem.<\/li>\n<li>Eis que conhe\u00e7o os vossos pensamentos, e os maus intentos com que me fazeis injusti\u00e7a.<\/li>\n<li>Pois dizeis: Onde est\u00e1 a casa do pr\u00edncipe, e onde a tenda em que morava o \u00edmpio?<\/li>\n<li>Porventura n\u00e3o perguntastes aos viandantes? e n\u00e3o aceitais o seu testemunho,<\/li>\n<li>de que o mau \u00e9 preservado no dia da destrui\u00e7\u00e3o, e poupado no dia do furor?<\/li>\n<li>Quem acusar\u00e1 diante dele o seu caminho? e quem lhe dar\u00e1 o pago do que fez?<\/li>\n<li>Ele \u00e9 levado para a sepultura, e vigiam-lhe o t\u00famulo.<\/li>\n<li>Os torr\u00f5es do vale lhe s\u00e3o doces, e o seguir\u00e3o todos os homens, como ele o fez aos inumer\u00e1veis que o precederam.<\/li>\n<li>Como, pois, me ofereceis consola\u00e7\u00f5es v\u00e3s, quando nas vossas respostas s\u00f3 resta falsidade?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"22\"><\/a>J\u00f3 22<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Elifaz, o temanita:<\/li>\n<li>Pode o homem ser de algum proveito a Deus? Antes a si mesmo \u00e9 que o prudent\u00e9 ser\u00e1 proveitoso.<\/li>\n<li>Tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro em que tu fa\u00e7as perfeitos os teus caminhos?<\/li>\n<li>\u00c9 por causa da tua rever\u00eancia que te repreende, ou que entra contigo em ju\u00edzo?<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 grande a tua mal\u00edcia, e sem termo as tuas iniq\u00fcidades?<\/li>\n<li>Pois sem causa tomaste penh\u00f4res a teus irmaos e aos nus despojaste dos vestidos.<\/li>\n<li>N\u00e3o deste ao cansado \u00e1gua a beber, e ao faminto retiveste o p\u00e3o.<\/li>\n<li>Mas ao poderoso pertencia a terra, e o homem acatado habitava nela.<\/li>\n<li>Despediste vazias as vi\u00favas, e os bra\u00e7os dos \u00f3rf\u00e3os foram quebrados.<\/li>\n<li>Por isso \u00e9 que est\u00e1s cercado de la\u00e7os, e te perturba um pavor repentino,<\/li>\n<li>ou trevas de modo que nada podes ver, e a inunda\u00e7\u00e3o de \u00e1guas te cobre.<\/li>\n<li>N\u00e3o est\u00e1 Deus na altura do c\u00e9u? Olha para as mais altas estrelas, qu\u00e3o elevadas est\u00e3o!<\/li>\n<li>E dizes: Que sabe Deus? Pode ele julgar atrav\u00e9s da escurid\u00e3o?<\/li>\n<li>Grossas nuvens o encobrem, de modo que n\u00e3o pode ver; e ele passeia em volta da ab\u00f3bada do c\u00e9u.<\/li>\n<li>Queres seguir a vereda antiga, que pisaram os homens in\u00edquos?<\/li>\n<li>Os quais foram arrebatados antes do seu tempo; e o seu fundamento se derramou qual um rio.<\/li>\n<li>Diziam a Deus: retira-te de n\u00f3s; e ainda: Que \u00e9 que o Todo-Poderoso nos pode fazer?<\/li>\n<li>Contudo ele encheu de bens as suas casas. Mas longe de mim estejam os conselhos dos \u00edmpios!<\/li>\n<li>Os justos o v\u00eaem, e se alegram: e os inocentes escarnecem deles,<\/li>\n<li>dizendo: Na verdade s\u00e3o exterminados os nossos advers\u00e1rios, e o fogo consumiu o que deixaram.<\/li>\n<li>Apega-te, pois, a Deus, e tem paz, e assim te sobrevir\u00e1 o bem.<\/li>\n<li>Aceita, pe\u00e7o-te, a lei da sua boca, e p\u00f5e as suas palavras no teu cora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Se te voltares para o Todo-Poderoso, ser\u00e1s edificado; se lan\u00e7ares a iniq\u00fcidade longe da tua tenda,<\/li>\n<li>e deitares o teu tesouro no p\u00f3, e o ouro de Ofir entre as pedras dos ribeiros,<\/li>\n<li>ent\u00e3o o Todo-Poderoso ser\u00e1 o teu tesouro, e a tua prata preciosa.<\/li>\n<li>Pois ent\u00e3o te deleitar\u00e1s no Todo-Poderoso, e levantar\u00e1s o teu rosto para Deus.<\/li>\n<li>Tu orar\u00e1s a ele, e ele te ouvir\u00e1; e pagar\u00e1s os teus votos.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m determinar\u00e1s algum neg\u00f3cio, e ser-te-\u00e1 firme, e a luz brilhar\u00e1 em teus caminhos.<\/li>\n<li>Quando te abaterem, dir\u00e1s: haja exalta\u00e7\u00e3o! E Deus salvar\u00e1 ao humilde.<\/li>\n<li>E livrar\u00e1 at\u00e9 o que n\u00e3o \u00e9 inocente, que ser\u00e1 libertado pela pureza de tuas m\u00e3os.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"23\"><\/a>J\u00f3 23<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu:<\/li>\n<li>Ainda hoje a minha queixa est\u00e1 em amargura; o peso da m\u00e3o dele \u00e9 maior do que o meu gemido.<\/li>\n<li>Ah, se eu soubesse onde encontr\u00e1-lo, e pudesse chegar ao seu tribunal!<\/li>\n<li>Exporia ante ele a minha causa, e encheria a minha boca de argumentos.<\/li>\n<li>Saberia as palavras com que ele me respondesse, e entenderia o que me dissesse.<\/li>\n<li>Acaso contenderia ele comigo segundo a grandeza do seu poder? N\u00e3o; antes ele me daria ouvidos.<\/li>\n<li>Ali o reto pleitearia com ele, e eu seria absolvido para sempre por meu Juiz.<\/li>\n<li>Eis que vou adiante, mas n\u00e3o est\u00e1 ali; volto para tr\u00e1s, e n\u00e3o o percebo;<\/li>\n<li>procuro-o \u00e0 esquerda, onde ele opera, mas n\u00e3o o vejo; viro-me para a direita, e n\u00e3o o diviso.<\/li>\n<li>Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro.<\/li>\n<li>Os meus p\u00e9s se mantiveram nas suas pisadas; guardei o seu caminho, e n\u00e3o me desviei dele.<\/li>\n<li>Nunca me apartei do preceito dos seus l\u00e1bios, e escondi no meu peito as palavras da sua boca.<\/li>\n<li>Mas ele est\u00e1 resolvido; quem ent\u00e3o pode desvi\u00e1-lo? E o que ele quiser, isso far\u00e1.<\/li>\n<li>Pois cumprir\u00e1 o que est\u00e1 ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo.<\/li>\n<li>Por isso me perturbo diante dele; e quando considero, tenho medo dele.<\/li>\n<li>Deus macerou o meu cora\u00e7\u00e3o; o Todo-Poderoso me perturbou.<\/li>\n<li>Pois n\u00e3o estou desfalecido por causa das trevas, nem porque a escurid\u00e3o cobre o meu rosto.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"24\"><\/a>J\u00f3 24<\/h3>\n<ol>\n<li>Por que o Todo-Poderoso n\u00e3o designa tempos? e por que os que o conhecem n\u00e3o v\u00eaem os seus dias?<\/li>\n<li>H\u00e1 os que removem os limites; roubam os rebanhos, e os apascentam.<\/li>\n<li>Levam o jumento do \u00f3rf\u00e3o, tomam em penhor o boi da vi\u00fava.<\/li>\n<li>Desviam do caminho os necessitados; e os oprimidos da terra juntos se escondem.<\/li>\n<li>Eis que, como jumentos monteses no deserto, saem eles ao seu trabalho, procurando no ermo a presa que lhes sirva de sustento para seus filhos.<\/li>\n<li>No campo segam o seu pasto, e vindimam a vinha do \u00edmpio.<\/li>\n<li>Passam a noite nus, sem roupa, n\u00e3o tendo coberta contra o frio.<\/li>\n<li>Pelas chuvas das montanhas s\u00e3o molhados e, por falta de abrigo, abra\u00e7am-se com as rochas.<\/li>\n<li>H\u00e1 os que arrancam do peito o \u00f3rf\u00e3o, e tomam o penhor do pobre;<\/li>\n<li>fazem que estes andem nus, sem roupa, e, embora famintos, carreguem os molhos.<\/li>\n<li>Espremem o azeite dentro dos muros daqueles homens; pisam os seus lagares, e ainda t\u00eam sede.<\/li>\n<li>Dentro das cidades gemem os moribundos, e a alma dos feridos clama; e contudo Deus n\u00e3o considera o seu clamor.<\/li>\n<li>H\u00e1 os que se revoltam contra a luz; n\u00e3o conhecem os caminhos dela, e n\u00e3o permanecem nas suas veredas.<\/li>\n<li>O homicida se levanta de madrugada, mata o pobre e o necessitado, e de noite torna-se ladr\u00e3o.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m os olhos do ad\u00faltero aguardam o crep\u00fasculo, dizendo: Ningu\u00e9m me ver\u00e1; e disfar\u00e7a o rosto.<\/li>\n<li>Nas trevas minam as casas; de dia se conservam encerrados; n\u00e3o conhecem a luz.<\/li>\n<li>Pois para eles a profunda escurid\u00e3o \u00e9 a sua manh\u00e3; porque s\u00e3o amigos das trevas espessas.<\/li>\n<li>S\u00e3o levados ligeiramente sobre a face das \u00e1guas; maldita \u00e9 a sua por\u00e7\u00e3o sobre a terra; n\u00e3o tornam pelo caminho das vinhas.<\/li>\n<li>A sequid\u00e3o e o calor desfazem as, \u00e1guas da neve; assim faz o Seol aos que pecaram.<\/li>\n<li>A madre se esquecer\u00e1 dele; os vermes o comer\u00e3o gostosamente; n\u00e3o ser\u00e1 mais lembrado; e a iniq\u00fcidade se quebrar\u00e1 como \u00e1rvore.<\/li>\n<li>Ele despoja a est\u00e9ril que n\u00e3o d\u00e1 \u00e0 luz, e n\u00e3o faz bem \u00e0 vi\u00fava.<\/li>\n<li>Todavia Deus prolonga a vida dos valentes com a sua for\u00e7a; levantam-se quando haviam desesperado da vida.<\/li>\n<li>Se ele lhes d\u00e1 descanso, estribam-se, nisso; e os seus olhos est\u00e3o sobre os caminhos deles.<\/li>\n<li>Eles se exaltam, mas logo desaparecem; s\u00e3o abatidos, colhidos como os demais, e cortados como as espigas do trigo.<\/li>\n<li>Se n\u00e3o \u00e9 assim, quem me desmentir\u00e1 e desfar\u00e1 as minhas palavras?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"25\"><\/a>J\u00f3 25<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Bildade, o su\u00edta:<\/li>\n<li>Com Deus est\u00e3o dom\u00ednio e temor; ele faz reinar a paz nas suas alturas.<\/li>\n<li>Acaso t\u00eam n\u00famero os seus ex\u00e9rcitos? E sobre quem n\u00e3o se levanta a sua luz?<\/li>\n<li>Como, pois, pode o homem ser justo diante de Deus, e como pode ser puro aquele que nasce da mulher?<\/li>\n<li>Eis que at\u00e9 a lua n\u00e3o tem brilho, e as estrelas n\u00e3o s\u00e3o puras aos olhos dele;<\/li>\n<li>quanto menos o homem, que \u00e9 um verme, e o filho do homem, que \u00e9 um vermezinho!<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"26\"><\/a>J\u00f3 26<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu:<\/li>\n<li>Como tens ajudado ao que n\u00e3o tem for\u00e7a e sustentado o bra\u00e7o que n\u00e3o tem vigor!<\/li>\n<li>como tens aconselhado ao que n\u00e3o tem sabedoria, e plenamente tens revelado o verdadeiro conhecimento!<\/li>\n<li>Para quem proferiste palavras? E de quem \u00e9 o esp\u00edrito que saiu de ti?<\/li>\n<li>Os mortos tremem debaixo das \u00e1guas, com os que ali habitam.<\/li>\n<li>O Seol est\u00e1 nu perante Deus, e n\u00e3o h\u00e1 coberta para o Abadom.<\/li>\n<li>Ele estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada.<\/li>\n<li>Prende as \u00e1guas em suas densas nuvens, e a nuvem n\u00e3o se rasga debaixo delas.<\/li>\n<li>Encobre a face do seu trono, e sobre ele estende a sua nuvem.<\/li>\n<li>Marcou um limite circular sobre a superf\u00edcie das \u00e1guas, onde a luz e as trevas se confinam.<\/li>\n<li>As colunas do c\u00e9u tremem, e se espantam da sua amea\u00e7a.<\/li>\n<li>Com o seu poder fez sossegar o mar, e com o seu entendimento abateu a Raabe.<\/li>\n<li>Pelo seu sopro ornou o c\u00e9u; a sua m\u00e3o traspassou a serpente veloz.<\/li>\n<li>Eis que essas coisas s\u00e3o apenas as orlas dos seus caminhos; e qu\u00e3o pequeno \u00e9 o sussurro que dele, ouvimos! Mas o trov\u00e3o do seu poder, quem o poder\u00e1 entender?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"27\"><\/a>J\u00f3 27<\/h3>\n<ol>\n<li>E prosseguindo J\u00f3 em seu discurso, disse:<\/li>\n<li>Vive Deus, que me tirou o direito, e o Todo-Poderoso, que me amargurou a alma;<\/li>\n<li>enquanto em mim houver alento, e o sopro de Deus no meu nariz,<\/li>\n<li>n\u00e3o falar\u00e3o os meus l\u00e1bios iniq\u00fcidade, nem a minha l\u00edngua pronunciar\u00e1 engano.<\/li>\n<li>Longe de mim que eu vos d\u00ea raz\u00e3o; at\u00e9 que eu morra, nunca apartarei de mim a minha integridade.<\/li>\n<li>\u00eb minha justi\u00e7a me apegarei e n\u00e3o a largarei; o meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o reprova dia algum da minha vida.<\/li>\n<li>Seja como o \u00edmpio o meu inimigo, e como o perverso aquele que se levantar contra mim.<\/li>\n<li>Pois qual \u00e9 a esperan\u00e7a do \u00edmpio, quando Deus o cortar, quando Deus lhe arrebatar a alma?<\/li>\n<li>Acaso Deus lhe ouvir\u00e1 o clamor, sobrevindo-lhe a tribula\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Deleitar-se-\u00e1 no Todo-Poderoso, ou invocar\u00e1 a Deus em todo o tempo?<\/li>\n<li>Ensinar-vos-ei acerca do poder de Deus, e n\u00e3o vos encobrirei o que est\u00e1 com o Todo-Poderoso.<\/li>\n<li>Eis que todos v\u00f3s j\u00e1 vistes isso; por que, pois, vos entregais completamente \u00e0 vaidade?<\/li>\n<li>Esta \u00e9 da parte de Deus a por\u00e7\u00e3o do \u00edmpio, e a heran\u00e7a que os opressores recebem do Todo-Poderoso:<\/li>\n<li>Se os seus filhos se multiplicarem, ser\u00e1 para a espada; e a sua prole n\u00e3o se fartar\u00e1 de p\u00e3o.<\/li>\n<li>Os que ficarem dele, pela peste ser\u00e3o sepultados, e as suas vi\u00favas n\u00e3o chorar\u00e3o.<\/li>\n<li>Embora amontoe prata como p\u00f3, e acumule vestes como barro,<\/li>\n<li>ele as pode acumular, mas o justo as vestir\u00e1, e o inocente repartir\u00e1 a prata.<\/li>\n<li>A casa que ele edifica \u00e9 como a teia da aranha, e como a cabana que o guarda faz.<\/li>\n<li>Rico se deita, mas n\u00e3o o far\u00e1 mais; abre os seus olhos, e j\u00e1 se foi a sua riqueza.<\/li>\n<li>Pavores o alcan\u00e7am como um dil\u00favio; de noite o arrebata a tempestade.<\/li>\n<li>O vento oriental leva-o, e ele se vai; sim, varre-o com \u00edmpeto do seu lugar:<\/li>\n<li>Pois atira contra ele, e n\u00e3o o poupa, e ele foge precipitadamente do seu poder.<\/li>\n<li>Bate palmas contra ele, e assobia contra ele do seu lugar.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"28\"><\/a>J\u00f3 28<\/h3>\n<ol>\n<li>Na verdade, h\u00e1 minas donde se extrai a prata, e tamb\u00e9m lugar onde se refina o ouro:<\/li>\n<li>O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o cobre.<\/li>\n<li>Os homens p\u00f5em termo \u00e0s trevas, e at\u00e9 os \u00faltimos confins exploram as pedras na escurid\u00e3o e nas trevas mais densas.<\/li>\n<li>Abrem um po\u00e7o de mina longe do lugar onde habitam; s\u00e3o esquecidos pelos viajantes, ficando pendentes longe dos homens, e oscilam de um lado para o outro.<\/li>\n<li>Quanto \u00e0 terra, dela procede o p\u00e3o, mas por baixo \u00e9 revolvida como por fogo.<\/li>\n<li>As suas pedras s\u00e3o o lugar de safiras, e t\u00eam p\u00f3 de ouro.<\/li>\n<li>A ave de rapina n\u00e3o conhece essa vereda, e n\u00e3o a viram os olhos do falc\u00e3o.<\/li>\n<li>Nunca a pisaram feras altivas, nem o feroz le\u00e3o passou por ela.<\/li>\n<li>O homem estende a m\u00e3o contra a pederneira, e revolve os montes desde as suas ra\u00edzes.<\/li>\n<li>Corta canais nas pedras, e os seus olhos descobrem todas as coisas preciosas.<\/li>\n<li>Ele tapa os veios d&#8217;\u00e1gua para que n\u00e3o gotejem; e tira para a luz o que estava escondido.<\/li>\n<li>Mas onde se achar\u00e1 a sabedoria? E onde est\u00e1 o lugar do entendimento?<\/li>\n<li>O homem n\u00e3o lhe conhece o caminho; nem se acha ela na terra dos viventes.<\/li>\n<li>O abismo diz: N\u00e3o est\u00e1 em mim; e o mar diz: Ela n\u00e3o est\u00e1 comigo.<\/li>\n<li>N\u00e3o pode ser comprada com ouro fino, nem a peso de prata se trocar\u00e1.<\/li>\n<li>Nem se pode avaliar em ouro fino de Ofir, nem em pedras preciosas de berilo, ou safira.<\/li>\n<li>Com ela n\u00e3o se pode comparar o ouro ou o vidro; nem se trocara por j\u00f3ias de ouro fino.<\/li>\n<li>N\u00e3o se far\u00e1 men\u00e7\u00e3o de coral nem de cristal; porque a aquisi\u00e7\u00e3o da sabedoria \u00e9 melhor que a das p\u00e9rolas.<\/li>\n<li>N\u00e3o se lhe igualar\u00e1 o top\u00e1zio da Eti\u00f3pia, nem se pode comprar por ouro puro.<\/li>\n<li>Donde, pois, vem a sabedoria? Onde est\u00e1 o lugar do entendimento?<\/li>\n<li>Est\u00e1 encoberta aos olhos de todo vivente, e oculta \u00e0s aves do c\u00e9u.<\/li>\n<li>O Abadom e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos um rumor dela.<\/li>\n<li>Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar.<\/li>\n<li>Porque ele perscruta at\u00e9 as extremidades da terra, sim, ele v\u00ea tudo o que h\u00e1 debaixo do c\u00e9u.<\/li>\n<li>Quando regulou o peso do vento, e fixou a medida das \u00e1guas;<\/li>\n<li>quando prescreveu leis para a chuva e caminho para o rel\u00e2mpago dos trov\u00f5es;<\/li>\n<li>ent\u00e3o viu a sabedoria e a manifestou; estabeleceu-a, e tamb\u00e9m a esquadrinhou.<\/li>\n<li>E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor \u00e9 a sabedoria, e o apartar-se do mal \u00e9 o entendimento.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"29\"><\/a>J\u00f3 29<\/h3>\n<ol>\n<li>E prosseguindo J\u00f3 no seu discurso, disse:<\/li>\n<li>Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses do passado, como nos dias em que Deus me guardava;<\/li>\n<li>quando a sua l\u00e2mpada luzia sobre o minha cabe\u00e7a, e eu com a sua luz caminhava atrav\u00e9s das trevas;<\/li>\n<li>como era nos dias do meu vigor, quando o \u00edntimo favor de Deus estava sobre a minha tenda;<\/li>\n<li>quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos em redor de mim;<\/li>\n<li>quando os meus passos eram banhados em leite, e a rocha me deitava ribeiros de azeite!<\/li>\n<li>Quando eu sa\u00eda para a porta da cidade, e na pra\u00e7a preparava a minha cadeira,<\/li>\n<li>os mo\u00e7os me viam e se escondiam, e os idosos se levantavam e se punham em p\u00e9;<\/li>\n<li>os pr\u00edncipes continham as suas palavras, e punham a m\u00e3o sobre a sua boca;<\/li>\n<li>a voz dos nobres emudecia, e a l\u00edngua se lhes pegava ao paladar.<\/li>\n<li>Pois, ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bem-aventurado; e vendo-me algum olho, dava testemunho de mim;<\/li>\n<li>porque eu livrava o miser\u00e1vel que clamava, e o \u00f3rf\u00e3o que n\u00e3o tinha quem o socorresse.<\/li>\n<li>A b\u00ean\u00e7\u00e3o do que estava a perecer vinha sobre mim, e eu fazia rejubilar-se o cora\u00e7\u00e3o da vi\u00fava.<\/li>\n<li>vestia-me da retid\u00e3o, e ela se vestia de mim; como manto e diadema era a minha justi\u00e7a.<\/li>\n<li>Fazia-me olhos para o cego, e p\u00e9s para o coxo;<\/li>\n<li>dos necessitados era pai, e a causa do que me era desconhecido examinava com dilig\u00eancia.<\/li>\n<li>E quebrava os caninos do perverso, e arrancava-lhe a presa dentre os dentes.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o dizia eu: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia;<\/li>\n<li>as minhas ra\u00edzes se estendem at\u00e9 as \u00e1guas, e o orvalho fica a noite toda sobre os meus ramos;<\/li>\n<li>a minha honra se renova em mim, e o meu arco se revigora na minh\u00e3 m\u00e3o.<\/li>\n<li>A mim me ouviam e esperavam, e em sil\u00eancio atendiam ao meu conselho.<\/li>\n<li>Depois de eu falar, nada replicavam, e minha palavra destilava sobre eles;<\/li>\n<li>esperavam-me como \u00e0 chuva; e abriam a sua boca como \u00e0 chuva tardia.<\/li>\n<li>Eu lhes sorria quando n\u00e3o tinham confian\u00e7a; e n\u00e3o desprezavam a luz do meu rosto;<\/li>\n<li>eu lhes escolhia o caminho, assentava-me como chefe, e habitava como rei entre as suas tropas, como aquele que consola os aflitos.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"30\"><\/a>J\u00f3 30<\/h3>\n<ol>\n<li>Mas agora zombam de mim os de menos idade do que eu, cujos pais teria eu desdenhado de p\u00f4r com os c\u00e3es do meu rebanho.<\/li>\n<li>Pois de que me serviria a for\u00e7a das suas m\u00e3os, homens nos quais j\u00e1 pereceu o vigor?<\/li>\n<li>De m\u00edngua e fome emagrecem; andam roendo pelo deserto, lugar de ru\u00ednas e desola\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Apanham malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento s\u00e3o as ra\u00edzes dos zimbros.<\/li>\n<li>S\u00e3o expulsos do meio dos homens, que gritam atr\u00e1s deles, como atr\u00e1s de um ladr\u00e3o.<\/li>\n<li>T\u00eam que habitar nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e dos penhascos.<\/li>\n<li>Bramam entre os arbustos, ajuntam-se debaixo das urtigas.<\/li>\n<li>S\u00e3o filhos de insensatos, filhos de gente sem nome; da terra foram enxotados.<\/li>\n<li>Mas agora vim a ser a sua can\u00e7\u00e3o, e lhes sirvo de prov\u00e9rbio.<\/li>\n<li>Eles me abominam, afastam-se de mim, e no meu rosto n\u00e3o se privam de cuspir.<\/li>\n<li>Porquanto Deus desatou a minha corda e me humilhou, eles sacudiram de si o freio perante o meu rosto.<\/li>\n<li>\u00eb direita levanta-se gente vil; empurram os meus p\u00e9s, e contra mim erigem os seus caminhos de destrui\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Estragam a minha vereda, promovem a minha calamidade; n\u00e3o h\u00e1 quem os detenha.<\/li>\n<li>V\u00eam como por uma grande brecha, por entre as ru\u00ednas se precipitam.<\/li>\n<li>Sobrevieram-me pavores; \u00e9 perseguida a minha honra como pelo vento; e como nuvem passou a minha felicidade.<\/li>\n<li>E agora dentro de mim se derrama a minha alma; os dias da afli\u00e7\u00e3o se apoderaram de mim.<\/li>\n<li>De noite me s\u00e3o traspassados os ossos, e o mal que me corr\u00f3i n\u00e3o descansa.<\/li>\n<li>Pela viol\u00eancia do mal est\u00e1 desfigurada a minha veste; como a gola da minha t\u00fanica, me aperta.<\/li>\n<li>Ele me lan\u00e7ou na lama, e fiquei semelhante ao p\u00f3 e \u00e0 cinza.<\/li>\n<li>Clamo a ti, e n\u00e3o me respondes; ponho-me em p\u00e9, e n\u00e3o atentas para mim.<\/li>\n<li>Tornas-te cruel para comigo; com a for\u00e7a da tua m\u00e3o me persegues.<\/li>\n<li>Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e dissolves-me na tempestade.<\/li>\n<li>Pois eu sei que me levar\u00e1s \u00e0 morte, e \u00e0 casa do ajuntamento destinada a todos os viventes.<\/li>\n<li>Contudo n\u00e3o estende a m\u00e3o quem est\u00e1 a cair? ou n\u00e3o clama por socorro na sua calamidade?<\/li>\n<li>N\u00e3o chorava eu sobre aquele que estava aflito? ou n\u00e3o se angustiava a minha alma pelo necessitado?<\/li>\n<li>Todavia aguardando eu o bem, eis que me veio o mal, e esperando eu a luz, veio a escurid\u00e3o.<\/li>\n<li>As minhas entranhas fervem e n\u00e3o descansam; os dias da afli\u00e7\u00e3o me surpreenderam.<\/li>\n<li>Denegrido ando, mas n\u00e3o do sol; levanto-me na congrega\u00e7\u00e3o, e clamo por socorro.<\/li>\n<li>Tornei-me irm\u00e3o dos chacais, e companheiro dos avestruzes.<\/li>\n<li>A minha pele enegrece e se me cai, e os meus ossos est\u00e3o queimados do calor.<\/li>\n<li>Pelo que se tornou em pranto a minha harpa, e a minha flauta em voz dos que choram.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"31\"><\/a>J\u00f3 31<\/h3>\n<ol>\n<li>Fiz pacto com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?<\/li>\n<li>Pois que por\u00e7\u00e3o teria eu de Deus l\u00e1 de cima, e que heran\u00e7a do Todo-Poderoso l\u00e1 do alto?<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o para o perverso, e o desastre para os obradores da iniq\u00fcidade?<\/li>\n<li>N\u00e3o v\u00ea ele os meus caminhos, e n\u00e3o conta todos os meus passos?<\/li>\n<li>Se eu tenho andado com falsidade, e se o meu p\u00e9 se tem apressado ap\u00f3s o engano<\/li>\n<li>(pese-me Deus em balan\u00e7as fi\u00e9is, e conhe\u00e7a a minha integridade);<\/li>\n<li>se os meus passos se t\u00eam desviado do caminho, e se o meu cora\u00e7ao tem seguido os meus olhos, e se qualquer mancha se tem pegado \u00e0s minhas m\u00e3os;<\/li>\n<li>ent\u00e3o semeie eu e outro coma, e seja arrancado o produto do meu campo.<\/li>\n<li>Se o meu cora\u00e7\u00e3o se deixou seduzir por causa duma mulher, ou se eu tenho armado trai\u00e7\u00e3o \u00e0 porta do meu pr\u00f3ximo,<\/li>\n<li>ent\u00e3o moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela.<\/li>\n<li>Pois isso seria um crime infame; sim, isso seria uma iniq\u00fcidade para ser punida pelos ju\u00edzes;<\/li>\n<li>porque seria fogo que consome at\u00e9 Abadom, e desarraigaria toda a minha renda.<\/li>\n<li>Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles pleitearam comigo,<\/li>\n<li>ent\u00e3o que faria eu quando Deus se levantasse? E quando ele me viesse inquirir, que lhe responderia?<\/li>\n<li>Aquele que me formou no ventre n\u00e3o o fez tamb\u00e9m a meu servo? E n\u00e3o foi um que nos plasmou na madre?<\/li>\n<li>Se tenho negado aos pobres o que desejavam, ou feito desfalecer os olhos da vi\u00fava,<\/li>\n<li>ou se tenho comido sozinho o meu bocado, e n\u00e3o tem comido dele o \u00f3rf\u00e3o tamb\u00e9m<\/li>\n<li>(pois desde a minha mocidade o \u00f3rf\u00e3o cresceu comigo como com seu pai, e a vi\u00fava, tenho-a guiado desde o ventre de minha m\u00e3e);<\/li>\n<li>se tenho visto algu\u00e9m perecer por falta de roupa, ou o necessitado n\u00e3o ter com que se cobrir;<\/li>\n<li>se os seus lombos n\u00e3o me aben\u00e7oaram, se ele n\u00e3o se aquentava com os velos dos meus cordeiros;<\/li>\n<li>se levantei a minha m\u00e3o contra o \u00f3rfao, porque na porta via a minha ajuda;<\/li>\n<li>ent\u00e3o caia do ombro a minha esp\u00e1dua, e separe-se o meu bra\u00e7o da sua juntura.<\/li>\n<li>Pois a calamidade vinda de Deus seria para mim um horror, e eu n\u00e3o poderia suportar a sua majestade.<\/li>\n<li>Se do ouro fiz a minha esperan\u00e7a, ou disse ao ouro fino: Tu \u00e9s a minha confian\u00e7a;<\/li>\n<li>se me regozijei por ser grande a minha riqueza, e por ter a minha m\u00e3o alcan\u00e7a o muito;<\/li>\n<li>se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, quando ela caminhava em esplendor,<\/li>\n<li>e o meu cora\u00e7\u00e3o se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha m\u00e3o;<\/li>\n<li>isso tamb\u00e9m seria uma iniq\u00fcidade para ser punida pelos ju\u00edzes; pois assim teria negado a Deus que est\u00e1 l\u00e1 em cima.<\/li>\n<li>Se me regozijei com a ru\u00edna do que me tem \u00f3dio, e se exultei quando o mal lhe sobreveio<\/li>\n<li>(mas eu n\u00e3o deixei pecar a minha boca, pedindo com impreca\u00e7\u00e3o a sua morte);<\/li>\n<li>se as pessoas da minha tenda n\u00e3o disseram: Quem h\u00e1 que n\u00e3o se tenha saciado com carne provida por ele?<\/li>\n<li>O estrangeiro n\u00e3o passava a noite na rua; mas eu abria as minhas portas ao viandante;<\/li>\n<li>se, como Ad\u00e3o, encobri as minhas transgress\u00f5es, ocultando a minha iniq\u00fcidade no meu seio,<\/li>\n<li>porque tinha medo da grande multid\u00e3o, e o desprezo das fam\u00edlias me aterrorizava, de modo que me calei, e n\u00e3o sa\u00ed da porta&#8230;<\/li>\n<li>Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis a minha defesa, que me responda o Todo-Poderoso! Oxal\u00e1 tivesse eu a acusa\u00e7\u00e3o escrita pelo meu advers\u00e1rio!<\/li>\n<li>Por certo eu a levaria sobre o ombro, sobre mim a ataria como coroa.<\/li>\n<li>Eu lhe daria conta dos meus passos; como pr\u00edncipe me chegaria a ele<\/li>\n<li>Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem;<\/li>\n<li>se comi os seus frutos sem dinheiro, ou se fiz que morressem os seus donos;<\/li>\n<li>por trigo me produza cardos, e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de J\u00f3.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"32\"><\/a>J\u00f3 32<\/h3>\n<ol>\n<li>E aqueles tr\u00eas homens cessaram de responder a J\u00f3; porque era justo aos seus pr\u00f3prios olhos.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o se acendeu a ira de Eli\u00fa, filho de Baraquel, o buzita, da fam\u00edlia de R\u00e3o; acendeu-se a sua ira contra J\u00f3, porque este se justificava a si mesmo, e n\u00e3o a Deus.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m contra os seus tr\u00eas amigos se acendeu a sua ira, porque n\u00e3o tinham achado o que responder, e contudo tinham condenado a J\u00f3.<\/li>\n<li>Ora, Eli\u00fa havia esperado para falar a J\u00f3, porque eles eram mais idosos do que ele.<\/li>\n<li>Quando, pois, Eli\u00fa viu que n\u00e3o havia resposta na boca daqueles tr\u00eas homens, acendeu-se-lhe a ira.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o respondeu Eli\u00fa, filho de Baraquel, o buzita, dizendo: Eu sou de pouca idade, e v\u00f3s sois, idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opini\u00e3o.<\/li>\n<li>Dizia eu: Falem os dias, e a multid\u00e3o dos anos ensine a sabedoria.<\/li>\n<li>H\u00e1, por\u00e9m, um esp\u00edrito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz entendido.<\/li>\n<li>N\u00e3o s\u00e3o os velhos que s\u00e3o os s\u00e1bios, nem os anci\u00e3os que entendem o que \u00e9 reto.<\/li>\n<li>Pelo que digo: Ouvi-me, e tamb\u00e9m eu declararei a minha opini\u00e3o.<\/li>\n<li>Eis que aguardei as vossas palavras, escutei as vossas considera\u00e7\u00f5es, enquanto busc\u00e1veis o que dizer.<\/li>\n<li>Eu, pois, vos prestava toda a minha aten\u00e7\u00e3o, e eis que n\u00e3o houve entre v\u00f3s quem convencesse a J\u00f3, nem quem respondesse \u00e0s suas palavras;<\/li>\n<li>pelo que n\u00e3o digais: Achamos a sabedoria; Deus \u00e9 que pode derrub\u00e1-lo, e n\u00e3o o homem.<\/li>\n<li>Ora ele n\u00e3o dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras.<\/li>\n<li>Est\u00e3o pasmados, n\u00e3o respondem mais; faltam-lhes as palavras.<\/li>\n<li>Hei de eu esperar, porque eles n\u00e3o falam, porque j\u00e1 pararam, e n\u00e3o respondem mais?<\/li>\n<li>Eu tamb\u00e9m darei a minha resposta; eu tamb\u00e9m declararei a minha opini\u00e3o.<\/li>\n<li>Pois estou cheio de palavras; o esp\u00edrito dentro de mim me constrange.<\/li>\n<li>Eis que o meu peito \u00e9 como o mosto, sem respiradouro, como odres novos que est\u00e3o para arrebentar.<\/li>\n<li>Falarei, para que ache al\u00edvio; abrirei os meus l\u00e1bios e responderei:<\/li>\n<li>Que n\u00e3o fa\u00e7a eu acep\u00e7\u00e3o de pessoas, nem use de lisonjas para com o homem.<\/li>\n<li>Porque n\u00e3o sei usar de lisonjas; do contr\u00e1rio, em breve me levaria o meu Criador.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"33\"><\/a>J\u00f3 33<\/h3>\n<ol>\n<li>Ouve, pois, as minhas palavras, \u00f3 J\u00f3, e d\u00e1 ouvidos a todas as minhas declara\u00e7oes.<\/li>\n<li>Eis que j\u00e1 abri a minha boca; j\u00e1 falou a minha l\u00edngua debaixo do meu paladar.<\/li>\n<li>As minhas palavras declaram a integridade do meu cora\u00e7\u00e3o, e os meus l\u00e1bios falam com sinceridade o que sabem.<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me d\u00e1 vida.<\/li>\n<li>Se podes, responde-me; p\u00f5e as tuas palavras em ordem diante de mim; apresenta-te.<\/li>\n<li>Eis que diante de Deus sou o que tu \u00e9s; eu tamb\u00e9m fui formado do barro.<\/li>\n<li>Eis que n\u00e3o te perturbar\u00e1 nenhum medo de mim, nem ser\u00e1 pesada sobre ti a minha m\u00e3o.<\/li>\n<li>Na verdade tu falaste aos meus ouvidos, e eu ouvi a voz das tuas palavras. Dizias:<\/li>\n<li>Limpo estou, sem transgress\u00e3o; puro sou, e n\u00e3o h\u00e1 em mim iniq\u00fcidade.<\/li>\n<li>Eis que Deus procura motivos de inimizade contra mim, e me considera como o seu inimigo.<\/li>\n<li>P\u00f5e no tronco os meus p\u00e9s, e observa todas as minhas veredas.<\/li>\n<li>Eis que nisso n\u00e3o tens raz\u00e3o; eu te responderei; porque Deus e maior do que o homem.<\/li>\n<li>Por que raz\u00e3o contendes com ele por n\u00e3o dar conta dos seus atos?<\/li>\n<li>Pois Deus fala de um modo, e ainda de outro se o homem n\u00e3o lhe atende.<\/li>\n<li>Em sonho ou em vis\u00e3o de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama;<\/li>\n<li>ent\u00e3o abre os ouvidos dos homens, e os atemoriza com avisos,<\/li>\n<li>para apartar o homem do seu des\u00edgnio, e esconder do homem a soberba;<\/li>\n<li>para reter a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m \u00e9 castigado na sua cama com dores, e com incessante contenda nos seus ossos;<\/li>\n<li>de modo que a sua vida abomina o p\u00e3o, e a sua alma a comida apetec\u00edvel.<\/li>\n<li>Consome-se a sua carne, de maneira que desaparece, e os seus ossos, que n\u00e3o se viam, agora aparecem.<\/li>\n<li>A sua alma se vai chegando \u00e0 cova, e a sua vida aos que trazem a morte.<\/li>\n<li>Se com ele, pois, houver um anjo, um int\u00e9rprete, um entre mil, para declarar ao homem o que lhe \u00e9 justo,<\/li>\n<li>ent\u00e3o ter\u00e1 compaix\u00e3o dele, e lhe dir\u00e1: Livra-o, para que n\u00e3o des\u00e7a \u00e0 cova; j\u00e1 achei resgate.<\/li>\n<li>Sua carne se reverdecer\u00e1 mais do que na sua inf\u00e2ncia; e ele tornar\u00e1 aos dias da sua juventude.<\/li>\n<li>Deveras orar\u00e1 a Deus, que lhe ser\u00e1 prop\u00edcio, e o far\u00e1 ver a sua face com j\u00fabilo, e restituir\u00e1 ao homem a sua justi\u00e7a.<\/li>\n<li>Cantar\u00e1 diante dos homens, e dir\u00e1: Pequei, e perverti o direito, o que de nada me aproveitou.<\/li>\n<li>Mas Deus livrou a minha alma de ir para a cova, e a minha vida ver\u00e1 a luz.<\/li>\n<li>Eis que tudo isto Deus faz duas e tr\u00eas vezes para com o homem,<\/li>\n<li>para reconduzir a sua alma da cova, a fim de que seja iluminado com a luz dos viventes.<\/li>\n<li>Escuta, pois, \u00f3 J\u00f3, ouve-me; cala-te, e eu falarei.<\/li>\n<li>Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te.<\/li>\n<li>Se n\u00e3o, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"34\"><\/a>J\u00f3 34<\/h3>\n<ol>\n<li>Prosseguiu Eli\u00fa, dizendo:<\/li>\n<li>Ouvi, v\u00f3s, s\u00e1bios, as minhas palavras; e v\u00f3s, entendidos, inclinai os ouvidos para mim.<\/li>\n<li>Pois o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida.<\/li>\n<li>O que \u00e9 direito escolhamos para n\u00f3s; e conhe\u00e7amos entre n\u00f3s o que \u00e9 bom.<\/li>\n<li>Pois J\u00f3 disse: Sou justo, e Deus tirou-me o direito.<\/li>\n<li>Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso; a minha ferida \u00e9 incur\u00e1vel, embora eu esteja sem transgress\u00e3o.<\/li>\n<li>Que homem h\u00e1 como J\u00f3, que bebe o esc\u00e1rnio como \u00e1gua,<\/li>\n<li>que anda na companhia dos malfeitores, e caminha com homens \u00edmpios?<\/li>\n<li>Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.<\/li>\n<li>Pelo que ouvi-me, v\u00f3s homens de entendimento: longe de Deus o praticar a maldade, e do Todo-Poderoso o cometer a iniq\u00fcidade!<\/li>\n<li>Pois, segundo a obra do homem, ele lhe retribui, e faz a cada um segundo o seu caminho.<\/li>\n<li>Na verdade, Deus n\u00e3o proceder\u00e1 impiamente, nem o Todo-Poderoso perverter\u00e1 o ju\u00edzo.<\/li>\n<li>Quem lhe entregou o governo da terra? E quem lhe deu autoridade sobre o mundo todo?<\/li>\n<li>Se ele retirasse para si o seu esp\u00edrito, e recolhesse para si o seu f\u00f4lego,<\/li>\n<li>toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o p\u00f3.<\/li>\n<li>Se, pois, h\u00e1 em ti entendimento, ouve isto, inclina os ouvidos \u00e0s palavras que profiro.<\/li>\n<li>Acaso quem odeia o direito governar\u00e1? Querer\u00e1s tu condenar aquele que \u00e9 justo e poderoso?<\/li>\n<li>aquele que diz a um rei: \u00f3 vil? e aos pr\u00edncipes: \u00f3 \u00edmpios?<\/li>\n<li>que n\u00e3o faz acep\u00e7\u00e3o das pessoas de pr\u00edncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos s\u00e3o obra de suas m\u00e3os?<\/li>\n<li>Eles num momento morrem; e \u00e0 meia-noite os povos s\u00e3o perturbados, e passam, e os poderosos s\u00e3o levados n\u00e3o por m\u00e3o humana.<\/li>\n<li>Porque os seus olhos est\u00e3o sobre os caminhos de cada um, e ele v\u00ea todos os seus passos.<\/li>\n<li>N\u00e3o h\u00e1 escurid\u00e3o nem densas trevas, onde se escondam os obradores da iniq\u00fcidade.<\/li>\n<li>Porque Deus n\u00e3o precisa observar por muito tempo o homem para que este compare\u00e7a perante ele em ju\u00edzo.<\/li>\n<li>Ele quebranta os fortes, sem inquiri\u00e7ao, e p\u00f5e outros em lugar deles.<\/li>\n<li>Pois conhecendo ele as suas obras, de noite os transtorna, e ficam esmagados.<\/li>\n<li>Ele os fere como \u00edmpios, \u00e0 vista dos circunstantes;<\/li>\n<li>porquanto se desviaram dele, e n\u00e3o quiseram compreender nenhum de seus caminhos,<\/li>\n<li>de sorte que o clamor do pobre subisse at\u00e9 ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos.<\/li>\n<li>Se ele d\u00e1 tranq\u00fcilidade, quem ent\u00e3o o condenar\u00e1? Se ele encobrir o rosto, quem ent\u00e3o o poder\u00e1 contemplar, quer seja uma na\u00e7\u00e3o, quer seja um homem s\u00f3?<\/li>\n<li>para que o \u00edmpio n\u00e3o reine, e n\u00e3o haja quem iluda o povo.<\/li>\n<li>Pois, quem jamais disse a Deus: Sofri, ainda que n\u00e3o pequei;<\/li>\n<li>o que n\u00e3o vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?<\/li>\n<li>Ser\u00e1 a sua recompensa como queres, para que a recuses? Pois tu tens que fazer a escolha, e n\u00e3o eu; portanto fala o que sabes.<\/li>\n<li>Os homens de entendimento dir-me-\u00e3o, e o var\u00e3o s\u00e1bio, que me ouvir:<\/li>\n<li>J\u00f3 fala sem conhecimento, e \u00e0s suas palavras falta sabedoria.<\/li>\n<li>Oxal\u00e1 que J\u00f3 fosse provado at\u00e9 o fim; porque responde como os in\u00edquos.<\/li>\n<li>Porque ao seu pecado acrescenta a rebeli\u00e3o; entre n\u00f3s bate as palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"35\"><\/a>J\u00f3 35<\/h3>\n<ol>\n<li>Disse mais Eli\u00fa:<\/li>\n<li>Tens por direito dizeres: Maior \u00e9 a minha justi\u00e7a do que a de Deus?<\/li>\n<li>Porque dizes: Que me aproveita? Que proveito tenho mais do que se eu tivera pecado?<\/li>\n<li>Eu te darei respostas, a ti e aos teus amigos contigo.<\/li>\n<li>Atenta para os c\u00e9us, e v\u00ea; e contempla o firmamento que \u00e9 mais alto do que tu.<\/li>\n<li>Se pecares, que efetuar\u00e1s contra ele? Se as tuas transgress\u00f5es se multiplicarem, que lhe far\u00e1s com isso?<\/li>\n<li>Se fores justo, que lhe dar\u00e1s, ou que receber\u00e1 ele da tua m\u00e3o?<\/li>\n<li>A tua impiedade poderia fazer mal a outro tal como tu; e a tua justi\u00e7a poderia aproveitar a um filho do homem.<\/li>\n<li>Por causa da multid\u00e3o das opress\u00f5es os homens clamam; clamam por socorro por causa do bra\u00e7o dos poderosos.<\/li>\n<li>Mas ningu\u00e9m diz: Onde est\u00e1 Deus meu Criador, que inspira can\u00e7\u00f5es durante a noite;<\/li>\n<li>que nos ensina mais do que aos animais da terra, e nos faz mais s\u00e1bios do que as aves do c\u00e9u?<\/li>\n<li>Ali clamam, por\u00e9m ele n\u00e3o responde, por causa da arrog\u00e2ncia os maus.<\/li>\n<li>Certo \u00e9 que Deus n\u00e3o ouve o grito da vaidade, nem para ela atentar\u00e1 o Todo-Poderoso.<\/li>\n<li>Quanto menos quando tu dizes que n\u00e3o o v\u00eas. A causa est\u00e1 perante ele; por isso espera nele.<\/li>\n<li>Mas agora, porque a sua ira ainda n\u00e3o se exerce, nem grandemente considera ele a arrog\u00e2ncia,<\/li>\n<li>por isso abre J\u00f3 em v\u00e3o a sua boca, e sem conhecimento multiplica palavras.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"36\"><\/a>J\u00f3 36<\/h3>\n<ol>\n<li>Prosseguiu ainda Eli\u00fa e disse:<\/li>\n<li>Espera-me um pouco, e mostrar-te-ei que ainda h\u00e1 raz\u00f5es a favor de Deus.<\/li>\n<li>De longe trarei o meu conhecimento, e ao meu criador atribuirei a justi\u00e7a.<\/li>\n<li>Pois, na verdade, as minhas palavras n\u00e3o ser\u00e3o falsas; contigo est\u00e1 um que tem perfeito conhecimento.<\/li>\n<li>Eis que Deus \u00e9 mui poderoso, contudo a ningu\u00e9m despre grande \u00e9 no poder de entendimento.<\/li>\n<li>Ele n\u00e3o preserva a vida do \u00edmpio, mas faz justi\u00e7a aos aflitos.<\/li>\n<li>Do justo n\u00e3o aparta os seus olhos; antes com os reis no trono os faz sentar para sempre, e assim s\u00e3o exaltados.<\/li>\n<li>E se est\u00e3o presos em grilh\u00f5es, e amarrados com cordas de afli\u00e7\u00e3o,<\/li>\n<li>ent\u00e3o lhes faz saber a obra deles, e as suas transgress\u00f5es, porquanto se t\u00eam portado com soberba.<\/li>\n<li>E abre-lhes o ouvido para a instru\u00e7\u00e3o, e ordena que se convertam da iniq\u00fcidade.<\/li>\n<li>Se o ouvirem, e o servirem, acabar\u00e3o seus dias em prosperidade, e os seus anos em del\u00edcias.<\/li>\n<li>Mas se n\u00e3o o ouvirem, \u00e0 espada ser\u00e3o passados, e expirar\u00e3o sem conhecimento.<\/li>\n<li>Assim os \u00edmpios de cora\u00e7\u00e3o amontoam, a sua ira; e quando Deus os p\u00f5e em grilh\u00f5es, n\u00e3o clamam por socorro.<\/li>\n<li>Eles morrem na mocidade, e a sua vida perece entre as prostitutas.<\/li>\n<li>Ao aflito livra por meio da sua afli\u00e7\u00e3o, e por meio da opress\u00e3o lhe abre os ouvidos.<\/li>\n<li>Assim tamb\u00e9m quer induzir-te da ang\u00fastia para um lugar espa\u00e7oso, em que n\u00e3o h\u00e1 aperto; e as iguarias da tua mesa ser\u00e3o cheias de gordura.<\/li>\n<li>Mas tu est\u00e1s cheio do ju\u00edzo do \u00edmpio; o ju\u00edzo e a justi\u00e7a tomam conta de ti.<\/li>\n<li>Cuida, pois, para que a ira n\u00e3o te induza a escarnecer, nem te desvie a grandeza do resgate.<\/li>\n<li>Prevalecer\u00e1 o teu clamor, ou todas as for\u00e7as da tua fortaleza, para que n\u00e3o estejas em aperto?<\/li>\n<li>N\u00e3o suspires pela noite, em que os povos sejam tomados do seu lugar.<\/li>\n<li>Guarda-te, e n\u00e3o declines para a iniq\u00fcidade; porquanto isso escolheste antes que a afli\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Eis que Deus \u00e9 excelso em seu poder; quem \u00e9 ensinador como ele?<\/li>\n<li>Quem lhe prescreveu o seu caminho? Ou quem poder\u00e1 dizer: Tu praticaste a injusti\u00e7a?<\/li>\n<li>Lembra-te de engrandecer a sua obra, de que t\u00eam cantado os homens.<\/li>\n<li>Todos os homens a v\u00eaem; de longe a contempla o homem.<\/li>\n<li>Eis que Deus \u00e9 grande, e n\u00f3s n\u00e3o o conhecemos, e o n\u00famero dos seus anos n\u00e3o se pode esquadrinhar.<\/li>\n<li>Pois atrai a si as gotas de \u00e1gua, e do seu vapor as destila em chuva,<\/li>\n<li>que as nuvens derramam e gotejam abundantemente sobre o homem.<\/li>\n<li>Poder\u00e1 algu\u00e9m entender as dilata\u00e7\u00f5es das nuvens, e os trov\u00f5es do seu pavilh\u00e3o?<\/li>\n<li>Eis que ao redor de si estende a sua luz, e cobre o fundo do mar.<\/li>\n<li>Pois por estas coisas julga os povos e lhes d\u00e1 mantimento em abund\u00e2ncia.<\/li>\n<li>Cobre as m\u00e3os com o rel\u00e2mpago, e d\u00e1-lhe ordem para que fira o alvo.<\/li>\n<li>O fragor da tempestade d\u00e1 not\u00edcia dele; at\u00e9 o gado pressente a sua aproxima\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"37\"><\/a>J\u00f3 37<\/h3>\n<ol>\n<li>Sobre isso tamb\u00e9m treme o meu cora\u00e7\u00e3o, e salta do seu lugar.<\/li>\n<li>Dai atentamente ouvidos ao estrondo da voz de Deus e ao sonido que sai da sua boca.<\/li>\n<li>Ele o envia por debaixo de todo o c\u00e9u, e o seu rel\u00e2mpago at\u00e9 os confins da terra.<\/li>\n<li>Depois do rel\u00e2mpago ruge uma grande voz; ele troveja com a sua voz majestosa; e n\u00e3o retarda os raios, quando \u00e9 ouvida a sua voz.<\/li>\n<li>Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que n\u00f3s n\u00e3o compreendemos.<\/li>\n<li>Pois \u00e0 neve diz: Cai sobre a terra; como tamb\u00e9m \u00e0s chuvas e aos aguaceiros: Sede copiosos.<\/li>\n<li>Ele sela as m\u00e3os de todo homem, para que todos saibam que ele os fez.<\/li>\n<li>E as feras entram nos esconderijos e ficam nos seus covis.<\/li>\n<li>Da rec\u00e2mara do sul sai o tuf\u00e3o, e do norte o frio.<\/li>\n<li>Ao sopro de Deus forma-se o gelo, e as largas \u00e1guas s\u00e3o congeladas.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m de umidade carrega as grossas nuvens; as nuvens espalham rel\u00e2mpagos.<\/li>\n<li>Fazem evolu\u00e7\u00f5es sob a sua dire\u00e7\u00e3o, para efetuar tudo quanto lhes ordena sobre a superf\u00edcie do mundo habit\u00e1vel:<\/li>\n<li>seja para disciplina, ou para a sua terra, ou para benefic\u00eancia, que as fa\u00e7a vir.<\/li>\n<li>A isto, J\u00f3, inclina os teus ouvidos; p\u00e1ra e considera as obras maravilhosas de Deus.<\/li>\n<li>Sabes tu como Deus lhes d\u00e1 as suas ordens, e faz resplandecer o rel\u00e2mpago da sua nuvem?<\/li>\n<li>Compreendes o equil\u00edbrio das nuvens, e as maravilhas daquele que \u00e9 perfeito nos conhecimentos;<\/li>\n<li>tu cujas vestes s\u00e3o quentes, quando h\u00e1 calma sobre a terra por causa do vento sul?<\/li>\n<li>Acaso podes, como ele, estender o firmamento, que \u00e9 s\u00f3lido como um espelho fundido?<\/li>\n<li>Ensina-nos o que lhe diremos; pois n\u00f3s nada poderemos p\u00f4r em boa ordem, por causa das trevas.<\/li>\n<li>Contar-lhe-ia algu\u00e9m que eu quero falar. Ou desejaria um homem ser devorado?<\/li>\n<li>E agora o homem n\u00e3o pode olhar para o sol, que resplandece no c\u00e9u quando o vento, tendo passado, o deixa limpo.<\/li>\n<li>Do norte vem o \u00e1ureo esplendor; em Deus h\u00e1 tremenda majestade.<\/li>\n<li>Quanto ao Todo-Poderoso, n\u00e3o o podemos compreender; grande \u00e9 em poder e justi\u00e7a e pleno de retid\u00e3o; a ningu\u00e9m, pois, oprimir\u00e1.<\/li>\n<li>Por isso o temem os homens; ele n\u00e3o respeita os que se julgam s\u00e1bios.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"38\"><\/a>J\u00f3 38<\/h3>\n<ol>\n<li>Depois disso o Senhor respondeu a J\u00f3 dum redemoinho, dizendo:<\/li>\n<li>Quem \u00e9 este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?<\/li>\n<li>Agora cinge os teus lombos, como homem; porque te perguntarei, e tu me responder\u00e1s.<\/li>\n<li>Onde estavas tu, quando eu lan\u00e7ava os fundamentos da terra? Faze-mo saber, se tens entendimento.<\/li>\n<li>Quem lhe fixou as medidas, se \u00e9 que o sabes? ou quem a mediu com o cordel?<\/li>\n<li>Sobre que foram firmadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra de esquina,<\/li>\n<li>quando juntas cantavam as estrelas da manh\u00e3, e todos os filhos de Deus bradavam de j\u00fabilo?<\/li>\n<li>Ou quem encerrou com portas o mar, quando este rompeu e saiu da madre;<\/li>\n<li>quando eu lhe pus nuvens por vestidura, e escurid\u00e3o por faixas,<\/li>\n<li>e lhe tracei limites, pondo-lhe portas e ferrolhos,<\/li>\n<li>e lhe disse: At\u00e9 aqui vir\u00e1s, por\u00e9m n\u00e3o mais adiante; e aqui se quebrar\u00e3o as tuas ondas orgulhosas?<\/li>\n<li>Desde que come\u00e7aram os teus dias, deste tu ordem \u00e0 madrugada, ou mostraste \u00e0 alva o seu lugar,<\/li>\n<li>para que agarrasse nas extremidades da terra, e os \u00edmpios fossem sacudidos dela?<\/li>\n<li>A terra se transforma como o barro sob o selo; e todas as coisas se assinalam como as cores dum vestido.<\/li>\n<li>E dos \u00edmpios \u00e9 retirada a sua luz, e o bra\u00e7o altivo se quebranta.<\/li>\n<li>Acaso tu entraste at\u00e9 os mananciais do mar, ou passeaste pelos recessos do abismo?<\/li>\n<li>Ou foram-te descobertas as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte?<\/li>\n<li>Compreendeste a largura da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isso.<\/li>\n<li>Onde est\u00e1 o caminho para a morada da luz? E, quanto \u00e0s trevas, onde est\u00e1 o seu lugar,<\/li>\n<li>para que \u00e0s tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas para a sua casa?<\/li>\n<li>De certo tu o sabes, porque j\u00e1 ent\u00e3o eras nascido, e porque \u00e9 grande o n\u00famero dos teus dias!<\/li>\n<li>Acaso entraste nos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva,<\/li>\n<li>que eu tenho reservado para o tempo da ang\u00fastia, para o dia da peleja e da guerra?<\/li>\n<li>Onde est\u00e1 o caminho para o lugar em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra?<\/li>\n<li>Quem abriu canais para o aguaceiro, e um caminho para o rel\u00e2mpago do trov\u00e3o;<\/li>\n<li>para fazer cair chuva numa terra, onde n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m, e no deserto, em que n\u00e3o h\u00e1 gente;<\/li>\n<li>para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer a tenra relva?<\/li>\n<li>A chuva porventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho?<\/li>\n<li>Do ventre de quem saiu o gelo? E quem gerou a geada do c\u00e9u?<\/li>\n<li>Como pedra as \u00e1guas se endurecem, e a superf\u00edcie do abismo se congela.<\/li>\n<li>Podes atar as cadeias das Pl\u00eaiades, ou soltar os atilhos do Oriom?<\/li>\n<li>Ou fazer sair as constela\u00e7\u00f5es a seu tempo, e guiar a ursa com seus filhos?<\/li>\n<li>Sabes tu as ordenan\u00e7as dos c\u00e9us, ou podes estabelecer o seu dom\u00ednio sobre a terra?<\/li>\n<li>Ou podes levantar a tua voz at\u00e9 as nuvens, para que a abund\u00e2ncia das \u00e1guas te cubra?<\/li>\n<li>Ou ordenar\u00e1s aos raios de modo que saiam? Eles te dir\u00e3o: Eis-nos aqui?<\/li>\n<li>Quem p\u00f4s sabedoria nas densas nuvens, ou quem deu entendimento ao meteoro?<\/li>\n<li>Quem numerar\u00e1 as nuvens pela sabedoria? Ou os odres do c\u00e9u, quem os esvaziar\u00e1,<\/li>\n<li>quando se funde o p\u00f3 em massa, e se pegam os torr\u00f5es uns aos outros?<\/li>\n<li>Podes ca\u00e7ar presa para a leoa, ou satisfazer a fome dos filhos dos le\u00f5es,<\/li>\n<li>quando se agacham nos covis, e est\u00e3o \u00e0 espreita nas covas?<\/li>\n<li>Quem prepara ao corvo o seu alimento, quando os seus pintainhos clamam a Deus e andam vagueando, por n\u00e3o terem o que comer?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"39\"><\/a>J\u00f3 39<\/h3>\n<ol>\n<li>Sabes tu o tempo do parto das cabras montesas, ou podes observar quando \u00e9 que parem as cor\u00e7as?<\/li>\n<li>Podes contar os meses que cumprem, ou sabes o tempo do seu parto?<\/li>\n<li>Encurvam-se, d\u00e3o \u00e0 luz as suas crias, lan\u00e7am de si a sua prole.<\/li>\n<li>Seus filhos enrijam, crescem no campo livre; saem, e n\u00e3o tornam para elas:<\/li>\n<li>Quem despediu livre o jumento mont\u00eas, e quem soltou as pris\u00f5es ao asno veloz,<\/li>\n<li>ao qual dei o ermo por casa, e a terra salgada por morada?<\/li>\n<li>Ele despreza o tumulto da cidade; n\u00e3o obedece os gritos do condutor.<\/li>\n<li>O circuito das montanhas \u00e9 o seu pasto, e anda buscando tudo o que est\u00e1 verde.<\/li>\n<li>Querer\u00e1 o boi selvagem servir-te? ou ficar\u00e1 junto \u00e0 tua manjedoura?<\/li>\n<li>Podes amarrar o boi selvagem ao arado com uma corda, ou esterroar\u00e1 ele ap\u00f3s ti os vales?<\/li>\n<li>Ou confiar\u00e1s nele, por ser grande a sua for\u00e7a, ou deixar\u00e1s a seu cargo o teu trabalho?<\/li>\n<li>Fiar\u00e1s dele que te torne o que semeaste e o recolha \u00e0 tua eira?<\/li>\n<li>Movem-se alegremente as asas da avestruz; mas \u00e9 benigno o adorno da sua plumagem?<\/li>\n<li>Pois ela deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no p\u00f3,<\/li>\n<li>e se esquece de que algum p\u00e9 os pode pisar, ou de que a fera os pode calcar.<\/li>\n<li>Endurece-se para com seus filhos, como se n\u00e3o fossem seus; embora se perca o seu trabalho, ela est\u00e1 sem temor;<\/li>\n<li>porque Deus a privou de sabedoria, e n\u00e3o lhe repartiu entendimento.<\/li>\n<li>Quando ela se levanta para correr, zomba do cavalo, e do cavaleiro.<\/li>\n<li>Acaso deste for\u00e7a ao cavalo, ou revestiste de for\u00e7a o seu pesco\u00e7o?<\/li>\n<li>Fizeste-o pular como o gafanhoto? Terr\u00edvel \u00e9 o fogoso respirar das suas ventas.<\/li>\n<li>Escarva no vale, e folga na sua for\u00e7a, e sai ao encontro dos armados.<\/li>\n<li>Ri-se do temor, e n\u00e3o se espanta; e n\u00e3o torna atr\u00e1s por causa da espada.<\/li>\n<li>Sobre ele rangem a aljava, a lan\u00e7a cintilante e o dardo.<\/li>\n<li>Tremendo e enfurecido devora a terra, e n\u00e3o se cont\u00e9m ao som da trombeta.<\/li>\n<li>Toda vez que soa a trombeta, diz: Eia! E de longe cheira a guerra, e o trov\u00e3o dos capit\u00e3es e os gritos.<\/li>\n<li>\u00c9 pelo teu entendimento que se eleva o gavi\u00e3o, e estende as suas asas para o sul?<\/li>\n<li>Ou se remonta a \u00e1guia ao teu mandado, e p\u00f5e no alto o seu ninho?<\/li>\n<li>Mora nas penhas e ali tem a sua pousada, no cume das penhas, no lugar seguro.<\/li>\n<li>Dali descobre a presa; seus olhos a avistam de longe.<\/li>\n<li>Seus filhos chupam o sangue; e onde h\u00e1 mortos, ela a\u00ed est\u00e1.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"40\"><\/a>J\u00f3 40<\/h3>\n<ol>\n<li>Disse mais o Senhor a J\u00f3:<\/li>\n<li>Contender\u00e1 contra o Todo-Poderoso o censurador? Quem assim arg\u00fai a Deus, responda a estas coisas.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o J\u00f3 respondeu ao Senhor, e disse:<\/li>\n<li>Eis que sou vil; que te responderia eu? Antes ponho a minha m\u00e3o sobre a boca.<\/li>\n<li>Uma vez tenho falado, e n\u00e3o replicarei; ou ainda duas vezes, por\u00e9m n\u00e3o prosseguirei.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o, do meio do redemoinho, o Senhor respondeu a J\u00f3:<\/li>\n<li>Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei a ti, e tu me responder\u00e1s.<\/li>\n<li>Far\u00e1s tu v\u00e3o tamb\u00e9m o meu ju\u00edzo, ou me condenar\u00e1s para te justificares a ti?<\/li>\n<li>Ou tens bra\u00e7o como Deus; ou podes trovejar com uma voz como a dele?<\/li>\n<li>Orna-te, pois, de excel\u00eancia e dignidade, e veste-te de gl\u00f3ria e de esplendor.<\/li>\n<li>Derrama as inunda\u00e7\u00f5es da tua ira, e atenta para todo soberbo, e abate-o.<\/li>\n<li>Olha para todo soberbo, e humilha-o, e calca aos p\u00e9s os \u00edmpios onde est\u00e3o.<\/li>\n<li>Esconde-os juntamente no p\u00f3; ata-lhes os rostos no lugar escondido.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o tamb\u00e9m eu de ti confessarei que a tua m\u00e3o direita te poder\u00e1 salvar.<\/li>\n<li>Contempla agora o hipop\u00f3tamo, que eu criei como a ti, que come a erva como o boi.<\/li>\n<li>Eis que a sua for\u00e7a est\u00e1 nos seus lombos, e o seu poder nos m\u00fasculos do seu ventre.<\/li>\n<li>Ele enrija a sua cauda como o cedro; os nervos das suas coxas s\u00e3o entretecidos.<\/li>\n<li>Os seus ossos s\u00e3o como tubos de bronze, as suas costelas como barras de ferro.<\/li>\n<li>Ele \u00e9 obra prima dos caminhos de Deus; aquele que o fez o proveu da sua espada.<\/li>\n<li>Em verdade os montes lhe produzem pasto, onde todos os animais do campo folgam.<\/li>\n<li>Deita-se debaixo dos lotos, no esconderijo dos canaviais e no p\u00e2ntano.<\/li>\n<li>Os lotos cobrem-no com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.<\/li>\n<li>Eis que se um rio trasborda, ele n\u00e3o treme; sente-se seguro ainda que o Jord\u00e3o se levante at\u00e9 a sua boca.<\/li>\n<li>Poder\u00e1 algu\u00e9m apanh\u00e1-lo quando ele estiver de vigia, ou com la\u00e7os lhe furar o nariz?<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"41\"><\/a>J\u00f3 41<\/h3>\n<ol>\n<li>Poder\u00e1s tirar com anzol o leviat\u00e3, ou apertar-lhe a l\u00edngua com uma corda?<\/li>\n<li>Poder\u00e1s meter-lhe uma corda de junco no nariz, ou com um gancho furar a sua queixada?<\/li>\n<li>Porventura te far\u00e1 muitas s\u00faplicas, ou brandamente te falar\u00e1?<\/li>\n<li>Far\u00e1 ele alian\u00e7a contigo, ou o tomar\u00e1s tu por servo para sempre?<\/li>\n<li>Brincar\u00e1s com ele, como se fora um p\u00e1ssaro, ou o prender\u00e1s para tuas meninas?<\/li>\n<li>Far\u00e3o os s\u00f3cios de pesca tr\u00e1fico dele, ou o dividir\u00e3o entre os negociantes?<\/li>\n<li>Poder\u00e1s encher-lhe a pele de arp\u00f5es, ou a cabe\u00e7a de fisgas?<\/li>\n<li>P\u00f5e a tua m\u00e3o sobre ele; lembra-te da peleja; nunca mais o far\u00e1s!<\/li>\n<li>Eis que \u00e9 v\u00e3 a esperan\u00e7a de apanh\u00e1-lo; pois n\u00e3o ser\u00e1 um homem derrubado s\u00f3 ao v\u00ea-lo?<\/li>\n<li>Ningu\u00e9m h\u00e1 t\u00e3o ousado, que se atreva a despert\u00e1-lo; quem, pois, \u00e9 aquele que pode erguer-se diante de mim?<\/li>\n<li>Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois tudo quanto existe debaixo de todo c\u00e9u \u00e9 meu.<\/li>\n<li>N\u00e3o me calarei a respeito dos seus membros, nem da sua grande for\u00e7a, nem da gra\u00e7a da sua estrutura.<\/li>\n<li>Quem lhe pode tirar o vestido exterior? Quem lhe penetrar\u00e1 a coura\u00e7a dupla?<\/li>\n<li>Quem jamais abriu as portas do seu rosto? Pois em roda dos seus dentes est\u00e1 o terror.<\/li>\n<li>As suas fortes escamas s\u00e3o o seu orgulho, cada uma fechada como por um selo apertado.<\/li>\n<li>Uma \u00e0 outra se chega t\u00e3o perto, que nem o ar passa por entre elas.<\/li>\n<li>Umas \u00e0s outras se ligam; tanto aderem entre si, que n\u00e3o se podem separar.<\/li>\n<li>Os seus espirros fazem resplandecer a luz, e os seus olhos s\u00e3o como as pestanas da alva.<\/li>\n<li>Da sua boca saem tochas; fa\u00edscas de fogo saltam dela.<\/li>\n<li>Dos seus narizes procede fuma\u00e7a, como de uma panela que ferve, e de juncos que ardem.<\/li>\n<li>O seu h\u00e1lito faz incender os carv\u00f5es, e da sua boca sai uma chama.<\/li>\n<li>No seu pesco\u00e7o reside a for\u00e7a; e diante dele anda saltando o terror.<\/li>\n<li>Os tecidos da sua carne est\u00e3o pegados entre si; ela \u00e9 firme sobre ele, n\u00e3o se pode mover.<\/li>\n<li>O seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 firme como uma pedra; sim, firme como a pedra inferior dum\u00e1 m\u00f3.<\/li>\n<li>Quando ele se levanta, os valentes s\u00e3o atemorizados, e por causa da consterna\u00e7\u00e3o ficam fora de si.<\/li>\n<li>Se algu\u00e9m o atacar com a espada, essa n\u00e3o poder\u00e1 penetrar; nem tampouco a lan\u00e7a, nem o dardo, nem o arp\u00e3o.<\/li>\n<li>Ele considera o ferro como palha, e o bronze como pau podre.<\/li>\n<li>A seta n\u00e3o o poder\u00e1 fazer fugir; para ele as pedras das fundas se tornam em restolho.<\/li>\n<li>Os bast\u00f5es s\u00e3o reputados como juncos, e ele se ri do brandir da lan\u00e7a.<\/li>\n<li>Debaixo do seu ventre h\u00e1 pontas agudas; ele se estende como um trilho sobre o lodo.<\/li>\n<li>As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como uma vasilha de ung\u00fcento.<\/li>\n<li>Ap\u00f3s si deixa uma vereda luminosa; parece o abismo tornado em brancura de c\u00e3s.<\/li>\n<li>Na terra n\u00e3o h\u00e1 coisa que se lhe possa comparar; pois foi feito para estar sem pavor.<\/li>\n<li>Ele v\u00ea tudo o que \u00e9 alto; \u00e9 rei sobre todos os filhos da soberba.<\/li>\n<\/ol>\n<h3><a id=\"42\"><\/a>J\u00f3 42<\/h3>\n<ol>\n<li>Ent\u00e3o respondeu J\u00f3 ao Senhor:<\/li>\n<li>Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus prop\u00f3sitos pode ser impedido.<\/li>\n<li>Quem \u00e9 este que sem conhecimento obscurece o conselho? por isso falei do que n\u00e3o entendia; coisas que para mim eram demasiado maravilhosas, e que eu n\u00e3o conhecia.<\/li>\n<li>Ouve, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me responderas.<\/li>\n<li>Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te v\u00eaem os meus olhos.<\/li>\n<li>Pelo que me abomino, e me arrependo no p\u00f3 e na cinza.<\/li>\n<li>Sucedeu pois que, acabando o Senhor de dizer a J\u00f3 aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos, porque n\u00e3o tendes falado de mim o que era reto, como o meu servo J\u00f3.<\/li>\n<li>Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo J\u00f3, e oferecei um holocausto por v\u00f3s; e o meu servo J\u00f3 orar\u00e1 por v\u00f3s; porque deveras a ele aceitarei, para que eu n\u00e3o vos trate conforme a vossa estult\u00edcia; porque v\u00f3s n\u00e3o tendes falado de mim o que era reto, como o meu servo J\u00f3.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o foram Elifaz o temanita, e Bildade o su\u00edta, e Zofar o naamatita, e fizeram como o Senhor lhes ordenara; e o Senhor aceitou a J\u00f3.<\/li>\n<li>O Senhor, pois, virou o cativeiro de J\u00f3, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu a J\u00f3 o dobro do que antes possu\u00eda.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o vieram ter com ele todos os seus irm\u00e3os, e todas as suas irm\u00e3s, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele p\u00e3o em sua casa; condoeram-se dele, e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma pe\u00e7a de dinheiro e um pendente de ouro.<\/li>\n<li>E assim aben\u00e7oou o Senhor o \u00faltimo estado de J\u00f3, mais do que o primeiro; pois J\u00f3 chegou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m teve sete filhos e tr\u00eas filhas.<\/li>\n<li>E chamou o nome da primeira Jemima, e o nome da segunda Quezia, e o nome da terceira Qu\u00e9ren-Hapuque.<\/li>\n<li>E em toda a terra n\u00e3o se acharam mulheres t\u00e3o formosas como as filhas de J\u00f3; e seu pai lhes deu heran\u00e7a entre seus irm\u00e3os.<\/li>\n<li>Depois disto viveu J\u00f3 cento e quarenta anos, e viu seus filhos, e os filhos de seus filhos: at\u00e9 a quarta gera\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o morreu J\u00f3, velho e cheio de dias.<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/ester\/\" class=\"su-button su-button-style-3d\" style=\"color:#FFFFFF;background-color:#00aba5;border-color:#008984;border-radius:5px\" target=\"_self\"><span style=\"color:#FFFFFF;padding:0px 16px;font-size:13px;line-height:26px;border-color:#4dc5c0;border-radius:5px;text-shadow:none\"> Ester<\/span><\/a> <a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/salmos\/\" class=\"su-button su-button-style-3d\" style=\"color:#FFFFFF;background-color:#00aba5;border-color:#008984;border-radius:5px\" target=\"_self\"><span style=\"color:#FFFFFF;padding:0px 16px;font-size:13px;line-height:26px;border-color:#4dc5c0;border-radius:5px;text-shadow:none\"> Salmos<\/span><\/a>\n<div class='grid-row clearfix'><\/div><div class='grid-col grid-col-12'><section class='cws-widget'><section class='cws_widget_content'> \t<div class=\"testimonial \">\n\t\t<div class='clearfix'>\n\t\t\t<img src='https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-content\/uploads\/bfi_thumb\/Jesus-130-93-3cmh6ny6pugic3cykq7hts.jpg' alt \/>\t\t\t\t<p>\n<p align=\"justify\">Que \u00e9 o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo? Eis que Deus n\u00e3o confia nos seus santos, e nem o c\u00e9u \u00e9 puro aos seus olhos; quanto menos o homem abomin\u00e1vel e corrupto, que bebe a iniq\u00fcidade como a \u00e1gua?<\/p>\n<\/p>\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"author\">J\u00f3 15:14-16<\/div>\t<\/div>\n\t <\/section><\/section><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00f3<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[994,1182,3],"tags":[996,374,113,112,1044,1045],"class_list":["post-16652","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-biblia-online","category-biblia-sagrada","category-news","tag-biblia-online","tag-biblia-sagrada","tag-deus","tag-jesus","tag-jo","tag-job"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16652\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}