{"id":14373,"date":"2021-02-17T20:57:21","date_gmt":"2021-02-17T20:57:21","guid":{"rendered":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/?p=14373"},"modified":"2023-02-18T12:07:35","modified_gmt":"2023-02-18T15:07:35","slug":"a-ilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/a-ilha\/","title":{"rendered":"A Ilha"},"content":{"rendered":"<h1>A Ilha<\/h1>\n<p align=\"justify\">Era uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranquila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dia por\u00e9m uma ideia a inquietou: se toda vez que a mar\u00e9 baixava, uma por\u00e7\u00e3o de terra se descobria, ent\u00e3o at\u00e9 que ponto haveria terra? Isso lhe tirou o sono por v\u00e1rias noites. De repente seu conceito sobre si mesma mudou. Sempre se considerara uma por\u00e7\u00e3o de terra boiando \u00e0 superf\u00edcie da \u00e1gua, isso era ponto pac\u00edfico, todas as outras ilhas tamb\u00e9m pensavam assim. Mas agora j\u00e1 n\u00e3o podia acreditar nisso. Uma ilha n\u00e3o terminava ali na superf\u00edcie. N\u00e3o. Continuava pra baixo. Uma ilha era na verdade uma&#8230; montanha. Saber que ela continuava al\u00e9m do que pensava ser era algo espantoso de se pensar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, dia ap\u00f3s dia, a ilha prosseguiu em seus esfor\u00e7os de auto investiga\u00e7\u00e3o &#8211; queria saber at\u00e9 onde existia. Mas \u00e0 medida que sua aten\u00e7\u00e3o mergulhava em si mesma, as \u00e1guas ficavam mais escuras. Era preciso cada vez mais concentra\u00e7\u00e3o pra n\u00e3o se perder. Ela prosseguiu e descobriu que o que existia abaixo da superf\u00edcie possu\u00eda vida pr\u00f3pria e, mesmo sem ser reconhecido, era capaz de interagir e at\u00e9 determinar o que existia acima. Uma ilha n\u00e3o era algo t\u00e3o independente quanto pensava.<\/p>\n<p align=\"justify\">Muito tempo se passou at\u00e9 que se convencesse de que era mesmo uma montanha com o pico emerso. E muito mais tempo para compreender que n\u00e3o flutuava solta nas profundezas do oceano: ela estava presa a uma base e essa base era uma enorme extens\u00e3o de terra que funcionava como ch\u00e3o. Vinham de l\u00e1 todas as ilhas. E para l\u00e1 voltariam todas quando os movimentos da terra e das \u00e1guas as for\u00e7assem a isso. Mas as ilhas n\u00e3o sabiam da montanha e muito menos da terra ao fundo. Por isso as reais motiva\u00e7\u00f5es do que faziam eram na maior parte desconhecidas. Se a montanha era a parte inconsciente de cada ilha, o fundo do mar era o inconsciente maior, \u00fanico, de todas elas. Ao entender esse fato a ilha lembrou do tempo em que sua consci\u00eancia de si pr\u00f3pria se limitava \u00e0quela min\u00fascula por\u00e7\u00e3o de terra \u00e0 superf\u00edcie. Todas as ilhas v\u00eam do mesmo lugar&#8230; &#8211; ela repetiu, intrigada &#8211; porque s\u00e3o feitas da mesma terra. A areia e os nutrientes que as ra\u00edzes de suas plantas colhem v\u00eam do mesmo ch\u00e3o. Todas as ilhas que existem s\u00e3o no fundo uma coisa s\u00f3&#8230; A ilha viu que eram ideias grandes demais, confundiam a mente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aquela auto investiga\u00e7\u00e3o era <a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/jesus-a-unica-esperanca\/\">importante<\/a>\u00a0mas era preciso muita aten\u00e7\u00e3o durante o processo. S\u00f3 assim poderia voltar \u00e0 superf\u00edcie sempre que quisesse.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enquanto tudo isso acontecia, as outras ilhas observavam seu comportamento e n\u00e3o entendiam. Conclu\u00edram ent\u00e3o que estava louca e espalharam a not\u00edcia. A ilha sentiu-se s\u00f3. Mas como poderia conden\u00e1-las por n\u00e3o compreenderem o que ela descobrira? Pensando melhor, eram todas partes dela mesma! Ent\u00e3o ela mesma ainda n\u00e3o se compreendia inteiramente&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi ent\u00e3o que a ilha percebeu, num clar\u00e3o de compreens\u00e3o, que toda aquela vasta extens\u00e3o de terra inconsciente funcionava como um \u00fatero a expulsar pequenos peda\u00e7os de si mesma, for\u00e7ando-os a ir \u00e0 superf\u00edcie. Uma vez l\u00e1, eles se entendiam ilhas e come\u00e7avam ent\u00e3o sua aventura individual em busca de saber quem eram, aventura que podia durar anos, s\u00e9culos, mil\u00eanios, mas que um dia chegaria \u00e0 mesma conclus\u00e3o: todas as ilhas eram montanhas e todas as montanhas na verdade eram uma s\u00f3 extens\u00e3o de terra a se experimentar em cada uma delas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas por que a terra fazia isso? Talvez pra ela pr\u00f3pria aprender com a experi\u00eancia de cada ilha. Ao morrer uma ilha trazia \u00e0 terra sua experi\u00eancia pra servir de aprendizado \u00e0s futuras ilhas. Uma ilha continha em si, sem se dar conta, a mesm\u00edssima areia das que a antecederam. A terra como um todo estava sempre\u00a0<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/aprendendo-a-amar\/\">aprendendo<\/a>\u00a0cada vez mais sobre si mesma&#8230; Era mesmo uma tremenda aventura &#8211; pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lan\u00e7avam. Uma aventura de cada ilha. Mas tamb\u00e9m da terra inteira.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"fn\">Ricardo Kelmer<\/span><\/p>\n<p class=\"brown\" align=\"justify\">Assim como esta ilha p\u00f4de buscar encontrar-se, ou seja, descobrir o que era e porque existia&#8230; devemos tamb\u00e9m sabermos que somos, nada mais nada menos, que as ilhas de Deus. Deus \u00e9 a montanha &#8211; que \u00e9 o todo, compreendendo todo o universo e n\u00f3s pequenas ilhas, extens\u00e3o desta montanha. Nada ser\u00edamos se n\u00e3o fosse a montanha (<a href=\"https:\/\/dannybia.com\/dannys\/salmos-23\/\">Deus<\/a>) e por isso devemos, cada dia, agradecer por sermos um pedacinho d\u00cale e por existirmos.<\/p>\n<div class='grid-row clearfix'><div class='grid-col grid-col-12'><section class='cws-widget'><section class='cws_widget_content'> \t<div class=\"testimonial \">\n\t\t<div class='clearfix'>\n\t\t\t<img src='https:\/\/dannybia.com\/dannys\/wp-content\/uploads\/bfi_thumb\/Jesus-130-93-3cmh6ny6pugic3cykq7hts.jpg' alt \/>\t\t\t\t<p>\n<p align=\"justify\">Todas as veredas do Senhor s\u00e3o miseric\u00f3rdia e verdade para aqueles que guardam o seu pacto e os seus testemunhos.<\/p>\n<\/p>\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"author\">Salmos 25:10<\/div>\t<\/div>\n\t <\/section><\/section><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ilha Era uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranquila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava. Um dia por\u00e9m uma ideia a inquietou: se toda vez que a mar\u00e9 baixava, uma por\u00e7\u00e3o de terra se descobria, ent\u00e3o at\u00e9 que ponto haveria terra? Isso lhe tirou o sono por v\u00e1rias noites. De repente seu conceito sobre si mesma mudou. Sempre se considerara uma por\u00e7\u00e3o de terra boiando \u00e0 superf\u00edcie da \u00e1gua, isso era ponto pac\u00edfico, todas as outras ilhas tamb\u00e9m pensavam assim. Mas agora j\u00e1 n\u00e3o podia acreditar nisso. Uma ilha n\u00e3o terminava ali na superf\u00edcie. N\u00e3o. Continuava pra baixo. Uma ilha era na verdade uma&#8230; montanha. Saber que ela continuava al\u00e9m do que pensava ser era algo espantoso de se pensar. Assim, dia ap\u00f3s dia, a ilha prosseguiu em seus esfor\u00e7os de auto investiga\u00e7\u00e3o &#8211; queria saber at\u00e9 onde existia. Mas \u00e0 medida que sua aten\u00e7\u00e3o mergulhava em si mesma, as \u00e1guas ficavam mais escuras. Era preciso cada vez mais concentra\u00e7\u00e3o pra n\u00e3o se perder. Ela prosseguiu e descobriu que o que existia abaixo da superf\u00edcie possu\u00eda vida pr\u00f3pria e, mesmo sem ser reconhecido, era capaz de interagir e at\u00e9 determinar o que existia acima. Uma ilha n\u00e3o era algo t\u00e3o independente quanto pensava. Muito tempo se passou at\u00e9 que se convencesse de que era mesmo uma montanha com o pico emerso. E muito mais tempo para compreender que n\u00e3o flutuava solta nas profundezas do oceano: ela estava presa a uma base e essa base era uma enorme extens\u00e3o de terra que funcionava como ch\u00e3o. Vinham de l\u00e1 todas as ilhas. E para l\u00e1 voltariam todas quando os movimentos da terra e das \u00e1guas as for\u00e7assem a isso. Mas as ilhas n\u00e3o sabiam da montanha e muito menos da terra ao fundo. Por isso as reais motiva\u00e7\u00f5es do que faziam eram na maior parte desconhecidas. Se a montanha era a parte inconsciente de cada ilha, o fundo do mar era o inconsciente maior, \u00fanico, de todas elas. Ao entender esse fato a ilha lembrou do tempo em que sua consci\u00eancia de si pr\u00f3pria se limitava \u00e0quela min\u00fascula por\u00e7\u00e3o de terra \u00e0 superf\u00edcie. Todas as ilhas v\u00eam do mesmo lugar&#8230; &#8211; ela repetiu, intrigada &#8211; porque s\u00e3o feitas da mesma terra. A areia e os nutrientes que as ra\u00edzes de suas plantas colhem v\u00eam do mesmo ch\u00e3o. Todas as ilhas que existem s\u00e3o no fundo uma coisa s\u00f3&#8230; A ilha viu que eram ideias grandes demais, confundiam a mente. Aquela auto investiga\u00e7\u00e3o era importante\u00a0mas era preciso muita aten\u00e7\u00e3o durante o processo. S\u00f3 assim poderia voltar \u00e0 superf\u00edcie sempre que quisesse. Enquanto tudo isso acontecia, as outras ilhas observavam seu comportamento e n\u00e3o entendiam. Conclu\u00edram ent\u00e3o que estava louca e espalharam a not\u00edcia. A ilha sentiu-se s\u00f3. Mas como poderia conden\u00e1-las por n\u00e3o compreenderem o que ela descobrira? Pensando melhor, eram todas partes dela mesma! Ent\u00e3o ela mesma ainda n\u00e3o se compreendia inteiramente&#8230; Foi ent\u00e3o que a ilha percebeu, num clar\u00e3o de compreens\u00e3o, que toda aquela vasta extens\u00e3o de terra inconsciente funcionava como um \u00fatero a expulsar pequenos peda\u00e7os de si mesma, for\u00e7ando-os a ir \u00e0 superf\u00edcie. Uma vez l\u00e1, eles se entendiam ilhas e come\u00e7avam ent\u00e3o sua aventura individual em busca de saber quem eram, aventura que podia durar anos, s\u00e9culos, mil\u00eanios, mas que um dia chegaria \u00e0 mesma conclus\u00e3o: todas as ilhas eram montanhas e todas as montanhas na verdade eram uma s\u00f3 extens\u00e3o de terra a se experimentar em cada uma delas. Mas por que a terra fazia isso? Talvez pra ela pr\u00f3pria aprender com a experi\u00eancia de cada ilha. Ao morrer uma ilha trazia \u00e0 terra sua experi\u00eancia pra servir de aprendizado \u00e0s futuras ilhas. Uma ilha continha em si, sem se dar conta, a mesm\u00edssima areia das que a antecederam. A terra como um todo estava sempre\u00a0aprendendo\u00a0cada vez mais sobre si mesma&#8230; Era mesmo uma tremenda aventura &#8211; pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lan\u00e7avam. Uma aventura de cada ilha. Mas tamb\u00e9m da terra inteira. Ricardo Kelmer Assim como esta ilha p\u00f4de buscar encontrar-se, ou seja, descobrir o que era e porque existia&#8230; devemos tamb\u00e9m sabermos que somos, nada mais nada menos, que as ilhas de Deus. Deus \u00e9 a montanha &#8211; que \u00e9 o todo, compreendendo todo o universo e n\u00f3s pequenas ilhas, extens\u00e3o desta montanha. 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